O rapaz respirava pesadamente, seu capacete ficando embaçado. Seus músculos mais se contraiam do que relaxavam, conforme a respiração ficava mais acelerada.
A visão ficando turva, a mente em branco, se os estudos que viu durante toda sua vida estivessem certos, lhe restava pouco tempo, talvez só mais alguns segundos, até seu ar acabar.
Aquele pensamento o assombrava, a morte o assombrava, mas nada o amedrontava mais do que ser um prisioneiro. Faz sete dias que estava preso naquela sala, pequena e vazia, de uma nave alienígena que o capturou. E para ele parecia melhor morrer pela falta de oxigênio do que ser o objeto das parafilias daqueles seres.
Então, quando o silêncio reinou e o breu se fez presente, Tsukishima chegou a pensar que já estava morto, mas para a sua surpresa, ao despertar do desmaio, o que o loiro viu não era a luz no fim do túnel, nem um barco a frente do horizonte e sim a figura de uma criatura de pele azulada, quase transparente, que estava de encontro a si.
Os lábios colados aos seus o pediam, calmamente, passagem com a língua, deslizando por sua cavidade.
O ser a sua frente era Yamaguchi, o segurança que cuidava dos prisioneiros daquela nave. O rapaz fizera uma suposta amizade com o azulado no tempo em que esteve preso, ele descobriu que, na verdade, Yamaguchi não era dali, nem sequer da mesma espécie que os outros, ele só estava ali porque fôra traído por um de seus companheiros de viagem, sendo capturado e posto naquele cargo.
O loiro sabia que aquela história poderia ser apenas uma mentira, mas ele resolveu não questionar, tendo em mente que não sobreviveria muito tempo naquele lugar mesmo.
— O que diabos você está fazendo?
Indagou o humano, afastando o alienígena para longe.
— E-eu achei que você precisasse de ajuda, você… você parecia estar morrendo sufocado, então eu… eu tentei ajudar.
Tentou explicar, os três pares de olhos observando o estado do humano, tentando captar se ele estava bem.
— O que exatamente você fez comigo? Por que eu tô respirando?
Questionou, enquanto passava as mãos pelo pescoço, sentindo uma leve ardência do nariz até os pulmões.
— Não sei se vai ser fácil de entender… minha espécie tem um tipo de "dom" que nos permite regular a respiração independente da quantidade de oxigênio do local ou da pressão atmosférica. Nós sempre normalizamos nossa respiração no ambiente e, eu meio que compartilhei isso com você agora…
Tsukishima nem teve tempo para compreender a situação, pois logo ouviram um barulho do lado de fora e Yamaguchi teve que se apressar, deixando-o novamente ali sozinho, solitário, naquela cela.
[...]
Dois dias se passaram, ao menos era o que parecia. O rapaz observava o capacete em seu colo, sabia que não precisaria mais dele, ou das garrafas de oxigênio - que já estavam vazias de qualquer forma -, mas não conseguia se separar daquelas coisas, as únicas coisas que eram suas ali dentro, em meio ao vazio daquela cela.
Ele não conseguia evitar de colocar o capacete toda vez que algum estranho passava na frente do quarto, mesmo o menor resquício de ser notado o fazia se sentir apreensivo, ainda mais com a incerteza, já que não sabia se aquilo que Yamaguchi fizera era permanente, ou um simples ato efêmero.
Pensar naquilo o deixava cabisbaixo, em certo ponto até depressivo, e a insônia só piorava isso.
Não gostava de sentir aquela insegurança toda e piorava por não conseguir fazer nada a respeito. Não queria sentir aquilo, mas não sabia como parar, como lutar contra.
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Pelo Espaço - TsukkiYama
FanfictionQuando um astronauta é capturado por uma nave alienígena, ao ver seu oxigênio acabando aos poucos, ele aceita que sua morte esteja próxima, mas o que ele não esperava era que alguém estaria ali para ajudá-lo. Essa é a história de como Tsukishima e Y...
