Aos sete anos perdi a inocencia
Me tiraram a boneca e o peão, e me obrigaram a trabalhar até a exaustão
Cinco horas
De roncos na barriga, me saio pela porta
Será que consigo brincar?
Será que se eu vender posso estudar?
Me vou ao semáforo
Que medo me dava
Com um saco de balas, em meio aos carros
Passam em tanta velocidade que ver-me não viam
O sol queima a cabeça que devia estar pensando
Os pés cansados que deviam estar correndo atrás da bola doem
Quando se põe o sol, me vou para casa
Meia-noite
Cinco horas
Minha barriga nem dói mais
Será que posso brincar?
Notas da autora
Esse texto foi escrito após eu passar pelo semáforo e ver dois meninos, de não mais que 7 anos, vendendo balas. Aquilo me doeu.
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O Medo
Non-FictionA criança que sai sem saber se volta, que a barriga ronca todos os dias e ele só quer saber uma coisa: Quando isso vai acabar? Uma crítica ao trabalho infantil
