5 de março de 2020.
Cauã: Tu tem certeza que é isso que você quer, Lais?
Lais: Não tenho escolha, meus pais já decidiram. Estou indo para estudar. - ela me olha e eu a conheço tão bem para saber que está em desespero.
Hoje foi o segundo dia mais dificil da minha vida, porquê o primeiro foi quando meu pai caiu atrás das grades e pegou uma pena que vai durar em torno da vida dele inteira. Agora, vê a menina que eu amo indo embora, jogando todos os nossos planos no lixo, é torturante.
Cauã: Já disse pra você que dou um jeito, arrumo um apê para a gente e nós constrói a nossa vida, Laís.
Lais: E o que? Sou bancada com o dinheiro sujo do seu pai? Seu salário de moto táxi não dá para todas as despesas e me desculpa, eu não tenho a intenção de viver sendo sustentada por você.
Cauã: Mas relacionamento não é isso? Um correndo pelo outro até tudo se ajeitar?
Lais: Nós temos 20 e 19 anos, Cauã. Olha, eu vou e logo depois posso levar você, nós podemos continuar juntos e.. - Nem espero ela terminar de falar aquela porra.
Cauã: No sério, Laís? Vai se foder.
Saio do beco transtornado e porra, eu não quero ser egoísta ou menos ainda prender a Laís em mim. Mas temos tantos planos e sonhos, como ela tem coragem de largar a porra toda pra trás por ego dos pais dela? Isso é loucura, irmão.
05 de março de 2025
Acordei depois de mais um plantão, olhei pro lado e a Tatiana estava deitada do meu lado. Tu tá ligado quando tu olha pra uma situação e pensa: "Por que eu me meti nessa porra?"
Pois então, me casei com a Tatiana uns 9 meses depois que a minha ex foi embora, não por amor, mas por carência, já que ela ficou do meu lado depois de todas as minhas decisões.
Não é nada surpresa, já que tudo o que aconteceu é óbvio. Depois que a Laís foi embora, eu nunca mais tive notícias, ela me tirou de todas as redes sociais, a Mari não me deu mais notícias dela, os pais dela me odeiam. Após ela ter ido embora, eu me afundei nas drogas, virei dependente, papo até de internação. Sai da clínica e quem tava comigo? Tatiana. Abandonei tudo o que eu tinha um dia sonhado pra minha vida, abandonei o futebol e me joguei no crime.
O que era dificil principalmente para a minha mãe, que além de não suportar a Tati, não aceita o fato de eu ter escolhido a mesma vida que o meu pai. A caminhada não é facil pra ninguém e eu sei, que se ela estivesse aqui, não teria deixado eu cometer essa burrada.
Eu era novo, queria fama, poder, mulher e dinheiro e o crime me dava isso, comecei no artigo 33 (tráfico de drogas), depois passei para o artigo 157 e 155 (roubo e furto), depois fui subindo, saia para cobrar no asfalto, recebia cargas pesadas, assalto a bancos, quando me dei por conta, estava cego. Fui nomeado frente da Rocinha, alguns me chamam de Mata rindo, não tenho pena de ninguém, não tiveram de mim. Mas meu vulgo mesmo é só a abreviação do meu nome CL.
Levantei da cama, deixei a Tati dormindo, me arrumei e fui pra boca mais um dia. Faz uns três dias que eu não troco uma palavra com a minha mulher, eu chego ela tá dormindo, eu saio ela tá dormindo. É foda, mas correria do final de semana é sempre a mesma.
Após conferir as cargas, receber os relatórios e pagar geral, fui pra boca principal onde já estavam meus braços direitos, os caras que tão comigo desde que eu era moleque, TH e o Black. Esses sabiam tudo o que acontecia na minha vida e foram eles que me ajudaram a segurar as pontas toda vez que a saudade por ela batia. Depois da última crise de saudade, decidi nunca mais citar o nome dela na minha vida.
TH: Tô ligado que tu não gosta de tocar no assunto, mas já ta sabendo da novidade?
CL: Que novidade? Não estou sabendo de nada não, ando muito ocupado - digo dando mais um trago no cigarro.
Black: Se liga TH, deixa esse bagulho pra lá.
CL: Deixa não, quero saber, qual foi?
TH: Laís tá voltando, chega hoje e vai ficar na casa da Mari,
CL: Laís tá o que?
Tá maluco, o frio que me deu na espinha não tá escrito, tem nem como decifrar uma parada dessas.
TH: Parece que chega seis horas de hoje.
Black: Não da mole de fazer merda, espera a mina chegar antes de tu partir pra cima.
CL: Tá maluco, você? Não quero saber da Lais não, problema é dela e não quero mais ouvir o nome dela. Vai trabalhar vocês.
Subo na minha moto e passo na pensão da dona Vera pra almoçar. Assim que acabo decido ir para a casa da minha mãe, espairecer minha mente antes que eu surte. Ela está voltando, caralho.
ESTÁS LEYENDO
(Re)começar.
FanfictionUma coisa que eu aprendi muito jovem, foi: Ir embora nem sempre é uma opção, talvez, seja motivo para que possamos nos reerguer e renascer mais fortes. Hoje, depois de 5 anos, retomar ao local onde tive os momentos mais importantes da minha vida, é...
