"Mamãe, eu consegui um amigo"

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Lian havia acabado de chegar na escola, estava olhando para o chão como de costume, evitando olhar nos olhos das pessoas que passavam. Sua mão suada apertava a alça da mochila em suas costas, tentando se ancorar em algo, em uma tentativa fracassada para se acalmar. A escola era seu pior pesadelo, o problema não era nem as provas, matérias complicadas ou tarefas chatas, eram as pessoas, que ele nunca soube lidar, apesar de ser quase um adulto.


Ao passar pela porta, sentiu sua pele inteira arrepiar, seu corpo já sabia o que aquele lugar significava, 5 horas sentado, rodeado de gente. Na cabeça dele todos se importavam com sua presença e o julgavam em silêncio, quando na verdade cada um estava preocupado com sua própria vida. A aula rapidamente começou e após alguns minutos, Lian já não aguentava mais ficar ali, sua respiração estava ofegante e suas mãos tremiam, até que com dificuldade ele se levantou e disse.


- Professora, posso ir ao banheiro?


O professor acenou com a cabeça, indicando que sim, então ele saiu da sala, suspirando de alívio, então foi até o banheiro para se acalmar. Ao chegar, encontrou um menino de cabelos castanhos com fios grisalhos, sentado debaixo do Dispenser de papel, chorando como um bebê. Lian paralisou, ele ficou preocupado e curioso em relação ao menino, mas travou assim que o viu. Ele fechou os olhos com força e pensou "Ok, Lian, dessa vez você não pode só ignorar, ele precisa de ajuda."


- Olá? - Lian gaguejou, se aproximando do garoto desconhecido.


O menino ao ouvir a voz desconhecida, imediatamente parou de chorar e secou o rosto com as costas da mão.


- O que você quer? - Ele perguntou rudemente, seu rosto avermelhado e molhado por causa do choro.


Lian gaguejou palavras incompreensíveis, seus últimos resquícios de habilidades sociais indo embora. O outro menino parou, então riu baixinho consigo mesmo.


- Desculpa, eu pensei que você queria me zoar ou algo assim. - Ele se explicou. - Mas eu devia ter percebido que não, por sua gagueira nervosa.


Lian parou e levantou suas mãos, que tremiam intensamente, ele as olhou com olhos inquietos então finalmente falou.


- Lian...


- Emanuel, mas pode me chamar de Manu. - Respondeu ele


- Manu... - Lian testou o nome na língua antes de perguntar. - Está tudo bem?


Emanuel bufou, cruzando os braços antes de responder de maneira grosseira.


- Claro, eu estava chorando gritando, mas eu estou bem, caralho.


- D-desculpa... - Disse Lian, ficando cabisbaixo.


Emanuel observou Lian por alguns segundos antes de respirar fundo e se aproximar, dando um tapinha em seu ombro.


- Foi mal, eu não estou acostumado com pessoas sendo gentis comigo. - Murmurou Emanuel.


- Ah, entendo... - Ele desviou o olhar, se encolhendo sob o toque amigável em seu ombro.


- Podemos ser amigos? - Emanuel sugeriu, dando um sorriso simpático para Lian e se distanciando um pouco para lhe dar espaço.


- Sério? Eu aceito... - Ele sussurrou timidamente.


- Qual a sua sala? - Emanuel perguntou.


- Segundo ano B. - Respondeu Lian.


- Eu sou do terceiro A.


- Não parece, você parece mais novo. - Lian disse surpreso.


- Sério? - Ele corou de leve e mexeu o pé de maneira tímida. - Obrigado.

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