O céu estava acinzentado quando o ônibus escolar cruzou a estrada de terra cercada por árvores densas e sombrias. O destino: o Acampamento Vale Sombrio, uma antiga colônia de férias reformada que a escola alugava para eventos especiais. Os alunos não sabiam, mas aquele acampamento guardava segredos enterrados tão fundo quanto as raízes das árvores que os cercavam.
Dentro do ônibus, o clima era de festa. Gritos, risadas, provocações. Brooke, com seu jeito debochado, sentava no fundo com Costa, os dois trocando olhares disfarçados e comentários ácidos sobre os outros alunos. Brooke tinha uma fala afiada e um charme perigoso. Costa, atlético, era o típico herói de filme slasher — forte, protetor e sem medo de se jogar no caos. Os dois ainda não estavam juntos, mas havia tensão ali. Muita.
— Aposto que esse lugar é assombrado — disse Brooke, sorrindo com ironia enquanto olhava pela janela embaçada.
— Você vai acabar invocando alguma coisa falando essas merdas — resmungou Costa, tentando disfarçar o sorriso.
Mais à frente, Nah estava em pé, gritando com Loyola por um motivo qualquer. Os dois viviam brigando — e todo mundo sabia que se ainda não tinham se pegado, era só por teimosia. Giulia tentava acalmá-los com seu jeito responsável, mas ninguém parecia ouvi-la. Guibs, sentado ao lado de Nah, olhava para ela com olhos apaixonados, mesmo enquanto ela gritava com Loyola.
— Vai dar merda — murmurou Zé Lucas para Léo, que ria enquanto digitava alguma coisa no celular. Léo tinha um humor debochado que contrastava com a calma analítica de Zé. Eles também não estavam juntos ainda, mas bastava observar os olhares rápidos e os sorrisos escondidos para perceber o que estava em construção.
Danilo, sempre carrancudo, trocava provocações com José e Ariel, dois briguentos por natureza. Freire já se metia no meio, sempre pronto para uma briga. E Rafael, com seu jeito mimado e exibido, só reclamava do tempo, do ônibus e da falta de sinal de celular.
Quando o ônibus finalmente parou diante do grande portão de madeira envelhecida do acampamento, um silêncio repentino se instalou. O lugar era... estranho. As construções de madeira, mesmo reformadas, pareciam assombradas por um passado que ninguém queria contar. O ar era denso, pesado. E o silêncio da floresta parecia mais ameaçador do que acolhedor.
— Que porra de lugar é esse? — resmungou Ryan, chutando uma pedra ao descer.
O diretor entregou os mapas e designou os quartos. Os chalés seriam mistos, com divisão entre grupos e afinidades, não por gênero. Muitos comemoraram. Outros nem tanto. Brooke e Costa ficaram no mesmo chalé. Nah e Giulia também. Zé Lucas e Léo, por obra do destino — ou do roteiro —, foram parar juntos. Danilo caiu no chalé com Igor, Nando e Rafael. A tensão era inevitável.
Noite caiu rápido.
Depois do jantar simples servido no refeitório, alguns grupos decidiram explorar a trilha iluminada atrás dos chalés. Brooke, Costa, Viih, Guibs, Nah e Ryan foram juntos. Levaram lanternas, mesmo zombando da ideia de que precisariam. A trilha levava a um pequeno lago, onde encontraram um velho barco amarrado a uma árvore.
— Isso aqui tem cara de cena de assassinato — comentou Viih, encarando o lago imóvel.
Brooke se aproximou do barco e, num gesto impulsivo, chutou-o levemente. Algo bateu de volta por dentro. Todos congelaram.
— Foi só a madeira... — disse Costa, sem acreditar nem na própria voz.
Mas o som se repetiu. Como um batida. Toc. Toc.
Eles correram.
Voltaram para os chalés sem dizer uma palavra. A tensão da noite os dominava. Enquanto uns dormiam, outros lidavam com seus próprios fantasmas.
No Chalé 3, Brooke e Costa.
O quarto era pequeno, com duas camas separadas. Brooke tirou a camisa e jogou na cadeira, andando pelo quarto com o corpo coberto apenas por uma cueca preta justa. Costa tentou não encarar, mas falhou miseravelmente.
— Cansado de fingir, Costa? — provocou Brooke, se aproximando lentamente. — Porque eu tô exausto.
Costa se levantou, olhando Brooke de cima abaixo. Seus corpos quase se tocavam.
— Você fala demais.
Então o beijo veio como um estouro. Feroz, intenso. Nenhum dos dois hesitou. O calor explodiu entre eles, e as roupas desapareceram no chão. O que começou como provocação virou algo mais: suor, gemidos contidos, unhas marcando pele. A tensão dos meses reprimidos explodiu naquela cama de madeira velha que rangia sob cada movimento.
Enquanto isso, no Chalé 6.
Zé Lucas e Léo ainda estavam acordados, conversando baixinho sobre filmes de terror. Léo tirava sarro da calma do amigo, se aproximando mais a cada piada. Quando Zé Lucas virou para responder, Léo o beijou. Simples, direto. Zé não recuou. E por alguns minutos, o mundo lá fora — e tudo o que havia de estranho naquele lugar — desapareceu.
Mas a paz era temporária.
Na floresta, algo se movia entre as árvores. Algo que não deveria estar ali. O velho barco no lago flutuava sozinho, corda rompida. E uma figura pálida, de olhos escuros e vazios, observava os chalés à distância.
A noite estava apenas começando
