Uma sala de paredes esbranquiçadas. O ambiente era completamente escuro, exceto por uma única fonte de luz fraca, uma espécie de cápsula, com aproximadamente um metro e noventa de comprimento.
Por uma pequena fresta, no grande tampo de vidro da cápsula, escorria graciosamente uma fumaça perolada. Os arredores estavam cobertos, pelo véu de fumaça, que saía do módulo, que produzia um som, semelhante a um alarme.
Aos poucos a tampa erguia-se, revelando um corpo submerso, naquela densa fumaça, que assemelhava-se a um líquido. Ela vestia uma roupa branca, de uma única peça com uma pequena identificação:
"Paciente: 189 Identidade: Amara Tratamento iniciado: em 2050."
Amara aos poucos saía de sua cápsula, com certa estranheza, pois não tinha ninguém naquela sala, que não era a mesma, que ela tinha em suas vagas memórias, uma vez um lugar impecável que transmitia ar de limpeza, agora era um lugar completamente sombrio e empoeirado. Uma fraca luminosidade era a única fonte de luz do ambiente, que vinha do painel de controle da cápsula, na pequena tela estava: "Falha em processo de conservação, por esgotamento da energia reserva". Saindo da sala Amara deparava-se com um ambiente tenebroso, e corredores obscuros. Sendo os únicos guias visíveis, as identificações dos outros cômodos.
Usando as paredes de guia, ela aproximava-se cada vez mais de outro cômodo, e uma única coisa passava por sua cabeça: "O que vou encontrar lá dentro? Outra pessoa? Ou um módulo vazio?" Dentro da sala ela aproximava-se vagarosamente, daquela cápsula coberta, por uma espessa camada de poeira, ao seu lado Amara soltava um suspiro de hesitação e com o rosto de lado, passou rapidamente a mão sobre a poeira, virando-se lentamente para o módulo, ela inspirou profundamente, tentando controlar o medo que a dominava, olhando para a cápsula, seu coração disparava como nunca antes. Ali dentro estava, o que um dia já foi um homem, seu rosto era uma mistura pútrida entre carne e crânio. A metade direita havia sido completamente consumida, a parte inferior tornou-se uma massa podre de carne.
Amara saía da sala, caminhando sem expressão. Ela se apoiou na parede do corredor, caindo lentamente no chão, chorando desesperadamente. A visão do corpo pútrido se repetia em sua mente, cada vez com mais detalhes.
Ela não comia há séculos, e já havia esquecido como era ter o estômago embrulhado. Mas mesmo assim, ela começou a vomitar compulsivamente. Sua garganta queimava, mas ela não conseguia controlar a sensação de náusea. Cada detalhe do corpo a atormentava progressivamente, ela via a metade da cabeça esquelética, a parte inferior do corpo reduzida naquele lodo. Todos aqueles flashbacks, eram uma tortura tanto física quanto mental.
Se levantando com dificuldades, Amara cambaleou pelos corredores escuros, seus passos vacilantes ecoavam contra as paredes, passava relutante pelas salas, mas não estava disposta a correr o risco, ela se sentia culpada, por virar as costas para as outras salas, mas sua falta de bravura, controlava suas ações.
Ela estava cansada e desanimada, as horas de caminhada, fora interrompida por um sentimento de esperança, a sua frente estava uma grande porta de metal. Ela estava coberta de musgo por todas as suas extremidades, seu centro entreaberto era iluminado por belos raios de luz, estreitando-se relutante e curiosa. "O que me aguarda do outro lado? Por que uma instalação tão tecnológica como essa está sem energia? Como estão as coisas lá fora?"
Ofuscada pela claridade, Amara se encontrou no pior cenário possível. Das inúmeras coisas que ela imaginara, nada se comparava à realidade, o saguão do laboratório estava abandonado, há tempo indefinido. As mesas, paredes e as decorações estavam tomadas pela natureza, as vinhas, musgo e goteiras se espalharam por todo aquele cômodo. Sentindo um exorbitante aperto no coração, fazia, todas suas esperanças esvaírem-se de seu corpo, descrente de tal situação, em desespero ela corria sem rumo, batendo nas grandes portas de metal e lançando cadeiras e destroços contra as janelas. Todo aquele ódio e indignação, tornaram-se desespero e tristeza dentro dela, todos aqueles sentimentos culminaram no mais profundo choro de impotência, as lágrimas escorriam por seu rosto, os soluços eram incontroláveis. Amara nunca se sentiu tão impotente como agora, ela estava de mãos atadas, não sabia o que fazer, tão pouco para onde ir, ou como agir.
YOU ARE READING
2250 · Além do Tempo Perdido
Science FictionAmara, a protagonista, acorda em uma sala escura e suja de um laboratório. Suas vagas memórias não condizem com o estado atual do lugar. Ela descobre que o laboratório está completamente abandonado, assim como o mundo lá fora. Algo devastou o plane...
