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Férias, finalmente!

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– Junho de 2021

Eu tava em casa. Férias finalmente.
Mês de junho, friozinho gostoso de São Paulo, e tudo o que eu mais queria era exatamente o que eu tinha: paz. Nada de viagens planejadas, nada de rolês combinados. Só eu, meu sofá, minha série favorita e um pote de sorvete no colo. A delegacia tinha me sugado nos últimos meses. Casos complicados, plantões longos, pressão demais. Minha cabeça precisava de um respiro — e meu corpo também.

O apartamento onde eu morava era daqueles que a gente olha e pensa: "essa mulher venceu na vida". Fica na zona sul, num bairro nobre. Espaçoso, moderno, com um toque de luxo, mas sem exageros. Tudo no limite. Tudo do meu jeito. Organização, silêncio e segurança.

Eu tava ali, esticada no sofá, coberta até o pescoço, sorvete na colher e zero preocupações na cabeça, quando o celular começou a tocar. Olhei a tela e franzi a testa. Fernandez? Meu amigo da faculdade, promotor criminal no Rio. A gente se falava de vez em quando, mas ligação? Em pleno sábado à noite? Algo tava errado.

— Você foi assaltado ou o quê? — atendi, meio rindo, meio preocupada.

— Não, não, Helena... meu filho vai nascer!

Dei um pulo no sofá.

— Sério?! Meu Deus, parabéns, Fernandez! — falei, já com um sorriso no rosto. — Mas... por que tá me ligando assim, no susto?

Ele respirou fundo do outro lado da linha, e aí veio a bomba.

— Porque eu preciso de você. Agora. Tem um caso fortíssimo aqui no Rio, mas não tem como eu assumir. Tô indo pro hospital com a minha esposa. Só pensei em você, Helena. Sério. Você é a única pessoa em quem eu confio pra isso.

Fiquei muda por alguns segundos, o coração acelerado. Eu tava de férias, caramba. Mas eu conhecia o Fernandez. Se ele tava pedindo isso, é porque era coisa séria.

— Tá... tá bom. Claro que vou. — respondi, ainda tentando processar tudo. — Me passa tudo por mensagem.

— Perfeito! Te mando agora. Compra o primeiro voo pra cá, beleza? Te explico os detalhes depois. Confio em você, doutora.

A ligação caiu e eu fiquei ali, com o celular na mão e a colher de sorvete esquecida. Mal sabia eu que aquele pedido ia mudar completamente o rumo daquelas férias. E da minha vida.

...

Algumas horas depois, eu já tava dentro do avião, sentada na janela, casaco no colo e o coração batendo mais rápido do que devia. O voo pro Rio foi o primeiro que consegui — sem tempo de pensar, planejar ou até arrumar uma mala decente. Peguei o básico, joguei tudo dentro da bolsa e fui. No fundo, algo me dizia que aquelas férias nunca foram sobre descanso mesmo.

Enquanto o avião taxiava na pista, troquei algumas mensagens com o Fernandez. Ele tava no hospital, e mesmo assim, fazia questão de me dar todo o suporte.

Fernandez: "A delegacia é a 38ª, fica em Copacabana. Já avisei o pessoal que você tá chegando. Te respeitam muito aqui."

Helena: "Certo. Tem alguém à frente do caso no momento?"

Fernandez: "Tava comigo, né? Mas agora é você. Te mando os arquivos assim que você pousar."

Helena: "Ok. Espero conseguir dar conta."

Fernandez: "Você sempre dá, doutora. Boa sorte."

Bloqueei a tela do celular, respirei fundo e encostei a cabeça no encosto da poltrona. A sorte... eu ia mesmo precisar dela.


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