Prólogo

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Os feixes atravessavam a janela de modo que fosse possível ver as pequenas poeiras perambulantes. O clima quente dentro da sala dos professores era amenizado pelo potente ventilador rodopiando e produzindo um sonoro ruído que lembrava a chuva. Os raios luminosos de forma simplista esboçaram no chão um pequeno arco-íris que logo sumiria com o passar das horas. Era como uma bela pintura diante da janela aberta, o batente aparentava ser o molde para o quadro onde as nuvens enfeitavam o céu e movimentavam-se lentamente sobre a imensidão do espaço azul. Fora da instalação de concreto havia o aproveitamento das cerejeiras pelos alunos, no qual estenderam um velho pano no chão e por lá estavam em seu intervalo. No movimento sutil da brisa o adocicado aroma do pólen vagava pelo campo aberto da escola.

Ele andou apressado pelo cômodo, de maneira dominante - postura ereta e passos firmes. O Albino inspira fundo, enchendo os pulmões de ar e seu olfato é preenchido pelo cheiro inebriante do café, aquilo esquentava as pontas dos dedos, ele bebericou com cuidado para não queimar a ponta da língua e no mesmo ínterim o mormaço colidiu em seu rosto com o fluir da respiração. A cada gole era possível ver as partículas de suor se formarem na borda da xícara azulada assim como os olhos celeste do homem. Abaixou a mão que segurava a alça, e com a mão livre pegou o relatório. Encaminhado em plena madrugada para ele, o relendo novamente.

Seu corpo esquentava na mesma medida que a leitura se prolongava. Gojo bebeu outro gole, era apenas para manter-se acordado, pois aquilo estava, de fato, muito longe de seu perfil habitual.

Não era novidade receber arquivos sobre maldições de níveis especiais, contudo, era a primeira vez que era contratado para um serviço no Brasil. Na folha digitada havia o relato do envolvimento de um objeto amaldiçoado de nível especial e o desaparecimento de uma garota de 15 anos. No relato menciona a origem de duas energias amaldiçoadas de nível especial, uma delas detinha uma energia interessante, segundo as autoridades locais; uma era capaz de atrair maldições e a outra, de presença marcante, foi capaz de despertar os moradores vizinhos com sua negatividade, conseguiu atingir grandes distâncias e ainda mais notório; atiçou a elite dos xamãs japoneses com o chamado urgente dos brasileiros.

Tudo aconteceu às pressas - deixando-o acordado desde às 4 da manhã - arrumando a mala e tendo que comprar passagens de última hora. Grande reviravolta e turbulência foi sua madrugada, agora, apreciando o único momento de paz que havia em poucos minutos de tranquilidade antes da aula. Ele tinha seus objetivos em mente caso a adolescente ainda estivesse viva, por mais que as chances fossem pequenas, deveria ter esperança e acreditar na brasileira e que aguentaria até sua chegada.

Suspirou buscando a calma, a ausência de uma noite já estava começando a se manifestar em seu humor. O barulho de dois integrantes correndo pelos corredores da escola a cada segundo ficou mais alto. Foram poucos segundos para se preparar mentalmente pelas encharcadas perguntas que viriam assim que eles chegassem na porta. Respirou fundo e fechou os olhos fortemente sob a venda quando a porta foi aberta em um estrondo e como ventanias o receptáculo e a jovem promissora lhe acarretaram de perguntas e olhos brilhantes.




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Gojo permaneceu sério ao ver o famoso horizonte de areia bege onde a onda do mar azul se dissolvia, próximo a praia as grandiosas construções e moradias de luxo. E nos morros ao fundo, as aglomeradas construções de tijolo na qual mostrava muito sobre a situação do país. Além da linha do horizonte, ao longe com os braços estendidos estava o Cristo Redentor. Notou as partes que eram mais iluminadas que outras, visto que de cima tudo parecia se dividir em duas partes marcantes na economia, sem nem ao menos dar a chance de uma classe média, era o que pensava.

Sobrevoou por inúmeros prédios, e passou por grandes quantidade de casas, ultrapassou algumas avenidas famosas que não haviam tranquilidade alguma, o tráfego de veículos não estava engarrafado, mas a cada segundo o barulho de algumas motos estourando o motor ecoava pelo asfalto, ou então, as buzinas dos carros fazendo alguma ultrapassagem errada.

Feiticeira UmbraWhere stories live. Discover now