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capítulo 1 - confusão

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De 7 letras: “traição”.
Ato de romper a confiança de alguém, seja através de deslealdade ou abandono. É quando alguém em quem confiamos nos vira as costas. Nossa realidade torna-se como um espelho despedaçado, em que cada parte reflete uma dentre milhares de verdades.
E se, enquanto focamos em uma única coisa que chamamos de verdade, deixarmos passar algo importante? E se houver algo acontecendo diante dos nossos olhos?

Enquanto a luz suave do anoitecer iluminava um navio, ele avançava calmamente em direção a uma pequena ilha. O vento passava pelos cabelos de Joaquim Hélio. Sua pele, branca como a neve, destacava os cabelos dourados como ouro. Hélio observava seu reflexo superficial na água, fumando um cigarro da marca Limilar. Em suas mãos, havia duas grandes malas. Todo o momento de harmonia e paz foi interrompido ao ouvir gritos.

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No quarto, Amélia ajeitava as cartas com uma delicadeza quase reverente. Seus dedos se moviam rápidos sobre a mesa de madeira, enquanto seus olhos analisavam atentamente a superfície. Finn, como ela às vezes o chamava, estava sentado à frente, observando com uma mistura de curiosidade e inquietação. Seus olhos arregalaram-se quando duas cartas específicas apareceram: o Desejo e o Abismo.
Amélia sentiu um calafrio. Com hesitação estendeu a mão e pegou a Carta do Desejo, ignorando a outra

— A Carta do Desejo simboliza um amor — começou, sua voz baixa e direta. — Um amor esta por vir. Aquele que você mais anseia.

Finn inclinou-se para frente, intrigado.

— E a do Abismo?
Ela por um momento se calou. Seus dedos tremiam  Ao perceber  a carta na mesa.

— Não significa nada — respondeu rapidamente.

Então, com um gesto rápido, rasgou a Carta do Abismo, como se o ato pudesse anular o que quer que ela trouxesse. Finn arqueou uma sobrancelha, mas decidiu não insistir.

— Estou com fome — disse ele, mudando de assunto e abrindo um dos baús. — Tem alguma coisa para comer?
Amélia levantou-se e foi até um armário.

— Peixe e pão.

Enquanto ela falava, murmurou algo inaudível e guardou as cartas restantes em uma caixa de metal. Finn, porém, parecia mais interessado em outro assunto.

— E aquele bolo? — perguntou, subitamente lembrando-se.

Amélia estreitou os olhos para ele.

— Qual bolo?
Finn deu de ombros, com um sorriso meio culpado.

— O de morango com baunilha. Estava muito bom, aliás.

Amélia parou, incrédula.

— Você comeu tudo?!

— Não tudo... — começou Finn, tentando se explicar, mas Amélia já estava se levantando, furiosa.

— Finn rã! — gritou, correndo  atrás dele.

O convés do barco estava agora o próprio caos. Finn corria como um raio, os pés descalços batendo no chão de madeira, enquanto Amélia vinha logo atrás, a raiva estampada no rosto. Ele avistou Hélio, que continuava tranquilamente fumando, aparentemente alheio ao caos que se desenrolava.

— Hélio, me ajuda! — Finn gritou, jogando-se para trás do homem e tentando se esconder.

Hélio olhou para ele, já esperando a razão de amélia estar raivosa

— De novo, Finn?
Antes que pudesse responder, Amélia chegou com os olhos fixos em seu alvo.

— Não se mete, Hélio. Ele vai pagar pelo bolo!
Hélio suspirou, cruzando os braços.

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