Íkaro cambaleava pela calçada lotada do centro da cidade, o corpo pesado como se carregasse o peso do mundo nas costas. Fazia uma semana.
Uma merda de uma semana inteira sem uma gota. O estômago revirava, as pernas tremiam, e cada respiração parecia custar mais energia do que ele tinha. Aos dezenove anos, ele ainda era o mesmo cara másculo de sempre: ombros largos, peito definido por anos de academia, queixo marcado e aqueles olhos verdes que costumavam fazer as meninas virarem o pescoço. Cabelo escuro espigado, meio bagunçado no estilo "acordei assim e tô foda", barba rala bem aparada. Bonito pra caralho. Mas agora? Parecia um fantasma. Pele pálida, olheiras fundas, suor frio escorrendo pela nuca apesar do calor da tarde.
Porra, Íkaro... você virou o que? Um vampiro de porra? O pensamento veio amargo, misturado com uma culpa que apertava o peito. No dia do seu aniversário de dezoito anos, ele quase morreu. Dor lancinante, fraqueza total, como se o corpo estivesse se desligando. E então, no fundo de um beco escuro, um cara aleatório... e o gosto quente, salgado, grosso na língua. O alívio imediato. A força voltando. Ele descobrira da pior forma possível: precisava de sêmen masculino pra sobreviver. Não era opção. Era sobrevivência.
Sete meses. Sete meses caçando "leite" na boca de estranhos, sempre escondido, sempre com aquela voz na cabeça gritando que ele não era assim. Que ele gostava de mulher. Que isso era só... necessidade. Mas o corpo traía. O desejo crescia a cada vez, misturado com vergonha e uma excitação doentia que ele não conseguia mais ignorar.
As pessoas na rua olhavam. Algumas desviavam o caminho, outras franziam a testa com medo. Ele parecia doente pra caralho. Íkaro baixou a cabeça, enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta jeans, e empurrou a porta do primeiro bar que viu. O lugar era movimentado, luz baixa, cheiro de cerveja e fritura no ar. Ele se arrastou até o balcão, sentando num banco alto com dificuldade.
— Ei, cara... tá tudo bem? Você tá branco que nem papel — disse uma voz grave ao lado.
Íkaro virou o rosto devagar. O cara era alto, uns trinta e poucos anos, pele morena, barba cheia bem cuidada, braços tatuados aparecendo sob a camisa preta justa. Olhos castanhos intensos. O tipo que chamava atenção sem esforço. Ele sorriu de canto, um sorriso fácil, quase preocupado.
— Tá... só um dia ruim — murmurou Íkaro, voz rouca. Só preciso de uma dose.
O cara pediu uma cerveja e empurrou uma pro lado dele.
— Bebe. Parece que você vai desmaiar. Meu nome é Rafael.
— Íkaro. Valeu... — Ele pegou o copo com a mão trêmula, dando um gole pequeno. O líquido desceu queimando a garganta seca.
Eles começaram a conversar. Rafael era mecânico, falava com aquele jeito descontraído, rindo fácil de piadas bobas. Contou sobre o dia de merda no trampo, sobre o trânsito infernal. Íkaro respondia o mínimo, mas o outro não desistia.
Havia um interesse ali, claro. Rafael olhava pra ele mais do que o normal, o olhar descendo discretamente pros ombros largos, pro pescoço.
— Você é bem bonito, hein? — soltou Rafael depois de uns minutos, voz mais baixa, com um sorrisinho. — Mas tá parecendo que levou uma surra da vida. Brigou com a namorada?
Íkaro riu fraco, sentindo o calor subir no rosto. Ele tá dando em cima. Porra, eu sou hétero... era. Merda.
— Não tenho namorada. E não briguei com ninguém. Só... tô precisando de uma coisa que só você pode dar, talvez.
As palavras saíram mais diretas do que pretendia. Rafael ergueu uma sobrancelha, o sorriso ficando sacana.
— Ah é? E o que seria isso, bonitão?
Íkaro sentiu o coração martelando. A fraqueza piorava a cada segundo. O desejo misturado com a fome animal. Culpa. Excitação. Ele baixou a voz, inclinando-se um pouco mais perto.
— Olha... eu sei que isso vai parecer loucura, mas eu tô mal pra caralho. Preciso... preciso que você goze na minha boca. Dentro. Por favor. No banheiro. Eu imploro se for preciso.
Rafael piscou, surpreso por meio segundo, depois o olhar escureceu de desejo puro. Ele já estava duro só de imaginar, dava pra ver o volume na calça jeans.
— Caralho, moleque... você não perde tempo. Tá falando sério?
— Tô. Eu juro. Eu preciso disso. — A voz de Íkaro saiu quase um gemido baixo. A vergonha queimava, mas o corpo todo tremia de antecipação. Eu sou um merda. Mas eu vou morrer se não... e ele quer. Dá pra ver.
Rafael pagou as bebidas, segurou o braço de Íkaro com firmeza e o guiou pro banheiro dos fundos. Trancou a porta. O lugar era apertado, cheiro de desinfetante e umidade.
— De joelhos, então — mandou Rafael, voz rouca de tesão.
Íkaro obedeceu com raiva daquilo, ele não queria, sentia nojo, mas o desejo de se alimentar era maior, as pernas fracas cedendo fácil. Ele olhou pra cima, olhos verdes brilhando de confusão, desejo e desespero. As mãos tremiam ao abrir o cinto e o zíper de Rafael. O pau dele saltou pra fora, grosso, veioso, já babando pré-gozo na ponta.
Porra... é tão grande. Eu não devia querer isso tanto. Mas queria. A boca salivava.
Ele lambeu primeiro, devagar, sentindo o gosto salgado da pele quente. Rafael gemeu baixo, segurando o cabelo espigado dele.
— Isso, garoto... chupa gostoso.
Íkaro abriu mais a boca, engolindo o máximo que conseguia. O pau pulsava na língua, pesado, enchendo sua garganta. Ele chupava com fome, sugando, lambendo as veias, as bolas. Lágrimas escorriam dos olhos pela falta de ar e pela culpa.
— Caralho, você mama bem pra alguém que tá implorando... tá gostando, né? — Rafael ria entre gemidos, segurando a cabeça dele e fodendo sua boca com estocadas firmes.
Íkaro gemeu afirmando, não porque quis, mas porque sabia que aquilo faria a gozo vim mais depressao. Mas no fundo, Sim... porra, ele estava gostando. "Que merda eu sou". A excitação batia forte, o corpo se aquecendo, a fraqueza diminuindo só com o cheiro e o gosto masculino.
Rafael acelerou, grunhindo.
— Vou gozar... toma tudo, vai.
O primeiro jato quente explodiu na garganta de Íkaro, grosso, salgado, vivo. Ele engoliu desesperado, gemendo alto, o corpo inteiro tremendo de alívio e prazer. Mais porra veio, enchendo a boca, escorrendo um pouco pelo queixo. Ele sugou até a última gota, lambendo a cabeça sensível enquanto Rafael xingava baixinho.
Quando terminou, Íkaro se sentou no chão sujo do banheiro, ofegante, o corpo recuperando força aos poucos. A culpa voltou forte, mas junto veio uma fofura estranha ao olhar pra Rafael, que sorria satisfeito e bagunçava seu cabelo.
— Você é doido, hein? Mas foi foda. Quer meu número? Talvez a gente repita isso sem você quase morrer.
Íkaro fechou a cara e se levantou, era só isso que ele precisava, então saindo sem dizer uma palavra. Deixando o rapaz sozinho no box do banheiro.
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Leite letal (romance gay)
General FictionRômulo carrega um fardo incomum e cruel: seu corpo produz um líquido mortal para qualquer ser humano, impedindo-o de estabelecer intimidade com outros. Já Íkaro, uma criatura enigmática e solitária, sobrevive graças a um alimento improvável e essenc...
