Capítulo 1 - Prólogo de Sangue

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Um homem ruivo corre ofegante em uma nevasca densa no meio da floresta. Flocos de neve grossos caíam incessantemente, grudando em suas roupas e cabelos, enquanto o vento gelado cortava sua pele como lâminas invisíveis. Seus olhos, semicerrados pela dor e pelo frio, revelam um desespero profundo. Ele pressiona com força uma ferida no abdômen, de onde escorre sangue quente, pintando a neve branca com um vermelho escuro.

"Droga, minha visão está começando a ficar turva" — pensa o homem, sentindo a força esvair-se de seu corpo.

Ele avista uma clareira à frente. Ao alcançar o limite das árvores, se depara com o final da montanha — um abismo imponente e escuro. Olhando para baixo, ele sabe que a queda significa morte certa.

Ao se virar, uma mulher em uma armadura negra, reluzente mesmo sob a luz fraca do dia, se aproxima lentamente. Seus cabelos são negros como a noite e seu rosto é claro e marcante, como a Lua. Seus olhos, profundos e sombrios, parecem conter segredos inconfessáveis​​e uma determinação inabalável

Ela seguramente uma espada longa, cuja lâmina reluz com um brilho ameaçador. A espada parece ser uma extensão do seu próprio ser, manuseada com a destreza e a confiança de uma experiência de guerreira. Seus passos são firmes e calculados, enquanto a neve fica estalando sob suas botas pesadas.

- A montanha acaba aqui, Vlad. Não adianta mais correr — diz a mulher, sua voz firme ecoando na nevasca.

— É... Parece que hoje não é meu dia de sorte mesmo — responde Vlad com um sorriso sarcástico, apesar da dor que o consome.

— Você já perdeu muito sangue. Não foi difícil te achar com aquele rastro. Entregue-se logo — insistindo a mulher, se aproximando.

Vlad suspira e olha novamente para o abismo, sentindo o frio cortante do vento.

— Não pule, você não vai sobreviver à queda — avisa a mulher.

— Como raios é que eu cheguei nessa situação? — murmura Vlad, agonizando.

Reunindo suas últimas forças, Vlad empunha sua espada na direção da mulher.

— Não seja estúpido. Apenas entregue-se sem resistência — persiste ela.

— Não adianta, eu lutarei... Mas antes, diga-me o seu nome! — exclama Vlad, determinado.

— Arcádia — responde ela, suspirando, como se lamentasse o resultado.

Antes que Vlad pudesse reagir, Arcádia se moveu com uma velocidade sobre-humana. Em um piscar de olhos, ela atravessa sua espada no peito dele.

— Que... rapidez... — murmura Vlad, cuspindo sangue.

Arcádia então o chuta em direção ao abismo. Enquanto ele afunda em meio a escuridão, a nevasca começa a parecer cada vez mais distante...

— Desculpe... Sam... — murmura ele, antes de ser engolido pela escuridão.

3 meses antes...

— Ei Vlad, acorde!

Um rapaz negro careca com vestes humildes, com postura confiante e uma presença serena, mexe em seu ombro.

– Ulgrim? — diz Vlad sonolento

— Estamos chegando. —responde Ulgrim.

Os barulhos de carroça e cavalos são perceptíveis. Vlad olha para fora, olhando o bosque com folhas laranjas devido ao outono. Alguns esquilos pegam nozes, cervos indo mais adentro do bosque.

— O Darlan está conduzindo os cavalos, enquanto a June está de vigia com seu arco. Ela conseguiu umas maçãs. Toma, pegue uma. — diz Ulgrim, jogando uma maçã na direção de Vlad.

— Obrigado, Ulgrim. — responde Vlad, agradecido.

Olhando de volta, Vlad pensa: Estou com esse grupo há algumas semanas, não faz muito tempo desde que saí da minha vila... Sinto sua falta Sam, mas infelizmente ainda não posso voltar.

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