A descontrolável força do vento fazia as folhas das árvores dançarem uma melodia tão selvagem que algumas acabavam sucumbindo e, assim, caíam dentro do rio, que levava as folhas pela sua correnteza e, junto com as folhas, um líquido escarlate escorria com elas.
Os insetos caminhavam sob o corpo sem vida daquela mulher; o sangue cobria grande parte do pequeno cadáver. Os olhos, tão verdes como a grama na primavera, deixavam transparecer a inocência, o desespero e uma gota de vingança fervilhando naqueles olhos mortos, seus cabelos ruivos espalhados pela grama rubra.
A floresta escura e silenciosa foi cortada por uma luz flamejante, onde se encontrava o corpo nu da jovem bruxa. Uma voz sussurrante dançava na mesma melodia do vento... Então, uma batida, uma respiração, um mexer dos olhos, uma dor entre suas pernas... Um renascer produzido por um desejo de vingança.
As ondas suaves do oceano molhavam os delicados pés da ruiva. Ela cantava uma música da sua infância; o cheiro salgado da água camuflava o fedor repugnante de ferro enferrujado. Nas mãos da mulher, atrás de si, deitado na areia, encontrava-se um homem despedaçado, suas vísceras para fora do corpo, sem olhos, língua, mãos... Aquele humano desfigurado agora queimava pelo mesmo fogo que trouxera sua vítima à vida naquele exato momento, onde sua alma, corpo e inocência foram vingados. Poderia partir em paz agora. A jovem começou a caminhar para dentro do mar, ainda cantando a melodia com um sorriso gentil e aliviado; lágrimas de alegria molhavam seu rosto. Então, seu corpo foi desaparecendo até restar somente uma flor vermelha da mesma tonalidade dos cabelos flamejantes. Esta visão parecia um feitiço, um belo e delicado feitiço.
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Vingança
Short StoryUma alma boa pode desejar vingança pelo seu corpo, pureza e inocência? Na visão da floresta, sim, ela pode, e a natureza a ajuda a conseguir. (Este é um pequeno conto que fala que os mortos podem ter sua vingança ou justiça pelo seu corpo, aqueles q...
