Capitulo 1

4.7K 297 23
                                        

O som de um choro ecoou pelo hospital, agudo e frágil, quebrando por um segundo o silêncio da madrugada. Era o tipo de som que devia ser seguido por sorrisos, lágrimas felizes e uma mãe exausta estendendo os braços.
Mas naquela sala fria, nada disso aconteceu.

Dois segundos. Foi só isso que ela teve. Dois segundos de vida ao lado dos pais.

Natasha ainda estava suando, o olhar turvo, o coração disparado — e mesmo assim, tentou se levantar da maca quando ouviu o grito da filha.
Steve, pálido, ofegante, sem saber onde colocar as mãos. Ele queria tocar, segurar, proteger.
Mas então... as luzes apagaram.

Silêncio.

Depois: o som abafado de botas. E um tiro.

A equipe médica caiu. Um a um.
Portas arrombadas. Cortinas rasgadas. Máscaras pretas, símbolos da Hydra. E no centro da sala... ela. Uma figura conhecida: Dreykov. Ao lado dele, um homem com o olhar cortante como uma lâmina: Brock Rumlow.

"Pegue a criança," Dreykov disse, como quem pede um café. "O resto é descartável."

O berro que Natasha soltou naquela hora não era humano. Era de fera.
Steve tentou lutar, claro que tentou. Mas ele estava ferido, desorientado, e quando percebeu... já era tarde.
Rumlow segurava a bebê nos braços.
O choro parou.

"Vocês não vão levá-la!" Natasha gritou, com sangue escorrendo da testa. "Ela é minha filha!"

"Errado," Rumlow respondeu, friamente. "Ela é nossa agora."

Trinta minutos depois, os Vingadores estavam ajoelhados ao lado de um corpo minúsculo, coberto por um lençol branco.
DNA compatível. Sangue idêntico.
Era a filha deles...
Ou era o que eles achavam.

O mundo seguiu em frente.
Eles enterraram o corpo.
A dor ficou.
E ninguém jamais questionou.

Quatorze anos depois...

O corredor era de concreto escuro, gélido como uma câmara mortuária.
Passos firmes ecoavam, ritmados. Ela andava com o rosto erguido, olhos de aço, ombros alinhados.
Se alguém tentasse barrá-la, morreria antes de terminar a frase.

— Blair Rumlow — disse a voz no alto-falante. — Autorizada para missão de nível vermelho. Eliminação total.

Ela não hesitou.

Vestiu o uniforme. Prendeu a arma na coxa. Ajustou a máscara.
Olhou seu reflexo no espelho por um segundo... só um segundo.

Ali não havia alma.
Ali havia a arma perfeita.

E ela estava pronta pra ser solta.

—————————————

A noite estava pesada, silenciosa como a morte que Blair carregava no olhar. O prédio abandonado no centro da cidade parecia um esconderijo comum, mas para ela, era só mais um palco para o espetáculo sanguinário que sabia executar como ninguém.
Ela deslizava pelas sombras como um fantasma, invisível, mortal. O silêncio foi quebrado pelo som dos seus passos firmes ecoando no corredor escuro. O objetivo estava lá dentro, e ninguém sairia vivo.

O primeiro guarda apareceu na esquina. Antes que pudesse reagir, Blair estava sobre ele. O som do disparo foi rápido, preciso — um tiro na cabeça, sem chance para gritos ou súplicas. O corpo caiu sem vida no chão frio.
Mais à frente, outro apareceu, armado, tentando se proteger. A arma dele tremeu, o medo estampado no rosto. Blair sorriu — um sorriso que ninguém jamais veria, porque sua máscara escondia tudo, menos seus olhos gélidos. "Quer implorar pela sua vida?" ela pensou, mas não precisou. Ele já implorava. De joelhos, mãos trêmulas, suplicando por um pouco de clemência.

Ela riu. Não um riso alto, mas um som frio, cortante.
"Não existe clemência," sussurrou para si mesma, e apertou o gatilho.

O som se repetiu, uma, duas, três vezes. Cada tiro uma sentença.
Corpos caíam ao seu redor como peças derrubadas em um tabuleiro mortal.
Alguns tentavam fugir, outros imploravam, mas Blair era a tempestade que não conhecia piedade.
Ela matava com precisão cirúrgica e uma crueldade que fazia a escuridão parecer clara.

Enquanto avançava, seus pensamentos estavam vazios, apenas o frio da missão preenchia seu ser. Cada passo, cada disparo, cada morte — uma sinfonia de silêncio e dor.

Finalmente, ao terminar, ela se afastou do último corpo, respirando com a calma de quem acabou de completar sua arte.

— Missão concluída — ela informou pelo comunicador.

Um instante depois, a voz firme e grave de Brock Rumlow chegou.

— Você foi impecável, Blair. Exatamente como eu esperava.

Blair não respondeu, mas um leve sorriso curvou seus lábios atrás da máscara.

Então, uma risada seca e irônica cortou a linha.

— Impressionante, mesmo. Será que algum dia você vai se cansar de ser a assassina perfeita? — A voz pertencia a um agente da mesma idade, seu aliado improvável, que sempre se comunicava com aquela mistura de sarcasmo e respeito velado.

Blair soltou uma risadinha curta, debochada.

— Se eu quisesse, você não duraria um minuto — disse ela, sua voz carregada de ameaça sutil.

Ele riu, sem perder o ritmo.

— Boa resposta, agente Rumlow. Mas por enquanto, continue matando no meu time.

Sem mais palavras, a comunicação foi cortada.

Blair tirou a máscara, mostrando um rosto sério e frio, olhos que pareciam pouco humanos. Ela deu alguns passos para trás, como quem sai de uma guerra sem ter se machucado, e caminhou lentamente para seu quarto.
Ali, no silêncio do seu refúgio temporário, ela finalmente permitiu que a máscara caísse — não a de tecido, mas a que escondia quem ela realmente era.

Por enquanto, Blair Rumlow era a arma perfeita da Hydra. Mas por dentro, uma tempestade silenciosa já começava a se formar.

Filha da sombraStories to obsess over. Discover now