01. Proposta Indecente (ou Quase)

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Se alguém me dissesse há um mês que eu estaria sentado num prédio de vidro e mármore, a trinta andares do chão, esperando para ser entrevistado por dois dos CEOs mais cobiçados — e comentados — da Ásia, eu provavelmente teria rido. Um riso amargo, dramático, digno de trilha sonora de novela mexicana. Mas cá estou. De terno alugado, suando pelas costas e rezando para que minha cara de "eu nunca transei no elevador, mas talvez hoje" não esteja tão evidente.

— Senhor Sim, pode entrar. — A secretária sorri como quem sabe de um segredo. Eu a odeio. Em parte porque ela parece perfeita, e em parte porque eu estou a um nervo de desmaiar.

Entro.

O escritório parece saído direto de uma campanha da Dior: mármore preto, paredes de vidro, uma mesa tão grande que poderia abrigar um pequeno país, e, atrás dela, os dois.

Heeseung Lee. Sunghoon Park.

As lendas. Os mitos. Os homens que eu provavelmente vi em mais de uma fanfic do Wattpad com a tag CEO x funcionário inocente.

E adivinhem só quem é o funcionário inocente? Isso mesmo: euzinho.

— Jake Sim, certo? — Heeseung fala primeiro. A voz dele é baixa, aveludada, com uma rouquidão que faz meu cérebro fritar como bacon na frigideira.

— Sim. Quer dizer, senhor. Sim, senhor. — Bom trabalho, Jake. Agora pare de gaguejar antes que pareça que você tem um fetiche por autoridade. (O que, ok, talvez eu tenha. Mas não aqui. Não agora.)

— Sente-se. — Sunghoon diz, e é mais frio. Não no mau sentido. No sentido "eu sou um CEO milionário com cara de quem não tem tempo para brunch, mas talvez tenha tempo para te amarrar em uma cadeira". Por algum motivo, isso não ajuda meu estado mental.

Me sento.

Eles me encaram. Por longos segundos.

Longos o suficiente para eu reconsiderar todas as decisões da minha vida e também imaginar como seria ser entrevistado... sem roupa. Foco, Jake. Foco no emprego. Não no abdômen do Sunghoon que claramente existe sob essa camisa social de botão torturante.

— Você tem um currículo interessante. — Heeseung comenta, e os olhos dele passeiam pela minha ficha como se estivessem lendo meus pensamentos sujos. Espero que não estejam. — Formado em Administração, fluente em três idiomas, estágio em Londres, experiência como assistente de diretoria...

— Mas ficou pouco tempo em todos os empregos. — Sunghoon corta, e olha direto nos meus olhos. Frio. Preciso. Sexy como o pecado. — Tem dificuldade em manter compromissos?

Opa.

— Não. Quer dizer, às vezes. Mas só quando... bom, quando o compromisso é... chato. Não que este trabalho vá ser chato. — Engulo em seco. — Eu amo desafios. Grandes. — Ai, pelo amor de Deus, Jake. — Digo, grandes responsabilidades. Longas. Digo, duradouras. Eu... gosto de me dedicar.

Silêncio.

Sunghoon ergue uma sobrancelha. Heeseung ri — só um pouco — mas o suficiente pra eu saber que eles estão se divertindo com a minha agonia.

— E quanto à sua capacidade de lidar com pressão? — Heeseung pergunta, os olhos fixos nos meus. Eu gostaria de dizer que me sinto intimidado. Mas o que eu sinto é... calor. Subindo. Escorrendo. Concentrando.

— Eu... suporto bem. — respondo, tentando não imaginar ser pressionado contra aquela mesa. Jake, pelo amor de Deus, vai tomar um banho gelado quando sair daqui.

— Ótimo. — Sunghoon folheia mais algumas páginas. — Temos horários rígidos. Acordos de confidencialidade. E exigimos... fidelidade total.

— Entendo. — O que não entendo é o tom na voz dele. Ou entendo até bem demais, e meu cérebro já tá montando uma cena completa com gravatas, ordens firmes e um "fica de joelhos, Jake" sussurrado no meu ouvido.

Contrato de Três - HeeJakeHoonStories to obsess over. Discover now