- Último dia desses longos anos na faculdade e eu não vejo a hora de voltar para a Grécia e finalmente trabalhar como Curadora da Arte Medieval. - foi a resposta que dei para a professora, que nos perguntou qual era o pensamento que havíamos começado o dia.
- Eleanor, explique para a turma um pouquinho do que é isso, por favor.
- Bom, essa profissão contribui para a preservação do rico patrimônio artístico da Grécia, onde vou poder promover a arte medieval para futuras gerações, então pretendo atuar como palestrante em universidades, e trabalhar em museus de arte e históricos.
- Ah sim, vai voltar para o meio do pó. - uma voz feminina e baixa ecoou do meu lado.
Georgia, era uma menina sem sal, achava que poderia se tornar tão boa quanto eu, mas ela chegou no segundo ano do curso, porque veio transferida de uma faculdade de Londres, uma gótica miserável, que acha que a Arte Gótica vai torna-lá o Giotto di Bondone.
- E você, vai assumir a posição de algum gárgula em uma catedral qualquer? Conta pra gente. - apoiei o rosto nas minhas mãos e me virei para ela.
Ela riu.
- Vou lecionar em uma universidade sobre História da Arte, além de ministrar workshops e palestras sobre a Arte Gótica, além de incluir pesquisas de novos achados e publicar artigos em revistas e sites acadêmicos. Contribuindo para a valorização e compreensão da Arte Gótica em Londres.
Foi minha vez de rir. - Se meu pai fosse vice-diretor de uma universidade e responsável pela publicação de folhetos estudantis, eu também faria a mesma coisa que você.
- Bom, meninas. - a professora interrompeu. - Embora vocês achem que os ramos que querem seguir são opostos, não são, uma coisa precisa muito da outra para funcionar. Mas, fico contente com suas escolhas, agora quero ouvir a Ruby.
Ruby estava na última carteira, essa idiota era minha melhor amiga, mas uma péssima estudante, ela estava de fone de ouvidos, com a cabeça apoiada na mesa, e sinceramente, ela só chegou até aqui, porque dei todas as colas para ela e fiz quase todos os seus trabalhos acadêmicos. Seu pai era um empresário foda que trabalhava em Miami, o cara tem grana, Ruby só vai se formar e voltar para lá, ela não pensa nem em seguir carreira, e se perguntar para ela qualquer ramo da Arte que lhe interessa, ela vai responder que qualquer um que deixe ela pintar livremente.
- Ah, professora. - ela ergueu a cabeça e tirou os fones de ouvidos. - talvez eu, sei lá, volte para Miami, e trabalhe em algum lugar que eu possa pintar...pranchas de surf.
A turma toda riu, eu também, mas era algo legal, a garota era herdeira, eu também teria dado uma resposta dessa se estivesse com a vida ganha.
A professora começou a aula, e particularmente, não desprezando nem nada do tipo, mas já estávamos no último ano, essa disciplina tivemos ao longo do curso todo, todos já sabiam, até Ruby, e olha que ela mal presta atenção, mas fiquei ali, compartilhando tudo o que eu sabia.
Na hora do intervalo, estava lendo na praça do campus, quando Joshua chegou, eu e ele éramos..."amigos", nós já tínhamos ficado algumas boas vezes, mas, ele nunca me pediu em namoro, e eu nem sei se gostaria disso, sabe, ele me faz bem, mas, eu prefiro me formar e casar com algum grego.
- Oi Afrodite. - ele falou, com seu sorrisinho cafajeste.
- Olha, existe outras deusas gregas na Grécia, você pode estudar e descobrir mais.
- Gosto dessa, combina com você. Mas eai, queria ter uma conversa com você.
Fechei o livro. - Sobre o quê?
Ele afastou uma mecha do meu cabelo e colocou para trás da orelha.
- Você vai se formar esse ano, e eu só me formo no próximo, como...como vamos fazer? Você fala todos os dias sobre sua vontade voltar para Grécia, mas, sua família está toda aqui nos Estados Unidos, só seus avós estão lá, seus amigos estão aqui e eu estou aqui.
- Olha Josh, é o meu sonho, sabe? Você cursa Mecânica, são duas coisas muito diferentes, eu posso seguir o meu sonho lá, e você o seu aqui, nós temos celulares, nós podemos ligar, mandar mensagem, eu posso tentar vir para cá quando der e você ir para lá, mas, eu não quero ficar aqui, e eu não vou ficar.
- El, eu amo você.
Calma, pisquei algumas vezes seguidas, e me afastei, Joshua jogava no time de Basquete, e tinha muitas meninas que fariam muitas coisas para ter ele, não faz muito sentido ele me amar e querer algo assim.
- Josh, eu...
- Eleanor! - alguém chamou meu nome, e me virei. - Eu preciso de você, tipo, agora! - era Ruby, e por Deus, obrigada Ruby, eu também precisava de você.
- O que foi?!
- Vem comigo. - ela agarrou minha mão, e me puxou.
- Conversamos mais tarde. - foi o que falei antes de sumir correndo com Ruby pelo campus.
Ela me levou até a sala de teatro, onde estava vazio.
- O que foi?! Você está pálida, mais do que já é. - perguntei.
- Lembra da Sienna? A menina que te falei, do terceiro ano de Psicologia, cheia de tatuagens?
- Sim, o que aconteceu?
- Ela me chamou pra fazer algo no Sábado a noite. E eu estou tremendo!
- O quê?! E você disse o quê?
- Bom, disse que sim, mas ela quer ir em uma balada, e eu disse que iria, mas ela falou que vai ir uma amiga junto, então eu preciso que você vá também.
- Não, desculpa, mas não vai rolar. Da última vez precisei ficar ouvindo a menina de Direito falar sobre vinte e duas leis, enquanto você pegava a amiga dela no banheiro, não vou.
- Por favor, não me deixa na mão! Essa é a última vez, por favor.
Ela estava tão lindinha implorando, que eu aceitei a ideia ridícula, mas sabia que ia me arrepender, eu não gosto de baladas, e eu mal sei beber, e não tem nada de comer por lá.
- Ru, Josh falou que me ama.
- Como assim? - ela cobriu a boca, com a mão.
Dei alguns passos pra trás, me escorei na mesa, e suspirei. - Não consigo sentir nada tão forte por ele, sério, eu já tentei, mas tem alguma coisa errada comigo, eu não sei o que é.
- Você quer que eu fale o que é?
- Eu não gosto de mulheres.
Ela me olhou, e semicerrou os olhos.
- Você não consegue transar com caras porque diz que tem nojo, e disse que já sentiu vontade de beijar algumas mulheres "por curiosidade". Se você, se sente segura e sabe que não gosta de mulheres, por que não experimenta, só pra tirar a dúvida?
- Não tenho dúvidas, eu não sou lésbica.
- Ah, existe uma letra em LGBT, esse B, não é de bipolar, é de bissexual.
- Você pode parar?
- Beleza, já parei. Cara, manda a real pra ele, pede desculpa, diz que não achou que ele iria se apaixonar por você, e que você não sente o mesmo, apesar dele ser um cara legal, você só vê ele como amigo.
Suspirei fundo.
- Ah...- Ruby falou, como se tivesse esquecido. - essa festa de sábado, é de máscaras.
- Não tenho máscara.
- Eu sei, por isso já arrumei as nossas.
Eu não consegui não rir, no mesmo instante, o sinal tocou, e fomos para a sala.
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Rivais no Auditório, Aliadas no Amor
FanfictionEm Yale, a prestigiada universidade onde o curso de História da Arte é tão competitivo quanto fascinante, duas alunas brilhantes, Georgia e Eleanor, travam uma intensa rivalidade. Ambas disputam ferozmente o título de melhor da turma, e suas constan...
