a estilista

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Na zona leste de São Paulo, entre máquinas de costuras antigas e tecidos coloridos empilhados em prateleira improvisada, nasceu o sonho de Isadora, 17 anos, estilista autodidata com olhos de quem vê moda onde ninguém mais vê

Filha de uma costureira e um sapateiro, Isadora cresceu entre linhas e retalho com nove anos, já desenhava vestidos aos quinze, reformava roupas para as  vizinhas do bairro. Nunca teve dinheiro para estudar em uma escola de estilista, mas com tempo foi aprendendo tentando errando.

Agora, há 27 anos, ela tem uma pequena marca independente da moda. Seus modelos sustentáveis feitos com tecido reciclado e peças de brechó, chamam atenção no Instagram. Mas ainda não pagou as contas direito.

Isadora quase a xícara de café, seja coração bate  mais forte. Mas a alegria dura pouco: ela tem menos de duas semanas para criar uma nova  coleção. E não tem tecido, nem dinheiro, nem tempo.

Mas tem uma ideia. Uma ideia perigosa.

E talvez, um segredo antigo de família que ela jurou nunca usar.

Naquela noite, Isadora não dormiu. Com o celular na mão e a cabeça a mil, ela encarava o teto do seu quarto minúsculo, cercada por moldes, revistas velhas e bonecas de costura. A oportunidade era grande demais para deixar passar. Mas com o que ela ia trabalhar?

Na manhã seguinte, foi direto para o ateliê improvisado nos fundos da casa da mãe. Mexeu em todos os tecidos, mas nada parecia digno de uma coleção para o São Paulo Fashion District.

Foi quando lembrou da arca antiga no porão da casa da avó. Uma peça pesada de madeira escura, cheia de trancas, que ninguém abria há mais de uma década. Diziam que era coisa do seu bisavô, um alfaiate português misterioso, conhecido apenas como “O Tecelão Fantasma”.

Isadora nunca acreditou nas histórias. Diziam que ele costurava roupas capazes de mudar a sorte de quem as usava. Outros diziam que ele tinha feito um pacto, e por isso seus tecidos nunca rasgavam, nunca mancharam.e nunca deviam ser usados de novo.

Mas ela não podia se dar ao luxo de ignorar qualquer fonte.

Pegou a chave escondida na costura do casaco da avó falecida e desceu

Com os tecidos antigos cuidadosamente dobrados em mala de couro, Isadora voltou ao ateliê. Cada tecido parecia ter uma personalidade cinza  perolada que mudava de Tom quando é tocado um vermelho profundo que esquentava levemente nas mãos, um linho cru que cheirava a lavada mesmo sem perfume algum.

Na primeira noite cortou o tecido vermelho para um vestido justo, com recorte no lugar. Certo e uma fenda que parecia desafiar a gravidade. Quando terminou de costurar, quase de madrugada, ela deixou o vestido no manequim e jurou vê-lo respirar.

Na amanhã seguinte, o celular vibrava sem parar uma influencer local que nunca notou isadora antes repostou uma das fotos antiga da coleção cinza concreto com elogio. Do nada mais de mil
Novos seguidores.

Capítulo 4: O Preço do Fio

A noite anterior ao evento chegou. O ateliê estava impecável, os três modelos prontos nos manequins. Isadora olhava para cada peça com um misto de orgulho e inquietação. Ela sabia que tinha criado algo único. Mas desde que começou a usar os tecidos do bisavô, coisas estranhas começaram a acontecer.

Gente que nunca a notava agora a tratava como estrela. Um dos modelos que provou o vestido vermelho se apaixonou por ela em três dias. Outra cliente que vestiu o conjunto lavanda disse que, pela primeira vez em anos, dormiu sem ansiedade.

Mas naquela noite, algo mudou.

Enquanto costurava um detalhe final no vestido cinza, a luz piscou. E de repente, não estava mais sozinha no ateliê.

a estilista By Ana Lívia Mga kuwentong kahuhumalingan mo. Tumuklas ngayon