Capítulo 1- A testemunha

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Veneza era um quadro em movimento. As luzes da cidade refletiam nas águas calmas como joias espalhadas, e os murmúrios das gôndolas ao longe davam ao ar um clima de romance… ou de conspiração.

Isabella Monteiro caminhava apressada pelas vielas estreitas da cidade, o salto baixo de sua bota batendo firme nas pedras irregulares. Vinha de uma aula de defesa pessoal – como se precisasse. Faixa preta em caratê, campeã de jiu-jitsu juvenil na América do Sul, filha de um diplomata brasileiro e de uma mãe italiana elegante e fria, Isa era uma força da natureza: linda, perigosa e completamente incontrolável.

Usava um vestido preto justo, uma jaqueta de couro amassada no braço e um coque bagunçado que deixava o pescoço à mostra. Onde passava, os olhares seguiam. E ela… ignorava todos.

Estava a caminho de casa, quando parou numa esquina entre dois prédios antigos para pegar seu celular na bolsa. Foi nesse momento que ouviu — o som abafado de uma briga. Vozes masculinas. Um grito. Depois… um tiro.

Isabella congelou. Mas só por um segundo.

Curiosa e imprudente como era, aproximou-se, escondendo-se atrás de um balcão de pedra coberto de heras. Lá embaixo, numa doca privada, três homens de terno escuro jogavam um corpo no canal, como se fosse lixo. Um deles falava com autoridade, em italiano carregado:

— “Questo è il prezzo del tradimento...”

A arma ainda fumegava na mão dele.

Isabella puxou o celular. Ia filmar. Ia denunciar.

Mas não foi rápida o suficiente.

— “Hey!” — gritou um dos capangas, apontando diretamente para ela.

Ela correu. E correu bem.

Mas eles eram quatro. E armados.

Quando a alcançaram, pensaram que seria fácil. Pensaram que aquela mulher com curvas perfeitas, olhos afiados e cheiro de perigo seria só mais uma testemunha eliminada.

Errado.

Em segundos, o primeiro caiu com um chute no pescoço. O segundo, sufocado num mata-leão. O terceiro, com o nariz quebrado e as costas contra o chão.

E então ele apareceu.

Enzo De Luca.

Terno preto sob medida, camisa social aberta no colarinho, cabelo escuro penteado para trás, e um olhar que parecia cortar pele. Seu rosto era uma escultura romana viva, mas a presença… era de um predador.

Ele ergueu uma sobrancelha ao ver seus homens no chão.

— “Interessante…” — murmurou, com um leve sorriso no canto da boca. — “La piccola è feroce.”

Ela, ofegante, limpou o canto da boca e apontou para ele.

— Se der mais um passo, você se junta a eles.

Ele riu. E avançou.

Dois minutos depois… Enzo De Luca estava sentado, amarrado, com a camisa rasgada e um pequeno corte no lábio.

Isabella, de pé à sua frente, o encarava como se ele fosse apenas mais um idiota metido a macho.

— Não sou sua presa, italiano. Nem sou seu brinquedo.
— “Princesa,” — ele disse com a voz grave e arrastada — “você não faz ideia no que se meteu.”

Ela se abaixou, ficando cara a cara com ele, e sussurrou:

— Então me mostra.

E sorriu, maliciosa, antes de passar os dedos pelo corte que fizera no rosto dele. O jogo estava lançado.

Claro, princesa. Vamos continuar o Capítulo 1, mergulhando ainda mais fundo nesse jogo de poder, tensão e atração. Prepare-se:

Enzo a olhava como se ela fosse um enigma que ele precisava decifrar. Seus olhos castanhos-escuros analisavam cada movimento, cada gesto, como se quisesse decorá-la. Mas Isabella não se intimidava. Ela andava lentamente ao redor dele, como uma leoa que acabara de derrubar um leão.

— Qual é o seu nome? — ela perguntou, a voz firme, o sotaque brasileiro escapando levemente entre as palavras.

— Enzo De Luca.

O nome ecoou dentro dela. Já ouvira esse nome antes. Um sussurro em festas diplomáticas, uma sombra em reuniões do pai. Dono de vinícolas, cassinos, navios... e mortes.
Mas vê-lo ali, na sua frente, de aparência impecável mesmo com o lábio cortado e os braços presos, era surreal. Um mafioso lendário… nas mãos dela.

— Já ouvi falar de você. O príncipe da máfia italiana.
— E você? — ele respondeu, com um sorriso provocante. — Quem é, bella? Uma agente secreta? Uma espiã?

— Sou só alguém que não tolera injustiça. E que não abaixa a cabeça pra homem nenhum.

Enzo deu uma risada baixa, rouca. Quase... sensual.

— Você não abaixa a cabeça… mas faz os homens caírem aos seus pés.

Isabella se aproximou, puxando sua cadeira de metal com força, fazendo com que ficasse ainda mais perto dela. O calor entre os dois era palpável. A tensão era densa como fumaça.

— Por que matou aquele homem? — ela perguntou, encarando-o nos olhos.

Ele apenas a observou por alguns segundos. Silêncio.
Então respondeu, com um leve sorriso nos lábios:

— Ele traiu minha família. E eu protejo os meus com ferro e fogo. Sempre.

A resposta fez um arrepio percorrer a espinha dela. Ele era perigoso. Frio. Calculista. Mas ao mesmo tempo… havia algo quase hipnótico nele. Um domínio, uma intensidade que ela nunca vira em homem nenhum. E aquilo a desafiava.

— Você não vai me matar? — ela provocou, deslizando os dedos levemente pelo colarinho dele, brincando com o botão aberto da camisa.

— Você acha que eu conseguiria, depois do que vi hoje?

Isabella sorriu. Sabia o efeito que causava. Seu corpo era escultural, seus olhos puxavam como ímã. Ela treinava artes marciais desde os doze anos. Mas também aprendera a usar sua beleza como arma.

Ela se abaixou, os lábios próximos ao ouvido dele, e sussurrou:

— Acha que pode me dobrar como faz com todos?

Ele respondeu quase sem pensar, sua voz mais grave que antes:

— Princesa… você não se dobra. Você destrói.

E naquele instante, ela o soltou. Ele podia se mover. Mas não o fez.

Isabella deu dois passos para trás, cruzando os braços, desafiadora.

— Você vai me matar agora?

Enzo se levantou lentamente, ajeitou a manga da camisa e encarou ela com um olhar carregado de algo entre desejo e fúria.

— Não. Mas agora você me pertence.

Ela arqueou a sobrancelha, rindo com sarcasmo.

— Ah, então você é desses? Homem-caverna? Macho alfa?

— Sou italiano, bella. Quando quero algo… eu pego.

Ela encarou firme.

— E quando alguém quer fugir?

Ele sorriu de lado.

— Eu deixo correr… só pra sentir o gosto da caçada.

Silêncio.

O olhar entre os dois queimava.

Isabella mordeu levemente o lábio inferior, mais por provocação do que por nervosismo. Ela sabia que, naquele momento, não era apenas prisioneira. Ela era o perigo que ele nunca viu chegar.

E ele? Estava mais do que interessado.

~Sob o céu de Veneza~Stories to obsess over. Discover now