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Prólogo

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É minha primeira história aqui, desculpem os erros ou se estou fazendo isso errado, tenho essa história na geladeira desde 2014. Resolvi reescrever com minha visão atual do mundo e ao ler percebi... que mesmo depois de 10 anos segue sendo extremamente atual.


Se você está lendo isso eu estou morta..

O engraçado é que morremos várias vezes ao decorrer da vida sem perceber os pedaços deixados nos emaranhados da história. Minha primeira morte foi quando nasci. Não respirei por 30 segundos inteiros.

Minha mãe contou cada milésimo esperando ouvir meu grito de agonia, ela sorria ouvindo meu choro enquanto em desespero o ar rasgava meu pulmão, violentamente obrigada a sobreviver nesse mundo vazio.

Eu poderia dizer que minha segunda morte foi a morte da minha inocência, mas nunca a tive. Os sons das criaturas que rastejam por aquele chão me mantinham acordada, às vezes esperava que viessem me pegar a noite, sabia que para eles seria deliciosa apesar de magra.

Meu pai e todos os homens da nossa tribo se exauriram além das próprias forças para nos alimentar. O chão infertil só dava pedras e cascalhos. Me lembro de uma vez comer algo tirado do chão, um velho tio em desespero pelo rigoroso frio, foi perto da luz proibida.

Graças a ele tivemos comida aquela noite, os pedaços daquela pedra diferente que era amarela por dentro foram picados e colocados no caldeirão de sopa. Os mais fortes comeram primeiro para ter força de continuar caçando. As crianças e mulheres vieram em seguida. Então os idosos conseguiram comer o restante. Dias depois o velho tio se foi, era um homem corajoso.

Quando o verão mais ameno veio o frio já era suportável e meu pai me ensinou a segurar uma faca. Gaius, aquele menino irritante, costumava me derrubar dizendo que eu não sobreviveria caçando.

Então ele provou que estava certo.

E foi a segunda vez que morri, quando o som dos seus ossos quebrando perfurou meus tímpanos e o choro da mãe que perdeu um filho rasgou o que restava de mim.

O que restou de mim morreu pouco depois que eles chegaram, vindo da luz como anjos salvadores. Trazendo esperança e promessas. Fui a primeira a vê-los, fui a primeira a odiá-los. Fui a primeira a confiar minha vida a eles.

Mas o que podiam esperar sendo que minha vida nunca valeu nada? Então quando morri não doeu como das outras vezes, fiquei em paz.

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"A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero." ~ Henry David Thoreau.

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