O silêncio que Veio com a Noite

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A chuva caía fina sobre os telhados de Konoha, quase como um sussurro. Era noite, mas não uma noite comum — havia algo no ar, uma quietude pesada que parecia conter a respiração da própria vila.

Naruto Uzumaki corria.

Suas sandálias batiam contra as pedras molhadas com força, o coração batendo mais rápido que seus passos. Ele não sabia exatamente por que estava seguindo aquele som, aquela presença estranha que cruzara seu caminho minutos antes. Só sabia que algo estava errado.

Muito errado.

Quando chegou ao beco, o mundo pareceu parar.

Duas figuras estavam lá: uma em pé, a outra caída no chão, envolta por uma poça escura demais para ser apenas água da chuva. Naruto não teve tempo de gritar. Tudo dentro dele congelou.

A figura que estava em pé virou-se lentamente. Um par de olhos o fitou — frios, calculistas, como os de alguém que já havia matado antes... e não se arrependia.

Naruto deu um passo para trás, ofegante, mas antes que pudesse reagir, o assassino desapareceu, como se nunca tivesse estado ali.

Ele caiu de joelhos, encarando o corpo sem vida. Um ANBU. Rosto conhecido. Sorriso que ele já havia visto em dias ensolarados. Agora... vazio.

A chuva apertou. Mas Naruto não sentia frio. Sentia algo muito pior: vazio.

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Três dias depois, Naruto não tinha dito uma palavra.

Sasuke observava de longe, encostado à sombra de um poste próximo ao prédio do Hokage. O loiro estava sentado no topo, com os olhos perdidos no horizonte, o corpo imóvel como uma estátua.

— Você o viu, não é? — disse uma voz atrás de Sasuke. Era Kakashi, o olhar sério sob a máscara.

Sasuke não respondeu. Continuou observando Naruto.

— Ele não conta a ninguém o que viu. Só disse "não era um inimigo... era alguém de dentro" — completou Kakashi.

— E você suspeita de mim? — Sasuke retrucou, seco.

Kakashi suspirou. — Não. Mas sei que é o único que pode tirá-lo desse estado. A única pessoa em quem ele confiaria... se estivesse pronto pra isso.

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Naquela noite, Naruto ainda estava lá, no topo do prédio. O céu agora limpo, as estrelas começando a aparecer, indiferentes ao que se passava no coração dos homens.

Sasuke subiu em silêncio, sentando-se ao seu lado, sem dizer nada.

— Ele caiu como se não tivesse nem tempo de gritar — Naruto disse, finalmente, a voz rouca de tanto silêncio. — Eu não consegui fazer nada, teme.

Sasuke olhou para ele, o perfil dourado iluminado pela lua.

— Você sobreviveu. Isso já é muito.

Naruto o encarou com olhos partidos.

— Eu não quero só sobreviver.

Houve um momento longo, tenso. E então Sasuke falou, quase num sussurro:

— Eu te conheço, Naruto. E sei quando você está se apagando por dentro. Já vi isso acontecer comigo... e com gente que eu amava.

Naruto arregalou os olhos por um instante. Depois desviou o olhar, apertando os punhos.

— Então me salva, Sasuke — ele disse. — Porque eu não tô conseguindo voltar sozinho.

Sasuke se aproximou, o suficiente para que os ombros quase se tocassem. Não havia toque, mas havia presença. Uma promessa silenciosa, nascida da dor mútua.

Entre Sombras e PromessasStories to obsess over. Discover now