Será que vem aí uma nova página desse livro que já está demorando anos para terminar?
Não sei, só sei que talvez eu não queira mais escrever. Meu coração só não aguenta mais viver mais decepções. Não fazem nem um ano que eu tenho que reescrever essas páginas de novo, e a minha borracha não apaga as cicatrizes que há em meu coração.
Sei lá, as vezes só estou delirando e alimentando algo que nunca existiu, mas como eu vou saber se essa era a decisão certa se eu não me arriscar?
Mas sinceramente, eu tô cansado de me arriscar, tô cansado de ser vulnerável sempre e não obter resultados. Acho que tudo isso é o medo falando mais alto dentro de mim, mas é como se eu quisesse que o medo permanecesse, ele me protege das minhas falhas.
Mas essa chama que existe em meu coração não pode ser apagada tão fácil, não é como se eu quisesse que ela apenas fizesse as malas e fosse em bora, não vai acontecer. Mas é tão simples e complicado essas situações, como se eu tivesse no controle de tudo, mas mesmo assim tivesse medo de assumir.
Sinto me acorrentado por aquele velho medo de ser feliz, como se ele me convencesse que nunca é uma boa ideia, e eu sempre acredito. É como se eu tivesse em um deserto morrendo de sede e com uma garrafa de água na mão, aí aparece um jacaré falante e me diz que não é uma boa ideia eu tomar aquela água. Mas, por que eu iria ouvir um jacaré? E por que teria um jacaré falante deserto? Eu não sei! Mas na minha mente fez sentido.
Essas pequenas sátiras me fazem feliz por dentro, eu me sinto até um pouco mais inteligente criando pequenas histórinhas que ninguém vai ler.
E tudo isso se resume em amor, o amor que eu não consigo dar pra mim mesmo. Eu simplesmente rejeito a ideia de me sentir confortável comigo mesmo, então eu coloco na minha mente que minha identidade é moldável a partir dos ambientes que eu estou.
Que triste né, um garoto tão criativo e inteligente se desprezando e se moldando por migalhas.
Mas é isso, esse é meu jeitão.
