A aldeia era pequena,as casas normalmente eram construídas por materiais locais, como barro ou madeira.As famílias dessa aldeia dependiam muito da agricultura e cultivavam em campos próximos. A tecnologia era inexistente na época, as pessoas tinham de se contentar com velas.Mal o sol aparecia, as famílias se juntavam na igreja local para agradecer a Jesus.
A igreja era de pedra, o telhado tinha forma de duas águas, já no interior o espaço era bastante arejado e amplo com fileiras de bancos. O altar ficava mais à frente numa espécie de palco, por conta disso tinha 2 degraus pequenos para acessar. Um pouco em cima do altar tinha uma estátua de Jesus Cristo crucificado na parede, o teto era alto e era suportado por arcadas ornamentadas.
Alice nasceu surda, por conta disso seus pais a abandonaram, eles não sabiam como cuidar de uma menina surda. Ela vive num orfanato, ele é feito de barro e é bastante amplo para aguentar todas as crianças que continham. O edifício onde se encontra o orfanato era abandonado, mas foi reconstruído e transformado num orfanato quando várias crianças começaram a viver nas ruas da aldeia, muitas delas morriam no frio gelado da noite.
Alice acorda ao ser sacudida pela funcionária do orfanato. O vestido das funcionárias do orfanato é longo, chegando até os tornozelos. Acima desse vestido, usam um avental branco que cobre a parte frontal do vestido. Os sapatos são simples e práticos para a movimentação dentro do orfanato. O cabelo delas é geralmente preso para não atrapalhar em seu trabalho.
"Está na hora de ir à igreja", escreve a funcionária no caderno de comunicação de Alice. Alice não sabe libras, então usa um caderno para se comunicar. Alice se levanta da cama junto com as outras crianças e, em fila, caminham para o lado de fora, onde há várias bacias. É aí que as crianças tomam banho. Alice está quase no fim da fila e fica olhando para o céu. O azul é brilhante, com várias nuvens brancas que Alice imagina serem ovelhas.
Alice gosta de sentir seus pés no gramado logo ao acordar. É sua parte favorita do dia, junto com o café da manhã, que geralmente tomam após o banho na bacia. Existem cercas rodeando o orfanato para proteger as crianças.
Num piscar de olhos, chega a vez de Alice tomar banho. Calmamente, a funcionária tira a roupa de Alice. Depois, pega Alice no colo e a coloca gentilmente na bacia. A água é morna e confortável, o que faz Alice sorrir.
Naquele orfanato, todos são uma grande família. Foram ensinados a não ter vergonha uns dos outros, pois são todos humanos e, naquele orfanato, são todos amigos um dos outros.
Alice termina de tomar banho. A funcionária a seca com uma toalha de lã, e a veste calmamente, e então após isso Alice corre para dentro do orfanato, ansiosa pelo café da manhã.
O café da manhã tinha sido gostoso; era um soco de sabores na boca. Alice não tinha muitos amigos no orfanato por ser surda. Apesar de a tratarem bem, ela sabia que não gostavam dela, embora escondido. Mas Alice não se importava, pois na sua cabeça um dia se tornaria a melhor artista que este mundo já viu!
Todas as crianças estavam prontas e, em fila, seguiam seu educador e funcionárias até a igreja. A igreja era bastante ampla, e Alice sentava-se numa cadeira no fundão. Alice era bastante católica e ficava muito empolgada de ir à igreja. Todas as pessoas da aldeia chegaram e, então, o pároco chegou para realizar a missa. Alice lembrava-se até hoje de como foi seu batizado; ela pensava que ia se afogar. A missa finalmente acabou e o pároco começou a falar algo importante. Mas Alice era surda e sabia que aquilo não era uma oração, pois os lábios do pároco estavam se movendo de forma diferente de quando era sobre orar.
Alice agarrou o vestido de uma das funcionárias e retirou de seu bolso um lápis de carvão e seu caderno de comunicação. Ela escreveu: "O que ele está falando?" A funcionária então escreveu: "O sacrifício anual vai ser mais cedo este ano. Amanhã já vão decidir as 10 crianças." Alice ficou automaticamente vermelha de medo. A funcionária escondeu sua emoção de tristeza, pois sabia que as 10 crianças poderiam ser do orfanato, como aconteceu no ano passado. Finalmente, a missa acabou e estava quase na hora do almoço.
As crianças saem da igreja em fila, contendo o choro. Alice está triste; todos os anos são assim, mas por que foi mais cedo neste? Na cabeça de Alice, não faz sentido. Ela segue a fila chorando em silêncio, junto das outras crianças, que estão todas a chorar. Metade delas nem tem 11 anos e já têm a chance de perder a vida. Que crueldade.
Alice pensa que é isso que Jesus precisa para proteger a aldeia. Então, morrer por ele é um motivo nobre de morte, certo? Finalmente, chegam no orfanato e caminham em fila para a cantina do orfanato. A cantina é um local simples; as paredes são feitas de barro com um acabamento áspero e sem adornos. As crianças caminham até o centro da cantina, onde há longas mesas de madeira robusta. Os assentos são de madeira dura, mas o diretor do orfanato, para não deixar as crianças desconfortáveis, no início da criação do orfanato, costurou à mão almofadas de algodão com penas de galinha dentro para colocar nos assentos ,tornando-os mais confortáveis.
As crianças se sentam nos assentos e aguardam um pouco para o banquete acabar de ser cozinhado, após algum tempo as funcionárias começam a levar á comida para a mesa. As crianças começam a comer rapidamente, com o rosto todo cheio de ranho e molhado do choro. Alice não é diferente e tenta comer tudo em cima da mesa, assim como as outras crianças, pois pode ser seu último dia.
Todos os anos é assim: quando é anunciado o sacrifício, as funcionárias fazem um banquete de refeição, lanche e jantar. E, todas às vezes, parte o coração delas ver as crianças que tanto cuidaram puderem partir no sacrifício, mas é pelo bem da aldeia.
Depois do grande banquete, é hora de diversão, pois pode ser o último dia deles. Então, têm o resto do dia livre, enquanto o diretor, educador e funcionárias compram presentes para cada criança para fazê-las felizes.
Alice decide ir para o dormitório feminino. Ela pega várias folhas e pastéis coloridos, ela começa a desenhar todas as crianças do orfanato, as funcionárias, o diretor e o educador. Alice desenha a chorar, mas com um grande sorriso de felicidade no rosto.
Alice faz isso todos os anos, quando é revelado o dia do sacrifício. Ela chora igual a todas as crianças e depois passa toda a tarde fazendo um desenho. O diretor, toda vez que vê o desenho de Alice, chora de emoção, sabendo que, em algum dia, ela pode partir. Alice apareceu na porta do orfanato mal ele foi reconstruído, com frio e bem magrinha e tinha apenas 5 anos. Ela já está com eles há 3 anos, apesar de ser tímida e não se dar bem com as outras crianças, é a favorita do diretor.
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Azul Falso
Mystery / ThrillerUm sacrifício ocorre todos os anos, o sacrifício é a morte de 10 crianças.
