Capítulo 1 - Primeiras Impressões (Péssimas, por sinal)

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O campus da Universidade Belmont parecia ter saído direto de um catálogo de arquitetura colonial moderna: colunas imponentes, jardins meticulosamente cuidados e jovens trajando roupas de grife como se estivessem indo a uma passarela, e não a uma aula de economia.

Sofia ajeitou a alça da mochila nos ombros. Era a única que carregava uma mochila de verdade, provavelmente. Os outros tinham pastas de couro, bolsas caras e olhares presunçosos. Ela respirou fundo e subiu os degraus da escadaria principal. Primeiro dia. Novo semestre. Nova chance de provar que merecia estar ali — mesmo que tivesse que aturar os sorrisos condescendentes dos colegas ricos.

Ao entrar na sala, seus olhos procuraram um lugar discreto. No fundo, perto da janela. Perfeito.

Ela se aproximou, mas antes que pudesse se sentar, uma voz arrastada e entediada cortou o ar:

— Esse lugar já tem dono, novata.

Sofia virou lentamente, franzindo a testa. O dono da voz reclinava na cadeira como se fosse rei de um trono particular. Cabelos bagunçados no estilo "me importo, mas não muito", camiseta branca justa e aquele tipo de sorriso que dava vontade de socar.

— Desculpa — ela disse, com um sorriso educado, mas gelado — Não vi nenhuma placa com seu nome.

— Ué, achei que você fosse boa em leitura. Não é bolsista? — Ele ergueu uma sobrancelha, sarcástico. — Deve saber interpretar melhor que isso.

Sofia sentiu o rosto aquecer, mas manteve a pose. Não ia dar o gostinho. Não no primeiro dia.

— E você deve ser o tipo de cara que acha que o mundo gira ao redor do seu ego. Capitão do time, né? Faz sentido.

Ele riu, um som rouco, debochado.

— Então você me conhece.

—Infelizmente — ela respondeu, sentando-se na cadeira ao lado só pra mostrar que não ia recuar. — Mas não se preocupe, não é recíproco.

Ele virou o rosto na direção dela, os olhos analisando cada centímetro do rosto dela com um interesse irritante.

— Já vi que vai ser divertido ter você por perto, novata.

Sofia desviou o olhar para o caderno. Foco. Ele era só mais um babaca convencido. Ela lidaria com ele como lidava com qualquer obstáculo: com frieza, inteligência... e o desprezo merecido.

O professor entrou alguns minutos depois, um senhor grisalho com ar severo e passos precisos. Atrás dele, um assistente depositava uma pilha de apostilas sobre a mesa.

— Bom dia, turma. Eu sou o professor Renato. Esta é a disciplina de Teoria Econômica Aplicada. Sei que muitos estão aqui só para cumprir carga horária, mas aviso desde já: não tolero preguiça intelectual. Vamos começar com um pequeno teste diagnóstico. Não vale nota — ainda —, mas servirá para medir o nível de vocês.

Um murmúrio percorreu a sala. Sofia já pegava a caneta quando ouviu a voz dele outra vez:

— Ótimo. Logo no primeiro dia. Adoro começar a semana sendo humilhado por termos como "curva de indiferença" e "elasticidade de demanda".

— Bom saber que você já aceitou sua derrota — Sofia respondeu sem levantar os olhos.

— Uau. Ela tem garras — ele disse, virando-se de lado, apoiando o queixo na mão, encarando-a com aquele sorriso preguiçoso. — Achei que as "nerds"  fossem mais... contidas.

Sofia bufou baixinho. A resposta veio afiada:

— E eu achei que capitães de time soubessem quando calar a boca. Aparentemente, a arrogância interfere na audição.

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