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Um beco sem saída.

Maravilha! Você foi enganada, Catherine!

Encaro a casa em minha frente como se eu pudesse atravessar pela mesma, na esperança que realmente houvesse uma editora que precisasse de funcionários por ali. Abaixei o olhar até o bilhete em minhas mãos, amassei o mesmo sentindo uma enorme frustração dentro de mim.

Emilly.

Era a suposta "melhor amiga" de Jace, meu namorado. Ela sabia que eu precisava de um emprego e que eu estava desesperada, mas mesmo assim me passou um endereço falso, pra me fazer perder tempo, pra me magoar.

Ela deve estar se esfregando em Jace agora mesmo no meu colchão. Porra!

Não é de hoje que eu sei que os dois tem um caso, eles não sabem que eu sei, e nunca tomei uma providência. Eu preciso de um lugar pra morar, não vou voltar pra casa dos meus pais, não depois de desafia-los para morar com Jace. Por isso que preciso arrumar um emprego.

Caminho de volta até a avenida principal, observando o movimento das pessoas sobre as calçadas, vestiam sobretudos e cachecóis. Paris envolvendo a todos de sua forma gélida e silenciosa. O céu estava nublado, o sereno da manhã ainda pairava sobre a cidade, as cores alaranjadas do outono formavam a paleta de cores dos mercados. Era setembro.

Faltava muito pra que eu estivesse finalmente em casa, então observo a rua na espera de um táxi. Caminho até uma esquina, me deparando com uma floricultura pequena. Observo os buquês de flores de diversos tipos, rosas vermelhas, rosas brancas, tulipas, lírios e margaridas.

- Parece que se interessa em margaridas - me assusto com a voz repentina. Me viro e me deparo com um senhorzinho de rosto gentil, ele usava uma boina e um suéter marrom escuro, seu nariz estava rosado, assim como suas bochechas, ele me encarava com um sorriso simpático.

- São flores lindas! - respondi também de maneira gentil, o que fez o senhor dar mais uns passos em minha direção se inclinando para mim.

- Sabe o significado delas, minha jovem? - acenei com a cabeça em negação - Elas simbolizam a juventude, a pureza e a paz. Creio que lhe traria uma imensa paz se a levasse, parece que precisa de um pouco.

Paz...

- Precisaria de sorte também, as coisas não tem dado certo - dou uma risada tímida. Ele me olha com pena, como se soubesse.

- Girassóis - ele diz pegando um punhado de margaridas e seguindo até a parte de dentro da floricultura, voltando com mais um punhado de flores, dessa vez, de girassóis - Saindo um pouquinho de sorte e paz para essa senhorita tão linda!!

- Pardon, monsieur! Não irei comprar. - digo de maneira apressada, vendo o senhor montar o buquê e ir em busca de um cartão de presente. - Não tenho dinheiro, saí somente com o dinheiro do táxi.

- Não se preocupe, mademoiselle, é um presente - ele diz abrindo mais um sorriso, suas mãos com cuidado enrolam uma fita vermelha em volta do buquê. - Me diga seu nome e número de telefone, preciso preencher o cartão.

- Me chamo Catherine, Catherine Durant - ele preenche um pequeno bilhete, junto da etiqueta do buquê. - Por quê precisa do meu número?

Ele ri

- Fique tranquila, você mesma pode preencher, é somente um bilhete de sorte - ele estende a caneta me fazendo escrever meu número. Um sorteio. Não me dei o trabalho de ler o prêmio. - Aceite o buquê de graça, em recompensa, divulgue minha floricultura para seus amigos. Um dia eles precisarão domar o coração de uma dama.

IndomávelWhere stories live. Discover now