Ela tinha me pedido para falar tudo aquilo que eu gostaria de falar para Sand. Minha terapeuta havia pedido isso depois de um mês que eu já estava me tratando, e, depois de muito tempo, eu parei para pensar no que eu teria para falar para Sand ou qualquer outro amigo meu. Será que eu gostaria de falar que eu sempre estive certo? Pedir perdão? Implorar? Não poderia continuar vivendo como antes?
— Ray?
Olhei para ela, ainda me indagando o que dizer. Não. Não quero falar nada, não agora, ainda não!
— Não tenho nada para falar.
— Você tem certeza? — insistiu a mulher, mas eu permaneci calado. — Certo. Quero que você pense nessa semana sobre o que você gostaria de falar para qualquer um de seus amigos ou até mesmo seu pai. Me traga isso na próxima consulta.
Concordo levemente com a cabeça, mas sabia que não ia fazer isso. Eu não queria. Não posso. Não consigo.
Saí do consultório quieto, minhas mãos no bolso da minha calça suavam pelo nervosismo. Sand me esperava na recepção, e assim que me viu, levantou-se da poltrona; juntos, caminhamos para fora daquele lugar em silêncio. Ele sempre respeitou esse meu tempo, e eu agradecia por isso.
No caminho de volta para minha casa, Sand dirigia meu carro; o rádio tocava algumas músicas que eu não conhecia, mas Sand parecia conhecer, ao julgar que ele batucava os dedos no volante do carro conforme o ritmo da música. Encostei minha cabeça no vidro do carro e passei a observar a cidade ficando cada vez mais para trás. As falas da minha terapeuta ainda permaneciam em minha mente.
— Você está bem?
Olhei para Sand. Ele tinha um olho na estrada e outro em mim. Eu sentia o olhar preocupado dele, mas também sentia que, se eu abrisse minha boca naquele momento, eu iria falar um monte de besteiras para ele. Então, por esse motivo, eu somente acenei com a cabeça e voltei a olhar a paisagem fora daquele veículo.
Uma hora depois, chegamos em minha casa. Não pedi para que Sand me deixasse sozinho, não pedi para ele entrar. Eu simplesmente ignorei que ele estava ali e caminhei direto para a estante de whiskys e vodkas. Peguei a primeira garrafa que vi e dei um gole generoso. O rapaz na minha frente me olhou; ele não tinha uma expressão definida, mas sabia que ele estava me reprovando. Não precisava daquilo naquele momento.
— Você deveria parar de beber desse jeito — disse ele.
— E você não é ninguém para falar o que eu devo fazer — acendi um cigarro. Sand me encarou sério, olhou para os lados e suspirou. Sem dizer nada, ele virou e caminhou em direção à porta; sem pensar muito, deixei a garrafa na estante e corri em sua direção, segurando seu braço.
— Sand, me desculpe — sussurrei. Sinto uma corrente elétrica passar dele para mim, e seu corpo travar no lugar.
— Você pode, por favor, me perdoar? Eu fui estúpido. Quero que você me entenda. Eu estava bravo com você porque me importava muito com você. Você pode ficar com raiva ou me odiar o quanto quiser. Agora sei que você não quer nada de mim. Nesta Terra, não há ninguém que seja mais atencioso ou amoroso do que você.
Quando dei por mim, eu já estava falando tudo. Tudo o que eu nem sabia que tinha para dizer. Sand havia virado e ficado de frente para mim. Meu rosto estava inundado pelas minhas lágrimas, assim como o rosto de Sand.
— Embora eu não tenha sido nada além de um idiota com você, você está sempre lá por mim — enxuguei minhas lágrimas. — Sand, por favor, me entenda; estar comigo requer um pouco de paciência. Mas se você não quiser mais me aturar, tudo bem. Eu entendo você. Ninguém pode me aturar. Minhas mãos tremiam, meus soluços se misturavam com minhas palavras emboladas, e eu nem sabia se ele estava entendendo alguma coisa que eu dizia.
As mãos de Sand seguraram as minhas, e eu pude sentir o quanto suas mãos estavam gélidas e suadas. Olhei para seus olhos e vi o quanto estavam dilatados, negros e banhados com suas lágrimas.
— Mas, por favor, saiba disso, Sand. Desde que você entrou na minha vida, tenho sido muito feliz. Muito feliz, Sand. Obrigado. Muito obrigado!
Não tive muito tempo para pensar. Sand me entrelaçou em seus braços e me apertou como nunca antes tinha feito; meus soluços se intensificaram, e minha mente escureceu. Eu realmente tinha dito tudo aquilo; eu realmente o fiz.
— Eu te amo! — ouvi ele sussurrar.
Desfiz nosso abraço e olhei para ele por alguns segundos, até o momento que o beijei, como nunca antes fiz.
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sorry ━━ sand and ray
FanfictionRay, após sair de sua terapia, encontra-se perdido em meios aos seus pensamentos. Confuso e alterado, ele em um momento inesperado encontra coragem para se desculpar com Sand.
