A primeira vez que Saiki Kusuo se encontrou com Kurochigo Tomoko foi no infortunado domingo onde ele perdeu a noção do tempo jogando algum jogo ruim.
A brisa refrescante da noite dançava gentilmente para dentro de sua casa, enquanto os pensamentos de todos ao seu redor diminuiam progressivamente, conforme o passar do tempo, sinalizando o adormecer da população geral.
Entrelaçado ao jogo em razão de suas mecânicas frustrantes—e uma necessidade inconcebível, até para ele, de ganhar—, o psíquico ignorava as movimentadas mãos do relógio; honestamente uma das poucas vezes onde ele se encontrava relacionado aos jovens de sua idade.
No que isso se relacionava à Kurochigo, entretanto, estava no fato que os pensamentos que o tiraram de seu transe com outro personagem mal desenvolvido e insuportável foram as pessoas indagando sobre o porquê havia uma garota sonambulando...
...No ar.
Saiki foi repentinamente retirado de suas frustrações e levado ao seu próprio indago. Se fosse somente uma pessoa, culparia o sonolento imaginar, ou algo mais específico isolado a cada caso, mas eram muitas pessoas na mesma área.
O primeiro passo a ter certeza de qualquer coisa é o checar por si só, e cruzando os olhos, pôde ver exatamente o que era descrito. Uma albina, aparentemente mais velha que ele por um ano ou dois, perambulava sob as nuvens num lento caminhar, os olhos fechados enquanto dormia.
Isso o preocupou, mas não de imediato se teletransportou ao local — mesmas advertências de sempre, ‘Que farei se me virem?’, ‘Posso ser culpado por levitar uma garota inconsciente... Por qualquer motivo que for.’ — em razão de racionalizar o que poderia estar acontecendo.
Primeiro, não é ele quem está fazendo isso. O primeiro a se pensar é que há outro psíquico na área: estressante. O que ele encontrou de paranormais até o momento não o trouxe nada além de estresse e planos indesejáveis aos fins de semanas, interrupção de sua rotina sagrada e infernização de sua vida outrora pacífica.
Colocando suas reclamações à parte, de qualquer forma não tinha garantia nenhuma de onde essa garota vai, para quem vai, ou sequer se continuaria no ar por muito tempo antes de despencar ao chão em horror sangrento.
Sua estratégia era simples: tornar-se invisível — o que fazia durante o último minuto —, andar ao local, já que este estava apenas à alguns minutos e gentilmente tomá-la em seus braços; porque, afinal, não se pode acordar uma pessoa sonâmbula, e teletransportar os dois ao seu quarto, antes que se torne visível novamente. Já que muitos desconfiavam ser somente uma visão, fazer algo tão extraordinário como subitamente desaparecer não seria tão estranho quanto confirmar a existência dela ao ver a mesma andar até sua própria residência.
Até que ela acorde e possa voltar à sua casa, ele pode descobrir o que fazer depois, ambos sobre ela e sobre quem a colocou no ar.
Yare yare...
...
Aparentemente as preocupações sobre necessitar acudí-la de cair de cabeça no chão tornaram a ser válidas, já que tombou por um segundo antes de descender—Antes, também, de ser acolchoada pelo de cabelos rosas e levada à casa Saiki.
Ele sentia que era rude dizer isso sobre alguém que ele mal conhecia, mas Senhora Gelatina de Café nos céus acima, ela era mais pesada do que ele imaginava. Não, ela não era gorda; e nem que fosse, esse problema era dela, ele não tinha que ter nenhuma opinião sobre o que fazia ou deixava de fazer sobre sua figura, mas por algum motivo imaginava que seus próprios braços magros, sem interferência de seus poderes — o que quer que isso signifique — para segurar o corpo... Desenvolvido.
Parou de pensar sobre isso e a deitou em sua cama, que estava em bendita ignorância enquanto mergulhada em sono profundo, a pele pálida rápida a avermelhar-se onde ele segurou apenas alguns minutos atrás. Acompanhando a pele pálida como um sonho de um romântico europeu alguns séculos atrás, o cabelo, descendo em cascatas irregulares em sutíl ondulações era branco e longo.
Ao conseguir descrever essas coisas, mesmo que em milissegundos, surpreendeu-se ao simples ato de conseguir fazê-lo — Não, seu olhar não penetrava seu corpo.
‘Que frase estranha,’ Ele refletiu consigo mesmo, segurando o queixo enquanto pensava, mas dispensou a observação. Poderia ser somente o sono profundo, mas ele não ouvia nenhum sonho ou pensamento. A paranóia sutíl mudava os olhares a ela e identificava os possíveis motivos onde ela seria a culpada no próprio acidente, como ele fez conforme os seus poderes intensificavam-se.
De qualquer forma, até que acordasse, não teria uma resposta concreta, então se deu o luxo de sentar ao pé da cama antes de decidir acordá-la; precisava de uma desculpa para ler o último volume de um mangá que ninguém conhecia de qualquer forma. Sua estratégia, que era afetada pelo próprio cansaço, era simplesmente explicar o ocorrido.
...
Como antecipou, ela acordou depois de breves 10 ou quase minutos, assentando-se com um bocejo. Quando tapou os lábios com delicadeza aprendida, Saiki até surpreendeu-se em poder ver suas unhas. Unhas! Não músculos! Ao mesmo tempo, não sabia dizer se a emoção de ver como uma pessoa normal superou as preocupações sobre as implicações dessa moça e sua existência.
Ela, observando seus arredores, baixou os olhos roxos e caídos à ele, que ainda estava com o volume de mangá nas mãos.
“Oi.” Começou antes que pudesse ser interrompido, “Você tava sonâmbula pelo bairro, então eu te trouxe pra cá já que não sei onde você mora.”
Silêncio.
- Ahm, oi...? — Ela começou, movendo a sair da cama, rosto sútilmente contorcendo-se em piorante preocupação.
“Ué?” Ele tentou novamente, inclinando a cabeça para o lado curiosamente. Ainda nenhum pensamento para ser ouvido. Então repetiu-se,“Você tava sonâmbula pelo bairro...?"
Mais silêncio.
- Eu, é... — Agora a situação só se tornou desconfortável. Ela não o ouvia com telepatia. Legal. A vergonha começou a subir a seu rosto começando por trás do pescoço. — ...Posso sair?
Reunindo coragem, ele respirou fundo, e disse, pela terceira vez, “Pode. Você tava sonâmbula pelo bairro, então eu te trouxe pra cá já que não sei onde você mora.”
Que vergonha. Ele parece um pervertido.
- Ah, sério? — Ela sorriu gentil, levantando-se de sua cama com outro bocejo. — Obrigada.
Que?
Ela se espreguiçou de leve enquanto Saiki tinha dificuldade em ouvir qualquer coisa daquela cabeça. Nada. Nem um único pensamento sequer que ele podia decifrar — de fato, parecia um vácuo de tão silencioso.
Por favor não me diga que ela é estúpida. Talvez nunca mais a veja na vida, mas o conceito de mais Nendous, e mais, uma que estava na periferia, o fazia estremecer.
- De novo, muito obrigada pela sua ajuda. Eu tenho muitos desses episódios, — explicou-se com um aceno de despedida e uma reverência respeitosa, quase envergonhada.
“Não tem problema. Boa noite,” Saiki também despediu-se, deixando ela ir — fisicamente, porque atrás da porta de madeira ele cruzava os olhos e seguia seu caminho sonolento, fechando os olhos por mais tempo do que o garoto achava confortável para alguns segundos de sono antes de chegar à sua própria casa, aparentemente em segurança.
Bom, mais algumas horas de sono perdidas.
Yare yare...
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psi x sique - ;;
Fanfictionsaiki k... x oc. Saiki Kusuo batalha com os amigos que jura que nunca decidiu ter. Kurochigo Tomoko batalha com a hipersônia que a distrai de sua solidão. De qualquer forma, eles se encontram precisando de alguém que realmente os entenda; e um pouco...
