UM

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Hogwarts, Escócia

1994

Parecia que tudo estava acontecendo em câmera lenta.

Primeiro, Dumbledore estendeu a mão e agarrou o quarto pergaminho que havia sido expelido do Cálice de Fogo. O nome — Primrose Potter — ecoou pelo Salão Principal como um trovão, cortando o ar e deixando todos em silêncio por um breve momento antes que os murmúrios começassem.

Rose ficou paralisada, entorpecida, sentindo como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. O Salão Principal se encheu de vozes, de dedos apontados, de olhares curiosos e acusadores que queimavam em sua pele. Ela sentiu o peso de centenas de olhos sobre ela, carregados de raiva, desconfiança e incredulidade.

E então veio a discussão na sala atrás da mesa dos professores. As palavras voavam sobre sua cabeça, cheias de acusações. Eles a chamaram de trapaceira, de transgressora, de alguém que nunca respeitou as regras desde que chegou a Hogwarts. Alguém — provavelmente era Snape — comparou-a ao pai, dizendo que ela era exatamente igual a ele, apesar de seus cabelos ruivos e olhos verdes, que a tornavam uma cópia quase perfeita de Lily Potter.

Rose mal prestou atenção ao que estava sendo dito. Seu corpo parecia estar em outro lugar, distante, enquanto a sua mente lutava para processar o que estava acontecendo. Ela segurou as lágrimas com todas as forças que tinha, tentando manter a compostura, tentando fingir que era forte, mesmo que ela fosse apenas uma criança de 14 anos presa numa sala com adultos que sentiam prazer em tratá-la como uma aberração.

Não foi assim a sua vida toda?

Pelo menos ela sabia que, no fundo, seus amigos nunca a abandonariam. Eles acreditariam nela. Eles saberiam que ela não havia colocado seu nome no Cálice. Eles a apoiariam, como sempre fizeram.

Ela conseguia suportar isso. Ela poderia superar.

Mas, para sua completa decepção, ninguém na Grifinória acreditou que ela não havia trapaceado. Nem mesmo Ron e Hermione se dignaram a falar com ela. Eles a evitaram, seus olhares cheios de desconfiança e desapontamento. Alegavam que ela havia quebrado as regras novamente, que devia estar se sentindo orgulhosa pela grande pegadinha que tinha feito, e que Rose nada mais era do que uma mentirosa.

Ela nunca se sentiu tão triste quanto naquele momento. Nem quando, aos seis anos, soube que tia Petúnia nunca a amaria como uma mãe, que Dudley sempre seria um idiota e que tio Vernon nunca a veria como parte da família. Nem mesmo quando, aos onze anos, ela matou um homem com as próprias mãos; ou, aos doze, quando teve o coração partido por um Lorde das Trevas de 16 anos; e nem mesmo aos treze, quando descobriu que seu padrinho nunca teve a chance de criá-la, pois havia sido preso injustamente.

Nada disso a fez se sentir tão miserável quanto a sensação de traição de seus amigos. O fato de que eles passaram anos juntos, compartilhando segredos, problemas e aventuras, mas bastou um pequeno deslize para que perdessem a confiança nela.

Rose sentiu o coração pesar, como se uma âncora tivesse sido presa ao seu peito.

Ela olhou ao redor da Sala Comunal, vendo os rostos que antes eram familiares, mas que agora pareciam estranhos, hostis. Até mesmo os gêmeos, que nunca haviam sido próximos dela, mas sempre foram cordiais, pareciam julgá-la com um olhar de desprezo.

Ela se levantou, sentindo as pernas trêmulas, e começou a caminhar em direção ao dormitório. Os murmúrios aumentaram, mas ela não se importou. Seus olhos estavam secos, mas sua alma estava em frangalhos.

No fundo, Rose se perguntava se a amizade que tinha com Ron e Hermione era real, ou se, no fundo, ela era apenas a terceira roda, a peça estranha no relacionamento deles. Era doloroso, como uma faca afiada cravada bem no meio do seu peito.

Vale das Bonecas QuebradasStories to obsess over. Discover now