UM

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**Aysha** 
"O som abafado de risadas e conversas preenchia o restaurante enquanto eu caminhava com passos apressados, equilibrando uma bandeja cheia de copos. Desviei das mesas ocupadas com a habilidade de quem já estava acostumada à rotina frenética daquele lugar. Finalmente, ao alcançar o balcão, respirei fundo e entreguei os pedidos à cozinha. 

— Mesa 7, Aysha! — chamou minha colega, apontando discretamente com o queixo para o canto mais reservado do salão. 

Olhei na direção indicada e vi o cliente esperando. Ele estava sozinho, mas sua presença parecia ocupar todo o ambiente. O terno preto perfeitamente ajustado, o relógio caro e aquele olhar sombrio indicavam que aquele não era um homem qualquer. Ajustei meu avental e segui até a mesa com o melhor sorriso profissional que consegui oferecer. 

— Boa noite, senhor. Já decidiu o que vai querer? 

Ele ergueu o olhar, e senti como se estivesse sendo analisada de cima a baixo. Seus lábios formaram um leve sorriso, quase imperceptível, mas os olhos... havia algo mais intenso ali, algo que me fez hesitar por um segundo. 

— Ainda não. Estou mais interessado em quem está me atendendo do que no cardápio. 

Pisquei, surpresa com a abordagem direta. Comentários assim não eram novidade, mas havia algo no tom dele que me deixou desconcertada. Não parecia um mero flerte. 

— Fico lisonjeada, senhor, mas minha prioridade é garantir que tenha uma boa experiência no restaurante — respondi, mantendo o sorriso educado, embora meu coração estivesse acelerado. — Posso recomendar o filé ao molho madeira, um dos pratos mais pedidos. 

Ele inclinou a cabeça ligeiramente, me observando como se estivesse avaliando cada palavra minha. 

— Parece uma boa escolha. Vou confiar no seu gosto. 

Anotei o pedido, tentando ignorar o peso daquele olhar fixo em mim. 

— Algo para beber? — perguntei, esforçando-me para soar natural. 

— O que você sugere? 

Reprimi um suspiro. Ele estava jogando, tentando ver até onde eu ia. 

— Nosso vinho tinto harmoniza bem com o filé. 

— Então traga uma taça... e, se possível, fique mais um pouco para me contar mais sobre o lugar. 

Soltei uma risada nervosa, tentando ser educada sem parecer rude. 

— Eu adoraria, mas meu trabalho é cuidar de todos os clientes. Vou buscar seu vinho. 

Enquanto me afastava, senti o olhar dele queimando minhas costas. 

*Quem ele pensa que é? Por que está me olhando assim? Parece que quer algo além de comida...* 

Na cozinha, deixei escapar um suspiro, tentando afastar a sensação desconfortável que ele havia me causado. Enquanto preparava a taça de vinho, uma onda de preocupação inexplicável tomou conta de mim. 

De volta à mesa, entreguei o vinho. Ele agradeceu com um leve aceno, mas seus olhos não deixaram os meus nem por um segundo. 

— Diga-me, qual é o seu nome? — perguntou, segurando a taça com elegância. 

— Aysha — respondi, hesitante. Eu odiava dar informações pessoais para clientes, mas não queria parecer indelicada. 

— Aysha... — Ele repetiu meu nome lentamente, como se estivesse saboreando cada sílaba. — É um nome bonito. Diferente. 

— Obrigada. Se precisar de mais alguma coisa, é só chamar. 

— Eu precisarei, Aysha. E quando chamar, espero que venha rápido. 

Aquele tom de voz controlado e baixo fez algo dentro de mim revirar. Não era um pedido. Era uma ordem. Assenti rapidamente e me afastei novamente." 

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**Dominic** 
"Cada movimento dela me fascinava. Desde o momento em que entrou no meu campo de visão, não consegui desviar o olhar. Ela não fazia ideia do poder que tinha. Tentava ser profissional, manter uma postura distante, mas eu via através disso. 

Quando pedi o vinho, foi apenas uma desculpa para prolongar o momento. Eu queria testar seus limites, observar como ela reagia. E cada palavra dela só aumentava minha curiosidade. 

— Diga-me, qual é o seu nome? 

Quando ela respondeu, repeti o nome lentamente, saboreando-o. Era como ela – diferente. Especial. 

Ao sair, deixei o cartão de visita de propósito, roçando meus dedos nos dela apenas para vê-la hesitar. 

— Caso precise de algo... — disse, entregando o cartão diretamente em sua mão. — Boa noite, Aysha. Espero vê-la novamente. 

Enquanto caminhava para fora do restaurante, minha mente já estava decidida. 

*Isso é apenas o começo. Você será minha, Aysha. Mesmo que ainda não saiba disso.*" 

Prisioneira do diabo Where stories live. Discover now