1 - Luna

10 1 0
                                        


Quando eu tinha meus 2 anos de idade meu pai trouxe um filhote para casa, eu nunca tinha ficado tão feliz em meus poucos anos de vida, um cachorrinho? Era tudo que eu tempere quis, ela iria ser como se fosse minha irmã, já que sou filho único. "Não vou mais ter que ficar sozinho!" Era meu único pensamento, que continuou por anos de minha infância.

Os anos se passaram e Luna começou a crescer, ficando maior que eu, já que ainda era uma criança pequena. Sempre perguntavam para meus pais, "Vocês não tem medo de que ela machuque ele?" Eles sempre respondiam que não, Luna não seria capaz de fazer mal a ninguém, seu nome já dizia, ela significa calmaria, trazia paz e esperança para nós, sempre sendo dócil com quem conhecia e nunca fazendo barulho, a verdadeira perfeição.

"Nossa, como ela é masinha" todos que a conheciam falavam, e era a verdade. Luna era realmente carinhosa e educada, se ela tivesse sido uma pessoa, todos falariam que ela exalava elegância apenas pelo seu jeito de ser, quieta, calma, com postura e educada.

.
.
.

Depois de alguns anos, meus pais adotaram mais animais de estimação, somente gatos, assim sua atenção foi voltada apenas para eles, já que eram "autolimpantes" pequenos, não faziam bagunça, eram fofos e mais novos. Eu só via aquilo acontecer, Luna estava lentamente sendo esquecida, até pararam de pagar o petshop que ela ia tomar banho. Tudo foi decaindo com o passar do tempo, ela estava envelhecendo, eu estava crescendo, a única coisa que eu podia fazer é ver como ela ficava cada vez mais deplorável, seus pelos sujos pela falta de banho, unhas longas que já entravam em suas patas, milhares de pulgas que não a deixavam ficar sem se coçar nem mesmo um segundo, algumas falhas em seu pelo, junto de feridas abertas por causa das coceiras feitas por suas longas unhas, além de seus olhos, que um dia foram tão pretos e brilhantes, agora eram brancos, completamente sem vida.

Era triste, triste ver a cachorrinha que sempre ficava no sofá conosco agora estar no canto da sala, como se fosse um brinquedo que uma criança se cansou de brincar. Agora eu já tinha 15 anos, ela estava com 13, uma idade avançada para um cachorro, mas a única coisa que eu pensava é que a maior parte de sua vida foi na dor, ela sofreu grande parte dela, e logo morreria desse jeito, como se tivesse sido esquecida.

Um dia eu cheguei da escola e fui procurá-la em seu cantinho de sempre, ela não estava lá. Minha mãe já tinha saído para trabalhar, então fiquei até seu horário de volta sem saber para onde Luna tinha ido. Quando minha mãe voltou, ela disse que tinha levado ela no veterinário, ela havia piorado.

Alguns anos atrás, tínhamos descoberto dois tumores em sua barriga, por causa de que? Falta de cuidado, meu pai não havia castrado ela. Então ao longo dos anos, foram piorando, e apenas nesse dia, descobriram que eram malignos, era câncer.

Eu olhava para Luna e pensava "por que ela está tão ofegante?", tá aí a resposta, por causa que o câncer já tinha se espalhado para seu pulmão. Ela não conseguia mas respirar direito, não tinha nem como fazer uma cirurgia. A única coisa que podíamos fazer era dar remédio para ela "ficar mais confortável".

Na noite daquele dia, minha rotina foi igual, me deitei as 21:00 e liguei meu despertados para as 04:30, infelizmente teria que ir para a aula no dia seguinte. Minha mãe se deita do meu lado esquerdo da cama, já que meu pai tinha viajado a trabalho e não dormia mais lá. A Luna estava do lado de fora da porta, na minha direita, ainda com uma respiração pesada e acelerada, meus dias tinham virado isso, a casa ficava um silêncio e a unica coisa que eu escutava era ela. Depois que eu já havia feito tudo que precisava, eu fecho os olhos e durmo, conseguindo descansar depois de um longo dia de aulas.

[...]

Eu começava a acordar, escutando alguns barulhos, ainda estava atordoado pelo sono, não conseguia identificar o que era nem onde estava. Percebia que um deles vinha de meu lado, então o meu olhar se volta para a esquerda, onde minha mãe dormia. 'O que é isso? Que barulho é esse?' Era a única coisa que eu me perguntava, ainda estando meio zonzo. Então eu ligo meu celular, apenas para ver a hora
.. 01:15. Estava muito cedo para meu celular despertar, mas provavelmente não conseguiria pegar no sono novamente depois daquilo. Só ficava me perguntando que barulhos eram aqueles, ao passar dos segundos, que pareciam horas para mim, o som que eu até chegava a achar que era uma risada, ainda pensando que estava sonhando, se torna um choro, sempre tinha sido um choro, o choro de minha mãe. Ao prestar mais atenção, eu noto ao fundo uma respiração, bem acelerada, era de duas expirações por segundo, muito pesada, só poderia ser de Luna. 'Então é isso' foi o que eu pensei, minha mãe estava chorando por causa que a Luna tinha ido para seu lado da cama, se deitar lá.

Minha mãe sempre chora tanto na minha frente, mas infelizmente eu não tenho o poder dela de confortar um filho, mesmo ela agindo como se fosse a minha. Ela sabia que isso iria acontecer, mas nunca fez nada, eu me perguntava se quando minha cachorrinha fosse morrer, ela apenas pararia de respirar, morrendo lentamente na mesma escuridão que eram seus olhos quando ainda enchergava, mas que agora traziam isso a ela, apenas um breu.

Eu apenas fico quieto enquanto escutava minha mãe chorar, o que mais poderia fazer? Eu não tinha trabalho para conseguir dinheiro e pagar algum tratamento para a Luna, quem podia era meu pai. Há, meu pai, ele sempre faz o que quer, quando quer, incluindo a vez que ele levou um filhotinho para casa sem perguntar para ninguém, como se fosse uma surpresa, mas que surpresa. Isso levou minha mãe a sempre reclamar dele para mim, "ele tirou a chance dela ter uma vida feliz, de morar em uma casa onde seus donos tinham uma condição para cuidar dela e dar amor", era verdade, mas o que poderíamos fazer agora?

"Será que a Luna pensa que a gente não quer ajudar ela?", minha mãe me perguntava, e como sempre, eu só respondia "não sei", por que se eu falasse a verdade do que eu acho, era um conflito entre dois extremos. Que ela deve nos amar do mesmo jeito, depois de tudo o que ela passou por nossa causa. E que ela deve se sentir mal por nos ter como donos, que ela sente raiva por ser considerada inferior a nós.

.
.
.

Eu chego em casa novamente, agora era um silêncio, mas sem barulho algum, nem mesmo aquele de respiração pesada e acelerada que tinha se tornado minha rotina escutar. Ela se foi. Agora eu estava sozinho novamente, sem a minha cachorrinha que havia me acompanhado a vida toda, eu vi ela envelhecer, mas ela ainda tinha uma imagem minha de quando eu tinha dez anos, que foi quando ela ficou cega, ela não pode nem ver como eu estava crescendo. Eu até fico feliz, por ela não conseguir ver o estado em que ela mesma se encontrava, até fico feliz de que ela tenha ido, não posso ser egoísta de querer que ela fique mesmo sua vida sendo uma tortura, agora eu fico feliz de ela finalmente poder descansar.

.
.
.
.










Significado do nome Luna: significa lua e normalmente está relacionado a luz, simbolizando calmaria e esperança.

You've reached the end of published parts.

⏰ Last updated: Sep 05, 2024 ⏰

Add this story to your Library to get notified about new parts!

Teen Life - BeomgyuStories to obsess over. Discover now