prologo

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O templo dos deuses estava envolto em uma quietude que parecia eterna. A luz das estrelas cintilava com um brilho inusitado, como se o próprio céu aguardasse a chegada de algo desconhecido. No centro, Draegar, o deus da morte, observava com uma frieza que só ele possuía. Seus olhos, sempre imperturbáveis, estavam fixos no vazio à sua frente, como se o peso de sua própria existência fosse mais do que ele poderia suportar.

Então, a mudança. Uma luz repentina, intensa e pura, rompeu a escuridão do templo. Draegar não se moveu, mas seu olhar se intensificou. Algo estava acontecendo, algo que ele não poderia controlar, algo que era inevitável.

A luz começou a se condensar no centro do templo, formando uma figura. Aos poucos, a forma de uma jovem mulher foi tomando corpo. Sua pele era pálida como o mármore, seus cabelos brancos como a neve, e seus olhos, de um azul profundo, refletiam o vazio do universo. Ela caiu no chão com suavidade, como se o próprio ar tivesse a recebido.

Elysia, a deusa da vida. Criada do nada, nascida da ausência.

Ela se levantou lentamente, os olhos confusos e perdidos, tentando entender o que acontecia ao seu redor. Seu corpo ainda não parecia totalmente seu, como se a essência da vida ainda estivesse se ajustando a ela. Ela olhou em volta, e seus olhos se encontraram com Draegar.

Ele a observava com uma calma glaciar, seu rosto imutável. Não havia traços de surpresa, apenas uma quietude que fazia o espaço ao redor deles parecer ainda mais opressor.

"Você é a nova deusa da vida", Draegar disse, sua voz sem emoção, como uma sentença. "E agora o equilíbrio dos deuses será alterado."

Ele deu um passo à frente, ainda imperturbável, como se estivesse calculando cada movimento dela, como se nada a surpreendesse.

"Não se engane", continuou, seu tom gelado. "O que você pode fazer não é uma dádiva. É uma responsabilidade. E você terá que aprender a controlá-la. Muitos de nós temem o que você pode fazer."

Draegar não olhou para os outros deuses que começavam a se reunir nas sombras do templo, mas ele sabia que todos os olhares estavam voltados para eles. A presença de Elysia já estava criando divisões, gerando sussurros e desconforto. Ela, a deusa da vida, era uma ameaça silenciosa, uma força que poderia destruir ou transformar tudo ao seu redor.

Ele a estudou por mais um momento, seu olhar implacável. "Cuidado com o poder que tem. Ele não perdoa. E a vida, assim como a morte, exige equilíbrio."

Com isso, Draegar se afastou um passo, seu olhar distante como sempre, mas algo em seu tom denunciava o que ele tentava esconder — uma preocupação velada que ele jamais admitiria. Não importava o que ela fosse, ela agora era parte de algo maior, e isso, para Draegar, era mais inquietante do que qualquer morte.

"Ciclo Divino"Where stories live. Discover now