Amarawaty Okafor sempre foi a ovelha negra da família. Cresceu à sombra da irmã a gêmea perfeita cercada por expectativas que nunca conseguiu atender. Numa noite impulsiva, embriagada pela adrenalina, pelo álcool e por decisões ruins, ela se envolve...
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Não sabia que aquela noite mudaria tudo. Era jovem. Rebelde. Sem rumo e sem futuro. Uma verdadeira decepção para a minha família.
Enquanto minha irmã gêmea, brilhava com sua perfeição intocável, suas notas gloriosas, a bolsa de estudos em Harvard.... eu era a sombra da nossa família bem-sucedida. Era a ovelha negra da família Okafor.
Cresci cercada de amor, conforto e privilégios. Meus pais, imigrantes nigerianos, construíram um império do zero. Meu pai, um advogado criminalista influente e renomado, minha mãe, dona de uma rede de clínicas médicas.
E eu?
Bem... Eu gostava de testar limites.
Naquela noite, testei o limite errado. Eu gostava de caos. Gostava de fugir das expectativas.
E foi assim que acabei naquela festa.
A música era ensurdecedora, as luzes piscavam como estilhaços de cores espalhados pelo salão. Estava levemente bêbada, rindo alto com um grupo de pessoas que mal conhecia. Gente errada, eu sabia. Mas naquele momento, eu só queria esquecer, sentia o mundo girar ao meu redor enquanto seguia com os estranhos que encontrei na festa pela rua deserta. O grupo ria alto, embriagado pela festa e pela sensação de invencibilidade.
— Vamo pegar umas paradas pra continuar a noite! — gritou um dos rapazes, chutando uma lata vazia na calçada.
A farmácia na esquina parecia perfeita. Pouco movimento, luzes frias piscando, e um atendente sonolento atrás do balcão. Eu quis contestar, mas estava tão cansada da perfeição que vivia em casa que estava desejosa por quebrar as regras mais uma vez. Afinal, papai era advogado criminalista. Estava no auge dos meus dezassete anos, queria experimentar tudo, festas, álcool, drogas e sexo.
Sem pensar duas vezes, segui o grupo que invadiu o local, gritando e exigindo dinheiro e remédios controlados.
Ainda cheguei a hesitar quando já estava na entrada, um vislumbre da consciência que não tinha, um nó apertava o meu estômago., mas eu ignorei. Eu sabia que aquela era a noite que tudo podia acontecer.
O que não sabía era que aquela farmácia não era apenas uma farmácia. Era um dos pontos de venda de drogas do homem mais temido do bairro, o mafioso conhecido como Vargas.
O atendente não demonstrou medo—apenas apertou um botão debaixo do balcão. Em segundos, três homens armados saíram da porta dos fundos, os olhos frios como lâminas.
— Vocês fizeram a pior escolha da vida de vocês, moleques. — um deles disse e foi o começo do fim.
O caos explodiu. Um dos garotos do nosso grupo tentou correr e levou um tiro na perna. Outro sacou uma faca me colocando como escudo. Fomo a aquela farmácia como amigos, estávamos do mesmo lado mas ele estava me usando como escudo e não era fingimento. Ele me mataria para sobreviver.