1. Mudanças

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I can't handle change -
Roar

"I can't handle change
I can't handle change
Nothing i do is ever good
Nothing i do is ever good enough"

░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░░

Lá fora o sol soltava rajadas de luzes quentes que aqueciam a pele do meu braço, que se encontrava para fora do carro, encostado na janela.

Com as costas e o pescoço completamente reclinados sobre o banco acolchoado, atento-me às ruas calorosas e animadas da California. Fazia tempo que não frequentava lugares assim. Como jovens andando de calções e peitos expostos, biquinis e peles tão bronzeadas além dos simbólicos quiosques animados. Praia, calor, turistas. Realmente, se você gosta de todas essas coisas, California é o lugar certo para você ir.

Nasci e passei uma boa parte da minha vida aqui. Até que a minha mãe conheceu um australiano e correu para ele e sua vida de magnata. E lá eu cresci, Meredith teve sua mansão perfeita, seu closet perfeito, os gêmeos perfeito, o marido perfeito. A vida perfeita!

– Inês? - ouso minha mãe indagar com o celular na orelha, erguendo os óculos escuros, para o que parece, observar melhor o motorista da faixa ao lado – Ufa, graça a Deus, estou a caminho. Me enrolei aqui com os gêmeos mas estou chegando - explica com a voz acelerada enquanto ergue o canto dos lábios para o homen de cabelos escuros meio grisalhos, e aparentemente com um ótimo fisico. Suponho isso pelo seus ombros largos e braços definidos. – Ah, sim eles estão ótimos. May? - me lança um olhar rápido pelo retrovisor – É, ela também está aqui.

– O cuzão do Willian? Não, larguei ele e aquele cabelo ridículo dele na Austrália junto com as aranhas asquerosas e aquela casinha sem graça. - diz com certo rancor.

Rancor porque sei que ela gostava daquele cabelo ridículo, longos e loiros cujo o dono é um germe, e gostava daquela mansão "sem graça" que ela mesma ajudou mobiliar. E de mais toda aquela vida perfeita que ela foi obrigada a deixar pra trás, por minha culpa.

Olho para o lado, apenas para checar se os dois bebês não estão arrumando uma nova forma de se matar, pela décima segunda vez do dia. Mas eles estão bem, um deles se encontra mordendo a própria mão, ao mesmo tempo que baba de forma nojenta, provavelmente devido seus dentes em formação e quanto o outro balbucia sons estranhos. Provavelmente fazendo um monólogo interessantíssima sobre a desigualdade social. Meu orgulho.

Quando volto a fitar a janela, noto que o cenário mudou. Agora estamos entrando em o que parece ser um condominio de casas. Um enorme portão, sua cor é um amarelo metalizado de tom meio gasto, mas ainda assim sua grandeza lhe dá a sensação de que estou passando pelos portões do céu.

Ruas devidamente organizadas. Até mais organizadas do que o meu próprio quarto. Luzes nas calçadas, um gramado bem cortado, arbustos bem podados, além é claro das casas. Suas estruturas são todas diversas mas igualmente luxuosas e harmônicas.

Enquanto andamos pelo lugar também percebo alguns pequenos comércios, como quitanda, padarias, até mesmo academia. Vejo campos de futebol, parquinhos. No geral era um bom lugar, bom mesmo.

– Chegamos - a loira diz suspirando em seguida, retirando o sinto de segurança quando encosta o automovel em frente a uma casa – Me ajuda a pegar as malas e os seus irmãos, anda! - apressa saindo do carro.

Ela segue até a parte de trás do carro, onde fica o porta malas e o abre. Rapidamente me apresso a sair para ajudar.

– Deus amado - ouso minha mãe resmungar observando a grande quantidade de malas armazenadas – Acha que consegue carregar?

Apenas MayWhere stories live. Discover now