Os toques eram intensos, e a máscara do Ghostface já não me assustava. Uma das mãos dele deslizava até o botão do meu short, enquanto a outra segurava meus pulsos — meu corpo tremia, não de medo, mas de um desejo quente e confuso que me consumia e—
O alarme toca.
Acordo com o som irritante, mais uma vez frustrada com esses sonhos tão vívidos. Já não sei mais onde termina o sonho e começa a realidade. De vez em quando — raramente, mas o suficiente pra me deixar com dúvidas — eu sinto toques reais, como se o tal Ghostface realmente estivesse ali comigo.
Levanto ainda com a mente bagunçada e vou direto pro banho. Tento entender o que se passa comigo. Como consigo sonhar essas coisas tão intensas, sendo que eu nunca nem beijei na boca? Talvez seja influência do diabo — se é que ele existe. Mas convenhamos, ninguém é completamente inocente.
Sinto o toque dele em todos os lugares: no vapor do banheiro, enquanto cozinho ou quando limpo a casa. Preciso disfarçar constantemente pra minha mãe não perceber meus arrepios fora de hora. Às vezes, queria poder dizer pra ela que me sinto carente, talvez isso ajudasse... porque tem momentos em que me sinto dominada por sensações que não sei explicar.
Me visto, ajeito o cabelo e desço as escadas esperando o "bom dia" habitual vindo da cozinha. Mas o silêncio me atinge como um soco. Sinto um frio estranho na barriga. A casa estava... quieta demais.
— Vejo que a dama finalmente acordou — diz minha mãe com uma voz doce. Doce até demais. Aquilo me incomoda.
Olho para ela desconfiada. Ao seu lado, minha avó sorri como cúmplice. E então vejo o motivo daquela encenação.
— Diana, quero que conheça o Sebastian, o novo filho da vizinha.
Dou alguns passos à frente e o vejo: em pé, segurando um prato de bolo. Um homem. Alto, braços fortes, semblante sério... ridiculamente bonito. Como pode alguém assim morar do lado?
— A-ah... Bom dia! Seja bem-vindo à vizinhança. Qualquer coisa que precisar, pode contar conosco. Todos por aqui são muito receptivos — digo tentando parecer simpática, mas internamente surtando. Quem não me conhece pensaria que sou uma pick me. Na real, eu só adapto o tom pra cada pessoa. Normal.
— Bom dia — ele responde, seco. O olhar fixo dele não me causava medo... só despertava uma curiosidade incômoda.
Minha mãe limpa a garganta pra quebrar o clima e me faz sair do transe. Vou direto pra cozinha enquanto ela o acompanha até a porta.
De longe, ouço a voz dela:
— Pegue o número da Diana. Vamos adorar recebê-los para um jantar! E tragam aquela sobremesa maravilhosa que mencionaram!
Franzo a testa. Minha mãe mal conhece essa gente e já tá marcando jantar? Não faz nem dois dias que se mudaram. Muito estranho.
Volto à sala, e minha avó está toda empolgada.
— Minha netinha, que rapaz lindo! Vocês combinam tanto — diz ela, piscando pra minha mãe.
Captei tudo no ato.
— O que vocês fizeram? Vocês precisam parar com isso! Quem é essa mulher nova? Inquilina?
— Filha de uma amiga antiga minha — responde minha mãe. — Confie em mim, você vai gostar dele.
— Vó, vocês não podem brincar com esse tipo de coisa. Sabe que tem empresas clandestinas de cupidos por aí só esperando pegar alguém no flagra, né?
— É tudo pelo seu futuro, minha filha! — diz ela com aquele sorriso que mistura carinho com armação.
— Vocês só podem estar de brincadeira... — murmuro, subindo para pegar minha mochila. — Já tô indo. Se cuidem.
— Beijos! — dizem as duas, em perfeita sincronia.
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A caminho da escola, coloco os fones. A caminhada não é longa, mas aquela ladeira... argh. Ainda subindo, sinto olhares pesando sobre minhas costas. Me viro assustada.
— Por favor, não me machuca! — grito, quase em pânico.
Mas era só o Lian. Aquele infeliz do meu colega de classe.
— Nossa, Lian! Por Deus! Você quer me matar de susto?
— E você não é a vidente da escola? Devia ter previsto isso — ele debocha, ficando ao meu lado.
— Tá de recuperação? Porque ninguém vem no penúltimo dia de aula à toa.
— Quero bagunçar. Cala a boca um pouco, você me irrita profundamente — empurro ele, e ele revida com aquele sorrisinho irritante.
— Ela é um amorzinho. Tão carinhosa. Que sorte eu tenho de namorar essa perfeição, e minha sogrinha como está? Soube que tem uma vizinha nova. — diz com aquela voz fingida de galã. Quase o esmago. Se alguém ouve isso…
— Lian, para. Isso mancha sua reputação. E não fala da minha mãe sem permissão. Sim, tem novos vizinhos. Agora chega.
Já estávamos chegando à escola. O tempo passa rápido com ele, apesar de tudo.
Ignoro seus comentários e sigo até o mural. Meus olhos percorrem ansiosos a lista de nomes:
"Amanda... Brend... Carol... Diana Soni..."
Aprovada.
Dou um gritinho contido de alegria. Mas então percebo outros olhares em minha direção. Melhor desaparecer.
Procuro Lian pra dar a notícia, mas ele sumiu. Estranho. Ele vive na sala dele, desenhando. Vou até lá — vazia.
— Lian? — chamo, vasculhando os corredores.
O encontro sentado, conversando com uma garota. O clima era sério, íntimo. Decido não atrapalhar e vou embora em silêncio.
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Chego em casa e paro diante do apartamento ao lado. Algo me chama atenção. Levanto os olhos e lá está ele: Sebastian. Sem camisa. Apenas com uma calça cargo preta. Perfeito e enigmático.
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Ele me encara. De novo. Olhar firme, quase indecifrável. Como se enxergasse através de mim.
Sinto o corpo arrepiar.
Entro em casa, coloco a mochila no canto. Silêncio. Vó foi pra casa, mãe no trabalho.
Mais um dia sozinha. Mas feliz: acabou a escola. Adeus prisão.
Agora... só preciso descobrir se aquele olhar vai me proteger ou me devorar.