O cheiro de café fresco misturado ao perfume adocicado da manhã coreana preenchia o pequeno apartamento. Camila observava a cidade pela janela, os olhos brilhando de ansiedade e nervosismo. Seul era tudo o que ela imaginava e, ao mesmo tempo, assustadoramente diferente.
"Filha, vem ajudar com as caixas!", a voz animada de Dona Marta ecoou pela sala.
"
Já tô indo, mãe!" — respondeu, arrastando os pés até a pilha de bagunça.
Mudar para a Coreia do Sul tinha sido uma decisão maluca, mas necessária. A proposta de trabalho que sua mãe recebera era boa demais para recusar, e com a melhor amiga dela morando ali, tudo parecia perfeito... em teoria.
O som da campainha interrompeu seus pensamentos.
"Deve ser a Seonhee!" — exclamou Dona Marta, limpando as mãos na calça.
Quando abriu a porta, Camila deu de cara com uma mulher sorridente, de aparência gentil — a tal melhor amiga. Ao lado dela, estava um rapaz alto, pele clara, cabelos escuros e um olhar tão gelado que parecia perfurar a alma.
"Camila, esse é o Heeseung, meu filho", apresentou Seonhee.
"Oi", Camila disse, educadamente, forçando um sorriso.
Heeseung apenas inclinou a cabeça, os olhos percorrendo Camila de cima a baixo de maneira desconfortável. Ela sentiu a velha sensação de ser julgada, algo que conhecia bem. O sorriso dela vacilou.
"Vão estudar na mesma escola! Que maravilha, né?" — disse Marta, animada.
Camila queria rir da ironia. Maravilha nenhuma. Se o olhar dele pudesse falar, diria: "Não quero você aqui."
Naquela tarde, Camila saiu para conhecer o prédio. O condomínio era bonito, organizado — um contraste gritante com a energia tensa entre ela e seu novo vizinho.
Quando o elevador abriu, lá estava ele de novo. De mochila nas costas e fones de ouvido pendurados no pescoço.
"O que você tá fazendo aqui?" — ele perguntou, a voz seca.
"Eu moro aqui", respondeu, cruzando os braços.
Heeseung arqueou uma sobrancelha, como se estivesse surpreso, mas não disse nada. Apenas entrou no elevador, ignorando a presença dela. Camila soltou um suspiro pesado e entrou junto, as portas se fechando com um cling irritante.
O silêncio era insuportável.
"Qual seu problema?", ela soltou, sem pensar.
Heeseung deu um meio sorriso, frio.
"Problema? Nenhum. Só estou surpreso... Você não parece alguém daqui", disse, dando ênfase em "alguém".
Camila entendeu a provocação de imediato. Seu coração apertou, mas ela ergueu o queixo, orgulhosa.
"É, eu sou diferente. Melhor se acostumar."
Ele apenas deu uma risadinha irônica e saiu do elevador no andar dele sem olhar para trás.
Camila apertou os punhos.
Ótimo. Um vizinho babaca. Que sonho, pensou com sarcasmo.
O primeiro dia de aula foi ainda pior.
Assim que entrou no colégio, sentiu dezenas de olhares curiosos pousando sobre ela. Camila sabia que chamava atenção — pele negra, cabelo cacheado volumoso e jeito despojado que destoava da maioria. Tentou se concentrar no que era importante: estudar, fazer sua mãe se orgulhar.
Ao sentar-se na sala, percebeu que Heeseung estava lá também. E, para sua irritação, o único lugar vazio era ao lado dele.
Ela se aproximou e puxou a cadeira.
Ele olhou de soslaio e murmurou algo que ela não entendeu completamente, mas o tom de desprezo era claro.
Camila mordeu o lábio.
Não vou dar o gosto de me ver irritada.
Durante a aula, o professor anunciou um trabalho em dupla.
"O sorteio decidirá!", disse animadamente.
Camila cruzou os dedos, torcendo para qualquer pessoa... menos ele.
Mas é claro que o destino tinha senso de humor.
"Camila e Heeseung", anunciou o professor.
Ela ouviu um suspiro exagerado vindo dele e rolou os olhos.
Poderia ser pior? Provavelmente sim.
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Entre Muros e Sentimentos
FanfictionQuando Camila e sua mãe se mudam do Brasil para a Coreia do Sul, tudo que ela queria era um recomeço. O que ela não esperava era ter como vizinho Lee Heeseung - arrogante, frio e cheio de preconceitos contra ela. Mesmo sendo obrigados a conviver (po...
