capitulo 1 - A Chegada (kai)

12 1 2
                                        

Eu nunca imaginei que minha vida mudaria tão drasticamente... Um acidente, um erro, uma escolha... E minha vida nunca mais seria a mesma.

Conhecê-la foi o pior erro da minha vida.

Meu nome é Kai, tenho 20 anos, e fui julgado por um crime que não cometi.

Minha história começa em 30 de outubro de 2080.

                             ANTES

O ruído das rodas no trilho ecoava minha ansiedade.

Chegamos ao destino, ao desembarcar, o silêncio foi quebrado apenas pelo som de meus passos, não há ninguém na estação. Mas eu tenho a estranha sensação de estar sendo observado. O silêncio é quebrado pelo som dos meus batimentos acelerados. Decido ir em busca de um banco, a cada passo a tensão crescia, como se a morte me aguardasse. De repente ouço o ranger de uma porta. Paraliso ao ouvir o som, a única coisa que penso é "alguém está vindo". Enquanto cada passo se aproximava, o medo toma conta de mim.
Então ouço uma voz suave, parece uma mulher, com aproximadamente 19 anos.
Meu olhar permanece fixo à frente, temendo o que posso ver, tomo coragem e me viro. Ela está bem à minha frente, com um sorriso enigmático no rosto. Seus cabelos castanhos brilham conforme o sol passa pelas telhas desgastadas, sua beleza é um contraste com o ambiente desgastado. Seus olhos azuis, profundos como o oceano, escondem diversos segredos.

"Por que você está aqui?" - Pergunto, confuso com a situação, porque uma moça tão jovem e bela estaria em um lugar destes?

"Seu destino está ligado ao meu." - A garota responde, com o olhar repleto de dúvida.

"Quem é você?" - Minha voz tremeu ao questionar.

"Me chamo Lyra, e você?" -  A garota responde sem pensar.

"Me chamo Kai" - Respondo, com receio do que ela possa dizer.

De repente a garota me puxa para fora da estação.

"Confie em mim" - Disse Lyra com os olhos brilhando.

"Como posso confiar em alguém que acabei de conhecer?" - Eu disse, com receio.

"O que você mais teme, a verdade ou o desconhecido?" - Lyra sorri enigmaticamente.

"Estamos quase chegando" - Diz Lyra, animada.

"Para onde você está me levando?" - Solto sem pensar.

"Um lugar onde posso deixar meus pensamentos fluírem" - Diz Lyra.

Penso em várias possibilidades, mas nenhuma se encaixa ao caminho que ela está me levando, então dou um voto de confiança à Lyra, e a deixo ser minha guia. Depois de um tempinho andando, chegamos ao lugar que Lyra havia dito.

"Chegamos à tempo" - Disse Lyra, empolgada.

"À tempo de que?" - Perguntei confuso.

"De assistir ao pôr do sol" - Diz Lyra, estendendo uma toalha sobre a grama.

"Meus pais costumavam me trazer a este campo quando era mais jovem, cresci assistindo ao pôr do sol todas as tardes bem aqui." - Disse Lyra enquanto admirava a paisagem

"Aqui, tudo parece mais simples" - Lyra Suspira, enquanto se deita sobre a toalha.

A paisagem se banhava em uma luz suave, quase mágica. O cabelo castanho de Lyra refletia a luz que ainda restava no horizonte,  seus olhos brilhavam como estrelas na noite que se aproximava.

"Lyra, porque me trouxe até aqui?" - perguntei, em um tom de curiosidade.

"Este lugar me trás lembranças do que não posso ter" - Diz Lyra, desviando o olhar.

"Então resolvi trazer alguém, talvez diminuísse a tensão de estar aqui" - Disse ela, sorrindo.

"Olha, eu adorei vir até aqui com você, mas preciso ir, está quase anoitecendo." - Digo, me levantando.

"Talvez nós nos encontraremos em algum lugar futuramente." - Disse ela com um sorriso Alegre.

Pego o celular.
"merda, acabou a bateria"
Então começo a procurar um lugar que possa ter um celular para usar, levei aproximadamente 25 minutos até chegar no primeiro posto de gasolina da região, com a esperança de ter alguém para me emprestar o celular.
Já anoiteceu, então preciso chamar um táxi rápido. Entro na loja de conveniência e logo vou até o atendente.

"Boa noite, você poderia me emprestar seu celular? - Pergunto.

"Boa noite, claro aqui está." - Então o atendente me entrega o aparelho.

"Eu preciso chamar um táxi até o Hotel Prestige, e meu celular por sorte descarregou." - Eu disse enquanto ligava para um taxista.

"Que falta de sorte" - Disse o atendente.

"Muito obrigado, você salvou a minha noite" - Disse enquanto ia até as prateleiras da loja.

Tudo o que eu queria era passar a noite sem preocupações, então resolvi comprar algumas coisas no posto de gasolina mesmo. Peguei uma cesta, e fui até o corredor de higiene pessoal, peguei escova de dentes, pasta, gel de cabelo e um pente. Logo depois fui para a sessão de alimentos, peguei 2 salgadinhos, alguns chocolates e vários chicletes, logo depois fui pegar algumas bebidas,  peguei algumas latinhas de refrigerante, whisky e Rum, e fui até o Caixa pagar as coisas.

"Hoje vai ser uma noite e tanto." - Disse o atendente enquanto passava as bebidas.

"Vai ter alguma festa no Hotel?" - Pergunta ele ainda passando as compras.

"Na verdade não, só acabei de chegar de viajem e decidi comprar algumas coisas que estão faltando em casa." - Eu disse enquanto pegava a carteira.

"Tudo ficou R$340,89 vai ser dinheiro ou cartão?" - Disse o atendente.

"Vai ser cartão,  no débito por favor." - Disse enquanto abria a carteira.

"Pode inserir ou aproximar" - Disse ele.

"Pronto, muito obrigada" - Eu disse enquanto pegava as sacolas.

Logo quando sai da loja, o táxi chegou.

"Para o Hotel Prestige por favor"

"Claro" - Disse o taxista.

Chegando no Hotel, paguei o taxista. Peguei o elevador e.. Finalmente estava em casa, precisava arrumar uma coisa aqui e outra lá, mas nada que uma boa faxina não resolvesse. Peguei as sacolas, guardei tudo no seu devido lugar e fui até o quarto para arrumar minhas roupas. O quarto estava escuro, cheirando a mofo.

"Eu já esperava, depois de tanto tempo que fiquei fora"

Abri a janela e vi o brilho da cidade.

"Que saudade de estar aqui"

Logo fui arrumar a cama, pensando na garota, de mais cedo.

"Será que algum dia vamos nos reencontrar?"

"Amanhã eu penso nisso, agora eu só preciso descansar"

Tranco a porta do quarto e vou dormir.

Trilhos De SangueStories to obsess over. Discover now