Capitulo 1 - O COMEÇO DO FIM

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O cheiro de terra úmida e maresia foi a primeira coisa que Shaw sentiu ao despertar. O mundo ao seu redor girava, e seu corpo estava pesado, como se tivesse dormido por dias. Sua pele estava coberta de areia, e um vento salgado soprava forte contra seu rosto.

Ele abriu os olhos devagar. O sol queimava acima de sua cabeça, e tudo parecia embaçado no começo. Quando sua visão ajustou, ele viu que estava deitado em uma praia extensa, onde as ondas arrebentavam com força. O som da água e do vento misturava-se ao som de folhas balançando. Atrás dele, uma densa floresta tropical se estendia, com árvores altas e raízes retorcidas.

Ele não fazia ideia de onde estava.

Seu peito subia e descia rápido enquanto tentava se lembrar de como tinha parado ali. Mas sua mente estava vazia.

Nenhuma lembrança. Nenhuma pista. Apenas o agora.

Shaw se levantou, sentindo o corpo pesado. Suas roupas estavam sujas e molhadas, mas não havia sinais de ferimentos. Foi então que ele percebeu algo estranho em seu braço direito.

Uma tatuagem.

Uma marca escura, cravada em sua pele.

"BRASO"

Ele franziu o cenho, passando os dedos sobre a marca. Aquilo não parecia algo que ele lembrava de ter feito.

Na verdade... ele não lembrava de nada.

O pânico começou a crescer dentro dele, mas antes que pudesse processar tudo, um som chamou sua atenção.

Vozes.

Ele se virou rápido, o coração acelerado. A poucos metros dali, havia mais pessoas na praia.

Sete, no total.

O Primeiro Encontro

Um dos garotos estava sentado na areia, massageando a própria cabeça como se estivesse tentando afastar uma dor. Ele tinha cabelos escuros e bagunçados, e um físico forte. Sua expressão era fechada, como se estivesse analisando tudo ao redor.

— Que porra é essa...? — murmurou o garoto.

Ao lado dele, uma garota de cabelos loiros tentava se levantar. Seu olhar estava perdido, como se estivesse lidando com o mesmo problema que Shaw.

— Onde estamos? — a voz dela saiu fraca, mas carregada de inquietação.

Mais adiante, um garoto de pele morena, alto e com traços afiados, andava de um lado para o outro, claramente nervoso.

— Isso não faz sentido... Não faz sentido! Eu não lembro de nada!

Shaw deu um passo à frente, se forçando a falar.

— Ei... — sua voz saiu rouca. Ele pigarreou e tentou de novo. — Quem são vocês?

O garoto de cabelos bagunçados o encarou por um momento antes de responder.

— Boa pergunta. — Ele passou a mão pelo rosto, como se tentasse limpar a confusão da mente. — Meu nome é... Drew.

O nome pareceu estranho na boca dele, como se tivesse sido arrancado de um lugar distante de sua memória.

A garota loira franziu o cenho.

— Charlize... Eu acho.

O garoto que andava de um lado para o outro parou e olhou para os outros.

— Fary.

Um silêncio estranho se instalou. Cada um deles parecia estar tateando o próprio subconsciente, tentando lembrar de algo além do próprio nome.

— Eu sou Shaw. — Ele se apresentou.

Logo, os outros três também deram seus nomes:

Rose, a ruiva de olhos atentos e postura firme.
Scarllet, a garota de expressão intensa e olhar analítico.
E Scorza, o último deles, que observava tudo em silêncio.

Eles se entreolharam, compartilhando a mesma incerteza.

Ninguém ali lembrava de como tinham chegado àquela ilha.

A Primeira Pergunta

— Precisamos sair daqui. — Foi Scarllet quem falou, cruzando os braços.

Drew franziu a testa.

— Como, exatamente?

— Não sei. Mas ficar aqui parados não vai adiantar nada.

Shaw olhou ao redor, tentando encontrar alguma pista. O sol estava alto no céu, e o vento soprava forte. A floresta atrás deles era densa, parecendo convidativa e ameaçadora ao mesmo tempo.

— Algum de vocês tem qualquer memória de antes de acordar aqui? — perguntou Rose.

O silêncio que se seguiu foi a resposta.

Ninguém tinha.

O único ponto em comum entre eles era a tatuagem marcada na pele.

Shaw passou a mão sobre a marca outra vez. BRASO.

— O que essa palavra significa? — murmurou ele.

Ninguém respondeu.

Mas uma coisa era certa: nada ali estava certo.

E se quisessem entender o que estava acontecendo, precisariam começar a se mexer.

O jogo tinha começado.

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