Prólogo

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Agosto de 2011 - 9 anos
ELIZABETH REED

O aroma do chocolate, intenso e irresistível, preencheu o ar ao meu redor enquanto saboreei meu terceiro pedaço de bolo de chocolate, ainda quentinho da cobertura recém colocada.

O gosto doce e rico derreteu na minha boca, fazendo-me sorrir de felicidade.

Mamãe sempre disse que comer muito doce faz mal, que o açúcar pode estragar os dentes, tirar nossa energia, causar doenças como diabetes e engordar.

E, sim, eu pesquisei e é verdade.

Mas, fala sério, o bolo de chocolate da mamãe é infinitamente mais gostoso do que qualquer fruta. E, além do mais, frutas também podem ser perigosas. Veja só a Branca de Neve, por exemplo; ela foi envenenada por uma maçã!

Infelizmente, esse argumento não convenceu minha mãe.

— Vai acabar passando mal assim, Lizzy — ela disse, do outro lado da bancada da cozinha.

— É o último pedaço, mamãe, prometo! — fiz a melhor cara de anjinho que consegui.

Ela suspirou, balançando a cabeça com um sorriso amável nos lábios.

— Ligeirinha! Não se esqueça de que prometeu levar um pouco para suas amiguinhas amanhã — lembrou, apontando um dedo para mim.

Assenti.

Depois de todo o alarde que fiz sobre o bolo de chocolate da mamãe, minhas melhores amigas, Ollie e Lena, ficaram morrendo de vontade de experimentar, então prometi que levaria para o lanche de amanhã.

— E não se esqueça de que o jantar é daqui a pouco — avisou, dando-me um beijo suave na testa antes de sair da cozinha.

Coloquei o garfo de lado e encarei o bolo. Sabia que mamãe tinha razão, mas era difícil resistir a algo tão delicioso.

Suspirei e decidi que, da próxima vez, seria mais forte e comeria só um pedaço. Ou talvez dois.

Escutei a porta da frente batendo e logo meu pai apareceu na cozinha, com uma expressão séria no rosto.

— Ei, princesinha, o que está fazendo? — perguntou ao me ver frente a frente com o bolo.

— Economizando espaço para a janta — coloquei a mão na barriga e ele riu fraco. — Podemos assistir ao filme das princesas hoje, pai?

Perguntei, ansiosa, e ele suspirou.

— Hoje não vai dar, filha. Tenho uma reunião depois do jantar. Quem sabe outro dia?

Meus ombros caíram em desânimo.

— Prometo que, assim que der, assistiremos — disse, dando-me um beijo na bochecha.

— Tá bom — murmurei, cabisbaixa.

Era sempre assim. Fazia tempo que ficava pedindo, mas papai nunca podia porque sempre tinha algo do trabalho para fazer.

Mamãe explicou que ele é um homem ocupado, mas vi uma tristeza em seus olhos azuis.

Na verdade, mamãe tem andado estranha ultimamente. Ela e papai têm estado mais sérios quando estão juntos, não sorriam mais e se abraçavam menos.

Eles costumavam se abraçar muito antes. Será que estavam brigados? Mas, hoje de manhã, se beijaram e se abraçaram!

Acho que é coisa da minha cabeça. Eles se amam, senão não teriam se casado, e quem ama não briga.

Quer dizer, às vezes mamãe brigava comigo quando deixava minhas roupas espalhadas ou pedia mais livros de contos de fadas sem terminar os da estante, mas não durava muito e logo ela me enchia de carinho. Isso não conta como brigar de verdade, né?

VeritasWhere stories live. Discover now