Capítulo 1 -- Onde o Silêncio encontra o Mar

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O céu estava nublado quando Yukizinho voltou àquele lugar. O mesmo rochedo onde o mar batia sem parar, como se implorasse para ser ouvido. O vento soprava forte, cortando sua pele como a lembrança de algo que não devia mais sentir. Mas ele sentia. Sempre sentia — mesmo quando prometia a si mesmo que não voltaria.

E lá estava ele.

Neuvillette.

De costas, observando o mar com a mesma postura solene de sempre. Como se o mundo inteiro dependesse daquilo que seus olhos enxergavam além do horizonte. Mas Yukizinho sabia. Aquilo não era só contemplação. Era fuga.

— Você ainda vem aqui… — Yukizinho disse, quebrando o silêncio com uma voz embargada.

Neuvillette virou-se devagar, como se cada movimento fosse pesado demais. Os olhos cinzentos o encontraram com a intensidade de uma tempestade prestes a cair.

— E você ainda me segue, mesmo sabendo que não deveria — respondeu, sua voz tão baixa quanto o lamento das ondas.

Eles ficaram ali, frente a frente. Dois corpos separados por leis, deveres, promessas que não podiam ser quebradas. Mas os olhos... ah, os olhos não mentiam. Eles gritavam tudo que a boca já cansava de esconder.

— Eu tentei parar de vir — confessou Yukizinho. — Mas toda vez que chove... é como se você me chamasse.

Neuvillette desviou o olhar, mas era tarde demais. A verdade já estava ali, pendurada no ar como névoa salgada.

— Talvez... — ele começou, e sua voz falhou. — Talvez eu esteja sempre te chamando. Mesmo sem querer.

A chuva começou a cair, lenta, tímida — como se o céu chorasse por eles.

> Dizem que quando chove, é o juiz chorando em silêncio pelo que nunca pôde ter. Mas naquela noite, não era o juiz que chorava. Era o homem.

E o mar, testemunha eterna, guardava cada lágrima como um segredo sem fim.

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O som da chuva engrossava, mas nenhum dos dois se mexia. O mundo podia desabar em volta deles — e talvez já estivesse — mas ali, naquele espaço entre a ausência e o desejo, só existia um tempo: o agora.

Yukizinho se aproximou devagar. Cada passo era uma escolha. Cada centímetro roubado da distância entre eles era uma lembrança que queimava.

Neuvillette fechou os olhos por um instante. Respirou fundo. O ar era pesado, molhado, cheio do sal das emoções que ele sempre se recusou a sentir.

— Eu carrego você... até quando não quero — sussurrou Yukizinho, a voz baixa, como se tivesse medo de quebrar algo sagrado. — Você vive aqui dentro. E isso me consome.

Neuvillette não respondeu. Apenas levantou a mão, hesitou e repousou os dedos gelados sobre o rosto dele. O toque era leve, quase inexistente, mas dizia tudo o que palavras não alcançavam.

— Eu não sou feito para isso... — disse o juiz, com a voz tremendo mais que as ondas. — Não para sentir. Não para querer. E ainda assim... você.

O tempo parou. E, por um breve segundo, eles foram apenas dois homens à beira do mundo, tentando existir no mesmo fôlego. O beijo que quase aconteceu foi interrompido pela própria culpa. Mas os olhos, ah... eles já tinham se beijado mil vezes.

> E naquele instante silencioso, em que só o mar ousava falar, os dois sabiam:
Amar, às vezes, é só permanecer, mesmo quando não se pode ficar.

O toque durou pouco. Como uma onda que vem com força, mas recua antes de tocar a areia.

Neuvillette baixou a mão devagar, como se temesse que qualquer gesto a mais pudesse arrastar- lo para um abismo sem volta. E talvez pudesse mesmo.

— A balança do mundo não suporta os nossos sentimentos, Yukizinho... — ele murmurou. — E eu fui feito para equilibrar, não para quebrar.

Yukizinho deu um meio sorriso, triste, molhado pela chuva e por algo mais profundo — algo que vinha de dentro, do peito apertado demais para caber tanta ausência.

— Você sempre fala como se o amor fosse uma falha. Como se me querer fosse um erro...
Mas e se for? — ele deu um passo à frente. — E se for mesmo um erro? Eu prefiro errar com você do que viver certo sem sentir nada.

O juiz desviou o olhar, como se não aguentasse mais a força daquilo. Como se ouvir a verdade fosse mais doloroso do que mentir para si mesmo.

A tempestade crescia ao redor. Os trovões soavam como um aviso, como se o próprio céu protestasse contra aquela aproximação. Mas eles não se importavam. Porque quando o sentimento é verdadeiro, nem mesmo os deuses conseguem apagá-lo.

Neuvillette finalmente falou, sem encarar Yukizinho:

— Se eu disser que não posso... você vai parar de me amar?

Yukizinho demorou a responder. A voz saiu fraca, mas firme:

— Não.

E por um instante, o mar silenciou. As ondas pareciam segurar o fôlego. Até a chuva, por um breve momento, suavizou seu toque.

Foi então que Neuvillette se virou de novo, devagar, e os olhos que antes carregavam o peso do dever agora tremiam com o medo de perder.

Ele não disse mais nada.

Mas puxou Yukizinho para um abraço — um gesto simples, e ao mesmo tempo eterno.

Não era um beijo.
Não era uma promessa.
Era um abrigo.
Um pedido mudo de: “fica, mesmo que o mundo diga que não”.

> E naquele abraço, o tempo parou. O mar escutou. E o céu... chorou com eles.

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(Passando pra dar um recadinho, obrigado a todos que estão lendo, isso ajuda bastante e fortalece muito o crescimento desta fanfic, até o próximo capítulo)

Tears of The Sea Cerita yang bikin terobses. Temukan sekarang