Remus pov

Faltava 13 minutos pra meia noite, eu estava no meu quarto andando de um lado para o outro de forma ansiosa. Os minutos demoravam a se passar. Me olhei no espelho do meu quarto e me analisei de cima a baixo, estava bonito, dentro do possível. Olhei para o horário em meu telefone novamente. 23:51.

Sirius me disse para encontrá-lo hoje no nosso lugar, era um parquinho antigo que tinha aqui no bairro, com uma casinha de madeira bem velha com um escorregador e dois balanços do lado. Ninguém ia lá pelo simples motivo de: era um parquinho simples, ninguém desse bairro iria num lugar barato e velho como aquele, as crianças locais sempre iam em um outro parque que tinha por ali, maior, com mais brinquedos, mais novo, mais rico. As famílias daqui são elitistas a esse ponto, não é a toa que esse bairro é O bairro nobre da cidade.

23:56. Já posso sair de casa.

Abri a porta do meu quarto bem devagar e fui até o final do corredor, onde ficava o quarto dos meus pais. Coloquei o ouvido devagar na porta deles. Nada. Hoje era quinta, dia de pregação pela tv, meus pais costumam dormir logo após esse culto online. Tudo livre, se estava quieto é porque já acabou, essa pregação que eles assistem dá pra ouvir a quilômetros de distância.

Voltei para o meu quarto na ponta dos pés, tranquei a porta e pulei a janela.

23:58.

A rua estava fria, o inverno estava chegando. Cruzei os meus braços em uma tentativa de me aquecer um pouco mais. Não adiantou de nada, e isso porque estava usando o meu suéter mais quentinho.

De longe eu consegui o avistar. Os cabelos negros e longos balançando com o vento da noite, seus dedos ao redor de um cigarro que estava em sua boca. Ele estava olhando para a lua. Seus olhos refletiam a luz do luar. Os olhos mais bonitos que eu já vi em toda a minha vida. Ele retira o cigarro da boca e sopra lentamente a fumaça inalada. Eu daria tudo para ser aquele cigarro por dois segundos.

Caminho até Sirius e sento ao seu lado, em uma escada larga de madeira que é usada para subir até a casinha.

Ele olha para mim. Eu poderia morrer naqueles olhos. E me estende o seu cigarro. Nego com a cabeça.

- Minha mãe descobriu a minha nova tatuagem - ele diz olhando para a lua novamente. Passo a olhá-la também. Era lua cheia.
- Outro surto? - perguntei tentando não demonstrar muito. Sirius tinha sérios problemas com sua família. E ele gostava de provocá-los até o limite, por isso tudo o que sua família estritamente o proibia de fazer, ele fazia. Tatuagem é uma dessas diversas coisas. Sirius tinha um total de 13 tatuagens. Ele tinha 17 anos.

- Um pouco pior dessa vez, mas nada muito fora do comum - ele diz levando novamente o cigarro até a boca.

Estremeci. Sirius não costumava me contar muito sobre esses detalhes, os surtos e punições de seus pais, mas pelo pouco que ele já me contou uma vez, e a forma como ele sempre tinha novas cicatrizes nas costas, não sei se quero sequer imaginar o que ele passa naquela casa.

- Sinto muito - disse sem saber o que dizer. Nunca soube consolar outras pessoas muito bem.

- Relaxa - ele apagou o cigarro no tronco de uma árvore próxima - não te pedi pra vir aqui pra ficar me lamentando com você Moony - ele retornou seus olhos a mim.

Aqueles olhos.

- Então posso saber o motivo de ter me chamado pra vir aqui hoje? - sorri ladino e levei meus dedos até seu rosto, tirando alguns fios que estava, ali e colocando-os atrás de sua orelha.

Ele se aproximou, sentando mais próximo de mim e enterrou seu rosto no meu pescoço. Sua respiração arrepiava cada pelinho meu.

- Eu só... senti sua falta - ele deixou um suspiro leve escapar. Leve minha mão até a sua nuca e comecei a fazer um carinho leve.

Ele levanta a cabeça novamente e me olha.

Eu sou completamente e obcecavelmente apaixonado nesses olhos.

- Vem - ele estende a mão para mim e se levanta. Eu seguro e nós terminamos de subir as escadas até chegarmos na casinha

Eu me abaixo assim que chegamos no topo e me sento no chão. Sirius deita a cabeça no meu colo.

- Me conte sobre você Moony

- Contar sobre o quê exatamente? Você me conhece desde os 9 anos, não acho que tenha algo sobre mim que você não saiba ainda - disse enquanto afagava os cabelos de Sirius. Ele era igual um cachorro. Adorava carinho.

- Eu não sei, eu só quero escutar sua voz - ele diz e eu desvio o olhar para o lado de fora da casinha na mesma hora. Gostar do melhor amigo é uma tortura que ninguém merece passar. - Me conta sobre o livro que você está lendo

- Acabei sociedade dos poetas mortos hoje de manhã na aula de estudo religioso - volto o olhar para o garoto. Ele me olha sorrindo levemente.

- Então me conta a sua opinião sobre - ele pega minha outra mão, que estava apoiada no chão, e puxa para si, começando a brincar com os meus dedos.

- É um bom livro. Muito bom - Sirius dá uma risada leve

- Só isso? Você sempre tem opiniões críticas específicas sobre cada personagem, a escrita do autor, o formato do livro, o tamanho das letras, o enredo, tudo - dou um sorriso

- Ainda tenho que refletir mais a fundo sobre ele pra poder criticar todos esses pontos, inclusive tenho que fazer a minha resenha dele no meu Skoob ainda

Ninguém fala mais nada. Fica um silêncio confortável. A luz da lua iluminando a casinha enquanto fazíamos carinho um no outro.

- Você se lembra... da primeira vez que a gente se beijou? -Sirius diz com um tom de voz fraco

- Lembro... Lembro como se fosse ontem - sorrio levemente com a lembrança. Tínhamos 13 anos. Aconteceu nessa mesma casinha. Foi o meu primeiro beijo.

Sirius se levanta e se senta do meu lado, ainda brincando com a minha mão.

- Posso... te beijar de novo?

18 - wolfstar Where stories live. Discover now