Capítulo 1- Cartas à Você

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Era um domingo chuvoso e frio. Pietra, com os seus 35 anos, havia acabado de chegar de um plantão conturbado no hospital em que trabalha.

Ela estava cansada demais para reclamar do fato que ao chegar em casa, estava sem luz e água quente para tomar banho (mas isso por culpa dela mesmo, porque havia esquecido de pagar novamente a conta de luz).

Ela vivia cansada e frustrada, e nesse dia chuvoso isso não seria diferente.

Após tomar seu banho gelado, entrou em seu quarto e foi procurar uma roupa. Ela tinha acabado de se mudar para um novo apartamento, então imagina a bagunça e a dificuldade em encontrar uma roupa.

Mesmo ao sair da casa de seus pais, ela não estava feliz. Ela sentia que sempre faltava algo nela, algo que ela sabia bem o que era e sempre teve vergonha de assumir.

Ela nunca esqueceu ele, tampouco fez questão de esquecê-lo. Todos os dias seus pensamentos voltavam à época em que ela o conheceu, época que ela sente falta mas ao mesmo tempo também não sente.

Época que ela tinha tudo escrito em cartas, cartas nunca entregues e lidas por outras pessoas sem ser ela mesma. Talvez a falta de luz e uma garrafa de vinho de procedência duvidosa a fizeram decidir ir atrás da caixa que ela guardava todas essas cartas escritas na época em que era mais jovem.

Ao abrir a caixa, sentiu um nó na garganta porque ela sabia muito bem todas as palavras escritas ali. Palavras escritas para um amor não correspondido. Palavras que ela decidiu reler uma por uma.

Pietra pegou a primeira carta, escrita no dia 30/07/2024, quando ela tinha 23 anos.

Sinto sua falta...

Sim, hoje percebi que sinto sua falta. Ao não te ver hoje, senti uma tristeza enorme, pois eu precisava te ver.

Eu sinto sua falta. Sinto falta de te ver de longe, mesmo não falando com você.
Eu sinto sua falta, sim eu sinto a sua falta! Mesmo você não me enxergando da mesma maneira que eu te enxergo.

Hoje a falta que eu sinto de você apertou forte no meu peito, e eu não sei mais o que fazer com ela. Mesmo sabendo que a sua presença me machuca, eu quero estar com você.

Hoje, ao saber que não vou te ver nem tão cedo, senti a necessidade de chorar, porque a decepção foi tão grande, que virou lágrimas.

Sim, eu sinto a sua falta e isso dói. Dói mais ainda saber que você jamais irá sentir o mesmo.

Dói saber que você nunca irá sentir a mesma falta que eu sinto da sua presença...

Com tristeza, Pietra.

Pietra fechou a carta com imensa dor e tristeza. Ela desabou ao ler e percebeu que a semana seria longa de novo. Percebeu que deveria ir deitar e chorar por alguém que nunca mais irá ver na vida e ter.

Cartas à Você Histórias para pegar e não largar. Descubra agora