-Vovó, por que eu não posso ver a mamãe ou o papai? - Perguntou Asher, olhando para a sua avó com grandes olhos azuis e marejados, esperando uma resposta para sua curiosidade e uma solução para sua saudade. Sua avó, Dona Dolores, suspirou e pegou o pequeno menino em seu colo – Não se preocupe querido, a mamãe e o papai estão em um lugar muito, muito melhor...- Asher ouviu suas palavras. Pequenas e transparentes lágrimas começaram a descer por suas bochechas – Mas vovó...eu quero ver eles! Agora! – Resmungou com a voz chorosa. Pobre Asher, mal conseguia respirar momentos após ver os corpos dos seus pais em caixões no dia seguinte durante o velório.
Capítulo 1:
O barulho irritante do despertador preencheu meu quarto, me fazendo resmungar, levantei meu rosto do travesseiro aproximando meu braço do despertador e dando um soco no mesmo. – Que merda...- Eu murmurei, me deitando em minhas costas e esfregando meus olhos ao silvar entre dentes, bocejando em seguida. Logo pude ouvir a doce voz da minha avó Dolores me chamando para tomar café. – Já vou Abuela! – respondi de volta. Me levantei e me espreguicei, olhando para o calendário na parede em frente à minha cama, e lá estava ele... Esse dia, esse maldito dia, no caso, hoje, 20 de junho. Hoje é o meu aniversário, mas eu detesto meu aniversário com todas as minhas forças neste planeta inteiro, pelo simples fato de que hoje não é só o dia que eu faço 18 anos, mas também o dia que faz 12 anos que meus pais morreram. Eu geralmente não falo sobre isso com qualquer um, apenas minha avó e olhe lá, mas as vezes é legal ver a feição de sem-graça que as pessoas ficam quando elas me dão parabéns e eu acrescento esse pequeno detalhe, podem até achar rude ou desrespeitoso, mas isso as ensina a não encherem o meu saco.
Após escovar os meus dentes e trocar de roupa, fui até a cozinha, onde fui recebido pelo reconfortante cheiro de café fresco. Minha avó murmurava uma velha canção ao fritar alguma coisa na frigideira. – Bom dia, Vó - A cumprimentei, me sentando à mesa. Ela se virou e me olhou com um sorriso gentil e calmo. – Bom dia niño, como foi seu sono? – Ela perguntou, agora olhando para mim. Entendo o propósito da pergunta. desde aquele dia, tenho tido pesadelos envolvendo o que aconteceu. Querendo ou não, admito que é uma merda ter que rever aquilo de novo e de novo, eu realmente queria que isso parasse sem que eu precisasse tomar um remédio que faz eu me sentir mais chapado do que se eu tivesse fumado uns 4 becks de maconha de uma vez só. Mesmo que os remédios sejam terríveis, as vezes eu tomo, só para não ter que ver os corpos dos meus pais jogados no chão frio ou sendo devorados por larvas. Nojento, não é? Pois bem, é assim que minha mente me tortura. – Dormi bem, sem pesadelos dessa vez...- Menti enquanto eu enchia minha xícara com uma quantidade generosa de café preto. Minha avó olhou para mim com suspeita no olhar, evitei olhar diretamente para ela, aquela senhorinha podia muito bem saber quando eu estava e quando eu não estava mentindo. Após alguns minutos de contato visual em silêncio, suspirei. – Okay, okay, eu talvez tenha tido um pesadelo, mas não foi um dos piores! – Me defendi–, evitando o olhar da senhora em minha frente novamente. Ela suspirou e se sentou a minha frente. – Quer conversar sobre ele? – Me perguntou, tirando seus óculos e olhando diretamente para mim. Suspirei fundo. – Na verdade, eu prefiro que não, Vó... Pelo menos não agora. - Respondi firmemente, eu não queria ser grosso, apenas marcar meu pedido. Ela assentiu com a cabeça, sorrindo novamente ao se levantar. – Então...meu pequenino está completando 18 anos, hã? - Remarcou ela, com um sorrisinho no rosto. Queimei minha língua com o café, distanciando a caneca da minha boca. – Ah...bem, sim. - Confirmei com a fala ligeiramente arrastada por conta da língua queimada. Minha avó riu e se sentou ao meu lado, me puxando para um grande abraço – Não acredito que o tempo passou tão rápido assim, eu me lembro quando você ainda era uma criancinha fofa e ingênua, ah...que saudades daqueles olhões angelicais. – Ela disse, me soltando do abraço e olhando para o lado, provavelmente se lembrando dos dias em que eu ainda era uma criança normal ao invés de um adolescente fodido e traumatizado que viu os pais serem mortos em sua frente. Ri sem graça, sem saber o que dizer. Nunca gostei muito de aniversários, sempre odiei ser o centro das atenções, tentava ao máximo me passar despercebido pelas pessoas, principalmente na escola, mas sempre tinha aquele professor filha da puta que tinha um calendário com todos os aniversariantes e no dia do meu aniversário, me fazia ficar na frente de toda a classe enquanto eles batiam palma e cantavam parabéns para mim. Ainda bem que no ensino médio eles pararam com essa merda, depois de anos, isso fica insuportável. A minha vontade quando tentam comemorar meu aniversário de qualquer forma, seja festa ou cantar essa música irritante, é meter o murro nesse filha-da-puta enquanto eu mesmo canto parabéns, talvez assim eu traumatize o infeliz para que toda vez que alguém cante essa maldita música novamente, o desgraçado tenha uma crise de pânico, achando que eu vou sair das paredes e meter a porrada nele. Mesmo assim, minha avó insiste em pelo menos fazer um bolo para mim, o que com certeza é muito bem recebido pela minha parte. Minha avó retomou a olhar para mim – Tenho um presente muito importante para te dar – Levantei uma sobrancelha – Ah...Vó, você sabe que não precisav...- -Shiu! Asher, querido, você sempre fala as mesmas coisas em todos os seus aniversários, e eu sei que são dias difíceis para você, também é difícil para mim, mas isso não significa que você não precisa comemorar os seus aniversários – Ela logo me calou. Dei de ombros. – Então tá...- Desisti de tentar argumentar, não faz sentido, ela é minha avó, ela sempre tá certa. Minha avó se levantou e deixou o cômodo para pegar seja lá o que ela quer me dar de presente de aniversário. Suspirei e re-encostei na cadeira, a queimadura na minha língua raspando entre meus dentes da frente como uma lembrança da minha falta de atenção, o que me irritou. Ignorei a sensação de queimado na minha língua e dei outra golada no café, me revigorando enquanto o gosto amargo encheu minha boca, coloquei mais um pouco na caneca, mas deixei ela na mesa e esfreguei meus olhos. Eu sabia que esse tanto de cafeína ia me deixar acordado durante a noite, mas acho que eu mereço não dormir essa noite, pelo menos eu posso passar a noite do meu maldito aniversário sem nenhum pesadelo grotesco sobre os meus pais. Logo minha avó voltou, segurando uma caixinha cor vinho embrulhada com um laço branco. Ela andou até a mesa em seus passos lentos de senhora idosa, colocou a caixa na minha frente sobre a mesa, e se sentou. – Vamos, abra – Ela acenou a cabeça em direção à caixa. Eu suspirei, me ajeitando na cadeira, tomando mais um gole do café e acenando a cabeça – Okay... – Desfiz o laço branco com mãos levemente trêmulas por conta da quantidade de cafeína no meu sistema, retirei o laço e abri a tampa da caixinha. Um... um colar... um colar de...coração? – Um...coração? – Perguntei com incerteza. Minha avó sorriu – Eu sabia que você ia reagir assim... mas não é qualquer coração, é um relicário. - Relicário? – Sim, um relicário – Ergui uma sobrancelha, deixei a caixa de lado e segurei o colar entre meus dedos, analisei o pingente de coração durante alguns segundos, enquanto eu passava a ponta do dedo sobre o pingente, o pingente se abriu. – O que... – Ah...agora eu entendi. É um daqueles colares que tem um compartimento para fotos dentro do pingente, “mas que foto ela poderia colocar nesse compartimento?” foi isso que eu pensei, mas eu senti o mundo ao meu redor parar quando eu vi que a foto do relicário era uma foto dos meus pais me segurando quando eu era um bebê.
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OI GENTTEEEEE
eu tô MUITO ansiosa pra essa nova história, tenho muita expectativa!
Enfim, não se esqueçam de votar e comentar o que vocês acharam
Bjuuuuusss🤗🤗
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Se deres uma faca à uma cobra...
FanfictionAsher é um menino normal, mora numa casa normal, com sua avó normal, e assim ele pensou que seria o resto da sua vida, normal e chata, para dizer o mínimo... porém, após seu aniversário de 18 anos, ele decide se aprofundar em suas origens, e acaba d...
