A Exploração

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A respiração era o único som no começo.

Rápida, pesada, quase um grunhido contido. Os pulmões dele queimavam, e o peito subia e descia como se o ar não fosse suficiente. Ele pulou com força, as solas das botas encontrando o teto amassado de um carro, que rangeu em protesto.

Bum. Os passos eram apressados, o impacto ressoava pelo metal enquanto ele se lançava de um carro para o próximo, tentando manter o ritmo. Outro pulo, o baque e o rangido das latas de lixo lá embaixo quando ele pousou. Não olhou para trás, não ousou - sabia que não precisava. Sentia a presença deles.

Um rosnado grave e ameaçador rasgou o silêncio, próximo demais. Ele engoliu em seco, correndo um pouco mais rápido, pernas tensas, os braços balançando para manter o equilíbrio enquanto saltava. O grunhido dos infectados ecoava cada vez mais perto. Os passos firmes e pesados dos três zumbis batiam contra o asfalto, como martelos, incansáveis.

"Droga, droga..." Ele murmurou entre os dentes, ainda sem fôlego. Saltou novamente, as mãos tocando o metal enferrujado e áspero de um capô de carro. Seus dedos escorregaram por um segundo, e seu coração quase parou - mas ele se firmou, usando a força que restava para se impulsionar e seguir adiante.

"Vocês podiam, sei lá... desacelerar um pouco?" Ele sussurrou com sarcasmo seguido de uma leve e breve risada, sabendo que ninguém responderia.

Aquela era sua vida agora: correr, pular, sobreviver. O som de latarias se amassando e o eco dos seus próprios passos contra o metal ressoava pelo beco estreito. Ele não tinha tempo para pensar, apenas para reagir. Naquele instante, só havia ele... e os três infectados famintos logo atrás.

Em saltos constantes, ele avistou um caminhão atravessado na rua, um dos muitos destroços dos primeiros dias do grande caos. Sem perder o ritmo, correu na direção dele. Com movimentos rápidos e precisos, pulou, agarrou-se na beirada enferrujada por um momento escorregou mas se recompôs rapidamente e impulsionou o corpo para cima do veículo.

Uma vez em cima, ele lançou uma breve olhada para trás. Lá estavam eles, os três infectados, correndo a toda velocidade, frenéticos, os olhos vidrados e os rostos torcidos em um misto de raiva e fome. Um arrepio percorreu sua espinha, mas não perdeu tempo.

Aproveitou o obstáculo que atrasara os zumbis e retomou a corrida sobre o

Continuando a corrida, ele aproveitou o breve atraso dos frenéticos e dobrou a esquina em um impulso. Foi então que a avistou: a loja de armas. Com o coração disparado, sentiu uma onda de alívio misturada à urgência. Sem pensar duas vezes, correu em direção à entrada, onde os vidros estourados das portas denunciavam o caos dos primeiros dias.

Ele deslizou para dentro e se escondeu atrás da parede próxima à entrada, respirando fundo e tentando controlar o som dos próprios passos. Do lado de fora, ouviu o som dos frenéticos, seus passos apressados e rosnados furiosos enquanto corriam pela rua, ainda em sua perseguição, mas sem perceber onde ele estava.

Esperou até que o silêncio voltasse a dominar o ambiente antes de se mover novamente. Só então avançou para dentro da loja, os olhos atentos a cada sombra e som. Precisava encontrar algo que o protegesse - algo que desse a ele uma chance real de lutar

Dentro do prédio, ele avançava em passos cautelosos, o som das botas abafado pelo chão coberto de entulho. Após uma rápida busca, encontrou a sala que procurava: sobre a porta, lia-se "Depósito de Armas e Munições". Seu coração bateu mais forte. Era ali.

The Chaos In São-PauloStories to obsess over. Discover now