"Eu tenho medo de olhar pra cima, Sirius. Eu não consigo observar as estrelas como todo mundo... Eu tenho medo."
As palavras que Remus lhe disse pouco antes da noite de Lua cheia chegar, 1 dia antes, ecoaram pela mente de Sirius.
Ele podia sentir o peso que Remus carregava, e sofria por ele.
Remus não pode ir às aulas, ainda se recuperando da última transformação. Sua ausência desanimava Sirius, e claro, James e Peter também.
"Eu vou à enfermaria ver Remus." O Black se levantou da mesa e pegou uma maçã. "Ora, Sirius, você não almoça há 2 dias! Madame Pomfrey não aguenta mais ver você lá." Exclamou James. "Ele também odeia quando você faz isso, ficando nos pés da cama como um cachorro grudento." Pettigrew balançou a cabeça, concordando.
Sirius ignorou os amigos e foi embora.
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O Black abriu a porta da enfermaria lentamente e colocou a cabeça no cômodo, procurando pela mulher.
Ao avista-la no final da sala, de costas e ocupada com vários frascos, entrou rapidamente e fechou a porta em silêncio.
Nas pontas dos pés, foi até a cama de Remus e se enfiou no canto ao lado, esperaria até que a mulher saísse para pegar seu almoço.
Alguns minutos entediantes depois, ouviu os passos se aproximarem do outro lado da cama. "Remus, Remus, em breve poderá sair. Finalmente, não? Seu namoradinho não vai mais nos importunar, pelo menos até a próxima lua cheia." A mulher suspirou, as últimas palavras saindo mais desanimadas. "As coisas vão melhorar, Remus. Um dia. Acredite, meu bem." Então deixou a enfermaria, sem notar o jovem espremido no canto.
Tantos dias em que Remus passou na enfermaria fez que Madame Pomfrey e ele se aproximassem. Remus enxergava na mulher uma tia, amável e engraçada, com histórias inimagináveis, que qualquer aluno que passava ali sequer podia imaginar.
O carinho que a bruxa tinha pelo jovem era grande, cuidava dele como se fosse um afilhado.
Às vezes os outros marotos faziam piadas sobre Remus ser o queridinho da Madame Pomfrey, nunca se irritava ou protestava, porque sabia que era uma meia verdade.
Ao ouvir o bater da porta, Sirius começou a se levantar com dificuldade por estar muito apertado, ao ficar de pé, observou seu amigo adormecido na cama.
"Moony." Falou como se citasse o nome de um anjo, e então observou o amigo com mais atenção.
O peito descia e subia lentamente, as bandagens embalavam ele como se fosse vidro transportado em caminhão.
Sirius odiava que Remus tivesse que passar por tudo aquilo, ele jamais deixaria seu amigo sozinho.
Não importava se ele insistisse que Sirius fosse para as aulas, ou que fosse para o dormitório dormir, ele estaria ali sempre, por que era isso o que amigos leais faziam.
E o que seu coração mandava.
Sirius sentou-se ao lado de Remus e passou a mão pelos cabelos bagunçados dele, os fios claros eram divinos aos olhos de Black; deslizou para as maçãs de seu rosto, o contato de sua pele gelada com a quente de Remus fez o moreno se mexer desconfortável, Sirius riu da reação do amigo.
Por fim, traçou a fina cicatriz no maxilar. A cicatriz sempre esteve ali, trazendo perguntas aos que o viam, olhares demais. Sirius via o amigo encarar seu reflexo com frequência por um longo tempo, focado na cicatriz, traçando-a incansavelmente, desejando que ela desaparecesse.
Sirius odiava como Remus se odiava, porque aos seus olhos, ele era perfeito. Nunca soube como dizer isso, e demorou demasiado tempo para admitir para si que aquilo no seu peito, aquela vontade de só existir para Remus, era amor. Então é mais fácil dizer sempre algo como "Não liga pra isso, cara." E então ele se sente um idiota imprestável por nunca mostrar o quão amado Remus é, o quão profundo é o que sente por ele.
Sirius suspirou, inclinou-se e apoiou seus braços na cama, fechou seus olhos e beijou a testa do amado.
Sirius não era o melhor pra pensar antes de fazer alguma coisa, isso é óbvio.
Então, Remus abriu seus olhos, não que tivesse acordado com o beijo, não mesmo. Estava acordado há algum tempo, tanto que viu Sirius entrando furtivamente na enfermaria e logo pensou: "idiota" e fechou seus olhos, fingindo dormir por que realmente queria estar dormindo.
Sirius ficou paralisado ao encontrar Remus acordado após se afastar, pensou em se defender rapidamente, criar uma desculpa qualquer, mas aquilo era inexplicável sem ser a obviedade do que era.
"Sirius" O lobisomem disse com calma, olhos fixos em quem o encurralava na cama, se esforçando para não rir, envergonhado. "O que está fazendo?" Perguntou como se já não soubesse.
Ele não respondeu, sentindo o ar preso nos pulmões implorarem para sair, vergonha úmida se formando em seus olhos.
"M-moony, eu..." Sirius parou de falar ao ouvir uma tosse atrás deles, e em um sobressalto se afastou de Remus.
Ele se virou assustado, e viu Madame Pomfrey, parada ao lado da porta, encarando-os.
"Não estou surpresa..." Ela disse e deu uma risadinha.
"Oque!?" Exclamou, totalmente vermelho.
Remus enfiou a cara no travesseiro e gritou com a voz abafada: "Que droga, Sirius!"
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Esse é um rascunho que tenho guardado há meses, espero que tenham gostado. Pretendo continuar, talvez mais 1 capítulo ou 2. Até mais!
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Estrelas ٠࣪⭑ - Wolfstar
FanfictionSirius odiava como Remus se odiava, porque aos seus olhos, ele era perfeito. Nunca soube como dizer isso, e demorou demasiado tempo para admitir para si que aquilo no seu peito, aquela vontade de só existir para Remus, era amor.
