O1. sombras e luzes

22 4 2
                                        

O dia começara como qualquer outro para Soobin: silencioso, metódico, e previsível. Ele acordou exatamente às 7 da manhã, como sempre, sem nem precisar de um alarme. A luz da manhã invadia as janelas de seu pequeno apartamento, filtrando-se pelas cortinas, projetando pequenas sombras suaves no teto enquanto ele se espreguiçava, tentando afastar o cansaço de outra noite de sono inquieto.

Sua rotina era quase religiosa. Após lavar o rosto e preparar um café preto — forte o suficiente para mantê-lo acordado, mas não amargo demais —, ele se sentava ao piano no canto da sala. A mesa de jantar, empurrada para um lado, quase parecia uma peça esquecida, pois sua atenção estava sempre voltada aquele piano, que ele herdara da vó.

Soobin pressionou algumas teclas, ajustando a melodia que compunha há semanas. Ela deveria ser fluida, mas havia algo que lhe incomodava, algo que não se encaixava. Ele tocou o trecho repetidas vezes, franzindo a testa, tentando capturar a emoção que sentia, mas não conseguia traduzir.

Perfeito demais, de novo. — murmurou para si mesmo, os dedos parando sobre as teclas.

Ele sempre lutava contra isso: a necessidade de controle, de simetria, de criar algo que atendesse não só às suas próprias expectativas, mas às de todos ao seu redor. Perfeito, mas vazio. Essa era sua maior crítica a si mesmo, mas, ainda sim, ele não sabia como parar.

O restante do dia foi uma sequência de passos previsíveis. Aulas na universidade, intervalos curtos para refeições, rápidas e breves conversas educadas com colegas que ele conhecia apenas de vista. Tudo parecia desprovido de cor, como se ele estivesse apenas passando pelo dia, esperando que terminasse.

Quando o convite da festa surgiu, ele quase recusou imediatamente. Mas, uma mensagem de Beomgyu, um colega da aula de composição, chegou no fim da tarde.

— "Vai ter uma festa hoje à noite, você deveria ir! Precisa relaxar um pouco, Soobin. Todo mundo vai estar lá. Vem comigo!" —

"Todo mundo" era o suficiente para que ele quisesse ignorar a mensagem. Mas, enquanto encarava a tela do celular, algo dentro dele vacilou. Talvez fosse o cansaço de sua rotina sempre igual, ou a culpa de ser constantemente o "esquisito" que nunca aparecia. Ele acabou respondendo seco:

Ok, talvez eu passe lá. —

[ Mais tarde, na festa.. ]

Soobin chegou atrasado de propósito, se tivesse sorte, a multidão já estaria tão distraída que ninguém notaria sua presença. Era esse o plano: entrar, ficar por uns minutos e sair antes que fosse tarde demais.

A música o atingiu como um soco assim que ele cruzou a porta. O baixo pulsante fazia as paredes vibrarem, e as risadas e vozes altas misturavam-se ao som, criando um caos que o fez se sentir imediatamente deslocado. Ele segurava um copo de refrigerante — álcool nunca havia sido seu forte — enquanto tentava encontrar um canto menos movimentado para se esconder.

O apartamento era pequeno para a quantidade de pessoas que se espremiam ali. As luzes coloridas piscando freneticamente, iluminando rostos de forma surreal, como se o lugar fosse um sonho vívido e desordenado.

Soobin não queria estar ali. Ele pensava no piano que deixara em casa, nas teclas que ainda pareciam chamar por ele. Tentava ignorar o aperto no peito, aquele familiar desconforto que surgia sempre que estava rodeado de pessoas. Ele sabia que ninguém dali se importava com sua presença. Não fazia diferença se ele estava ali ou não.

Foi então aí que ele o viu.

Taehyun estava no centro da sala, cercado por um grupo de pessoas que pareciam hipnotizadas por ele. Era impossível não notar. Havia algo na forma como ele se movia, com uma confiança que beirava a arrogância, mas que, de alguma forma, parecia autêntica. Seu sorriso era fácil, natural, e seus olhos brilhavam como se ele estivesse se divertindo mais que qualquer pessoa no ambiente.

Soobin observava de longe, tentando entender o por que de não conseguir desviar o olhar. Taehyun parecia irradicar algo que ele mesmo sempre quisera ter — um tipo de liberdade que escapava a Soobin.

E então, como se sentisse o peso de seu olhar, Taehyun virou a cabeça em sua direção. Seus olhos se encontraram, e Soobin congelou. Ele esperava que Taehyun desviasse o olhar, como qualquer pessoa faria, mas isso não aconteceu. Pelo contrário, Taehyun sorriu. Não um sorriso casual, mas algo provocador, como se já o conhecesse e soubesse de algum segredo do qual Soobin não fazia a menor ideia.

O coração de Soobin disparou. Ele não sabia o por quê. Mas naquele momento, ele sentiu como se tivesse sido visto pela primeira vez em muito tempo — e isso o aterrorizava tanto quanto o intrigava.

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Dec 04, 2024 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

i may destroy you. [TaeBin AU] Where stories live. Discover now