As gotas da chuva torrencial surgiam pelas pequenas feridas que se formavam no teto da Tribuna Angelical.
Jason Hermit, vestindo sua translúcida capa de chuva, caminha em direção ao balcão da recepção. As paredes eram tingidas com um branco leite.
Cadeiras longarinas se espalhavam calculadamente pela grande recepção, como se fossem soldados em formação.
O chão era umidificado pelas gotículas da capa de Jason. Ele não era um dos sujeitos mais belos.
Seu nariz estava quebrado e torto para o lado direito, apenas o simples toque provocaria uma imensidão de sofrimento, seus olhos pareciam estar se empurrando para dentro da sua própria órbita, temendo o que havia lá fora.
Suas mãos tremiam incessantemente, para qualquer um com o olhar minimamente atento Jason era um óbvio usuário, um viciado, porém, ainda que um viciado ele pudesse ser, ele ainda era capaz de seguir ordens.
Ele hesitou, antes de enfim ceder sua carteira de motorista para a recepcionista, essa tão magra e com membros tão finos que pareciam galhos de uma árvore adoecida.
A carteira tinha mofo se criando pela parte superior, a foto de uma a duas dezenas no passado parecia quase que apagada pelo tempo, ainda que não fosse, era fato que o presente momento deturbou a fotografia de modo mil vezes pior a qualquer chuva, ou umidade.
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No Horizon
Science FictionEm um mundo onde o abandono e o desespero são os mais constantes dos sentimentos, e a sociedade tem sua visão obscurecida por um véu do seu próprio governo, seguimos a história de algumas das vidas que ainda não se entregaram ao desespero e ao medo...
