Pálido azul intenso

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Eu estava devidamente entediada com minha vida
-
Desdém desesperado.

No desejo de amargar minha vida frágil, tracei passos até a cortina do terraço, pensei em me asfixiar nos tecidos aveludados, prestes a traçar um nó em minha garganta, aproximou-se um inseto alado.
Deduzi que a borboleta que se apossou dos meus seios sabia pousar, amaciou minha pele com patas finas, arrancou meu vestido de seda suavemente.

Meu corselete exalava perfume requintado.
- Ela cheirava a sangue.

Meus saltos afiados não cortaram lábios - como ela, me deseja.
-
Ela era resplandecente, não me recordo que cor ela era, eu estava absorta no momento.
Estava muito escuro, mas a fresta de luz da minha varanda me contava que ela era azul, ou pelo menos... vestia azul.

Talvez eu confunda, a morcega que me possuiu em uma noite me tocava tal qual uma borboleta, delicada e certeira.

Entramos em atrito.

Ainda sinto suas garras em meu abdômen, lembro-me de seus olhos vidrados em meu lustre cinzelado. Ou talvez virados.
Talvez você tenha sentido o mesmo, nossos lábios se encontraram ao final do êxtase
- ardor.
Sedução de criaturas noturnas são as melhores.

Vampiros talvez não gostem só de sangue.

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⏰ Last updated: Oct 10, 2025 ⏰

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