Um trio de garotos de em torno de treze anos cercava outro da mesma idade no canto de um pátio escolar do interior de São Paulo, na frente de uma garota com chifres e orelhas de cervo, que implorava ao grupo: — Por favor, deixem ele em paz!
O mais alto, de pele branca e cabelos pretos até os ombros, ignorou o pedido da menina e aplicou um soco no do meio, deixando sua boca sangrando. Ele decide não revidar, dando um sorriso de canto de boca, limpando o sangue com o pulso.
— É só isso que sabe fazer, Cris? — Disse Araragi Goto, o garoto do meio. Sua pele era parda, suas íris amarelas, seus dentes pontudos e seus cabelos espetados, de cor castanha. Ele vestia o mesmo uniforme dos outros ao seu redor, mas diferente deles, possuía um longo rabo de lagarto e chifres pequenos na cabeça. — Eu sei que você transforma seus punhos em metal, mas precisa variar um pouco.
— Hahah, agora ele acabou contigo — riu o ruivo que estava ao redor deles.
— Cala a boca, Lucas, senão você é o próximo — O de cabelo escuro refutou. — E você, lagartixa humana, fica no seu lugar, que da próxima eu arranco um dos seus chifres. E quem sabe o da sua namoradinha também.
— Eu tenho nome, seu babaca, e a Vitória também.
— E nós não somos namorados! — Comentou a garota.
— Foi mal, esqueci que aberrações como vocês tinham nome — Debochou novamente.
— Como é que é...? — O garoto lagarto murmurou, com um olhar irritado.
— Ué, tô errado? Gente normal não tem parte de animal acoplada no corpo.
— Cara, deixa disso... — avisou o terceiro moleque, de pele negra e cabelo raspado, percebendo algo incomum com o garoto do meio.
— Tão com medo dele agora? Ele sabe que se fizer alguma coisa, vai ter que se ver comigo.
Araragi começou a rir baixinho, olhando para baixo. Sua pele estava mais escamosa e suas unhas se pareciam mais com garras, tomando um formato pontudo.
— D-desculpa aí, Araragi — o ruivo voltou a falar, assustado — a gente só tava brincando... não é, Júlio?
— Eu não quero ouvir isso de puxa-sacos como vocês — disse Araragi com uma voz mais rouca, cerrando os punhos.
— Vai lá, Cris — pediu o de cabeça raspada — vamos deixar isso quieto.
— Há. Vocês são patéticos. Se quiser brigar, vem pra cima, a b e r r a ç ã o.
Ao ouvir essas palavras, em um movimento súbito, quase animalesco, Araragi correu e deu um pulo para cima de Cris, encaixando suas garras na clavícula do jovem, que não conseguiu se defender. Ele abriu sua mandíbula como a de um crocodilo, mordendo o lado esquerdo da cabeça do garoto, arrancando sua orelha e algumas madeixas de cabelo, espirrando sangue por todos os lados.
Por alguns segundos, eles ficaram em silêncio, enquanto o rapaz gritava, tentando tapar a hemorragia. Os outros dois garotos correram para chamar ajuda e se afastar da criatura, enquanto Vitória, horrorizada, apenas observava seu colega de classe mastigando. Seu coração estava a mil por hora, e ao ver o garoto olhar pra ela, com as pupilas dilatadas e o rosto banhado de vermelho, ela deu um passo pra trás, dizendo baixinho: — Monstro...
Dois anos depois.
Era mais uma manhã de sexta na cidade de Serra Real, no estado do Rio Grande do Sul, onde estava localizada uma das maiores instituições escolares para sobrehumanos no Brasil, país conhecido pelo surgimento de humanos com superpoderes através do contato com um vírus que se espalhou pelo país, afetando todo o mundo em seguida.
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Scales n' Bones
FantasyAraragi Goto é um adolescente mutante que vive em um mundo com superpoderes conhecidos como dádivas. Com o sonho de virar um soldado de elite, ele ingressa em um instituto preparatório junto com outros quinze jovens, devendo superar os seus limites...
