O ambiente pulsava com uma força quase concreta, uma mistura de ânimo, eletricidade e uma pitada de bagunça. Câmeras dos repórteres brilhavam como raios certeiros, admiradores berravam meu nome juntos, colunistas ofereciam microfones como bocas sedentas por informações. Todos me envolviam, um maremoto humano que me tragava totalmente. As perguntas trombavam, uma enxurrada constante sobre minha história: shows, viagens, namoros, minha meninice, meus receios, meus anseios... Era uma invasão, uma busca intensa por detalhes que, muitas vezes, nem eu conhecia direito.
Inspirei fundo, procurando um ponto de equilíbrio naquela confusão. Selecionei algumas pessoas, buscando equilibrar a vontade de atender os fãs mais apaixonados com o dever de responder aos colunistas. Meu primeiro alvo foi uma repórter com um vestido rosa chamativo, uma pincelada de cor no meio do mar de faces e luzes.
— William, procede que você não quer se relacionar afetivamente com ninguém? — perguntou ela, a voz quase sumindo no burburinho.
Respondi com um sorriso leve, buscando parecer calmo, apesar da tempestade de emoções dentro de mim.
— Olha, a real é que não estou ativamente buscando nada. Mas... o futuro é imprevisível, né? As coisas rolam quando a gente menos espera.
A plateia reagiu com um coro de suspiros e gritos de apoio, uma onda sonora que me fez sentir a grande pressão e o peso que eu carregava.
Outro repórter, este usando um casaco do Mickey Mouse, ousou chegar mais perto. Sua questão foi mais direta, mais incisiva, quase agressiva.
— William, procede que você é virgem?
Um riso tenso saiu dos meus lábios. Era uma pergunta invasiva, desrespeitosa, mas eu tinha que responder.
— Vejo que vocês querem saber de tudo hoje — falei, com um sorriso amarelo. — Mas a resposta é não. Eu não sou mais virgem. Isso aconteceu antes de tudo isso…
A declaração, mesmo rápida, pareceu soar no silêncio que se fez por um instante, antes que a plateia explodisse de novo em uma torrente de comentários e questões.
A conversa seguiu num ritmo acelerado, com fotos, autógrafos e perguntas sobre minha vida pessoal. Comentei que meus pais verdadeiros tinham falecido quando eu já era adulto, tentando não entrar em detalhes sobre as memórias dolorosas que ainda me perturbavam.
No entanto, algo específico me chamou atenção, um detalhe que se destacava no meio da agitação da entrevista. Um fã peculiar, vestindo roupas escuras da cabeça aos pés e usando uma máscara que cobria todo o seu rosto, mostrando somente seus olhos. Olhos escuros, profundos e analíticos. Já o tinha visto antes, mas nunca tão perto. Ele me encarava, fotografando, com os olhos fixos nos meus, um olhar que me deixava apreensivo, um certo desconforto. De repente, o flash de sua câmera brilhou com uma força inesperada, me fazendo fechar os olhos por um instante. Quando os abri novamente, ele ajustava o flash, como se tivesse sido um acidente. Mas eu não tinha tanta certeza. A dúvida, como uma semente de incerteza, nasceu nos meus pensamentos.
Tayler, meu segurança, falou baixo perto do meu ouvido:
— Está na hora, chefe.
Dei um até logo aos fãs, ainda zonzo pelo encontro, com a imagem daquele fã peculiar gravada na minha mente. Entrei no carro, cercado pelos meus seguranças, mas a imagem do fã misterioso, com seus olhos vívidos e profundos, ficava na minha mente, uma curiosidade incômoda que me seguia.
A figura do fã misterioso, com aqueles olhos escuros e penetrantes, permanecia na minha mente como uma sombra constante, me acompanhando no caminho até o hotel. O trânsito da cidade, geralmente um caos de luzes e sons, parecia intenso, cada buzina, cada freada, cada conversa, ecoando na minha mente, onde a figura do fã peculiar dominava tudo. Ao chegar no hotel, a sensação de exaustão era quase física, um fardo que me sufocava. Não tinha tempo para a costumeira simpatia, para a gentileza com os funcionários; só queria chegar ao meu quarto, me isolar do mundo, me entregar à escuridão e ao silêncio.
O quarto, geralmente um refúgio, parecia um palco para a minha crescente aflição. A chave na fechadura, o clique discreto, o peso da porta abrindo, tudo ampliado, cada detalhe cheio de uma tensão que eu não conseguia controlar. Tirei as roupas rapidamente, o tecido das roupas parecendo pesado, áspero em contato com a minha pele. O chuveiro, com sua água morna e relaxante, foi um breve alívio, um momento de conforto em meio à tempestade que se formava em mim. Mas nem mesmo a água, que geralmente me acalmava, conseguia apagar a imagem do fã peculiar, seus olhos escuros me observando através da água e do vapor.
Acomodado na cama com um roupão macio, eu buscava no sono um alívio para a dor que sentia. O que encontrei foi um pesadelo horrível, uma onda avassaladora de medo e sombras. As paredes do quarto se transformaram em penhascos cobertos por um sangue espesso e grudento. Um clamor desesperado ecoava, um pedido de socorro que parecia vir de mim, mas que eu não reconhecia. Uma voz fria, implacável e assustadora sussurrava sentenças cruéis que me atingiam profundamente, me paralisando de terror. Era um pesadelo vívido, assustadoramente palpável, uma sensação intensa que me deixava sem ar, preso na própria angústia.
Acordei num pulo, com o coração batendo descontroladamente, como se fosse um tambor em ritmo frenético. O ar parecia sufocante, abafado, impregnado por um medo constante que me fazia tremer dos pés à cabeça. A cena do sangue, das paredes manchadas, não saía da minha cabeça, permanecia ali, vívida. De repente, a porta se abriu com um estrondo e Tayler, meu guarda-costas, entrou apressado, com uma expressão tensa e os olhos cheios de preocupação.
— Que foi? O que aconteceu? — perguntou ele, com a voz carregada de ansiedade.
— Apenas um pesadelo idiota — consegui murmurar, com a voz rouca e a garganta seca. Tentei me recompor, querendo parecer forte e disfarçar o medo que ainda me dominava por completo. Ele me tranquilizou, avisando aos demais que não havia motivo para alarme, que tudo não passava de um alarme falso. No entanto, o horror da cena, a imagem do sangue, as palavras ameaçadoras, tudo isso continuava martelando na minha mente, uma lembrança terrível que me assombrava, gerando um clima de pavor e incerteza sobre mim mesmo.
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Fã Misterioso(Em Andamento)
Novela JuvenilAos 23 anos, a fama de William contrasta com os problemas que o assolam, reflexo de um passado sombrio e um presente desafiador. A obsessão de um fã misterioso agrava ainda mais a situação. Em meio ao caos, ele conhece um cara que o leva a repensar...
