Após perder meus pais em um acidente, moro com minha irmã mais velha e com nossos tios, Elizeta e Carmo e com seus filhos, Carmem,Marta e Elder. Por isso,comecei a trabalhar em um Club esportivo sem que Lilian soubesse, minha irmã quer que eu foque na faculdade, ela diz que sou muito inteligente pra desperdiçar. Mas quero ajudar nas despesas, nossos tios não podem nos sustentar ao menos conseguem se sustentar.
19 de Setembro de 2019.
Enquanto lá fora o sol está reinando, as aves aproveitam um pouco das sombras frescas das poucas árvores que este lugar possui. Os ricos, no entanto, estão tomando um solzinho e curtindo como se não houvesse crise economica.
- Joga a bola direito! - esperneia um deles em meio aos risos das mulheres que os observam na lateral do campo.
Como uma funcionária não oficializada há quase 7 meses, estou apenas me vendendo por alguns trocados que me deixem pagar minhas contas, faço o trabalho de uma equipe e recebo por menos de um quarto do valor da mesma.
Maldito capitalismo!
-Vá limpar a cozinha, deixa que assumo aqui- diz Tales enquanto arruma as bandeijas vazias- O que foi?
- Nada,estava pensando na vida...- digo em meio a suspiros melancolicos - acha que eles sabem quanto está custando o Kg da carne?
Marcos ri.- Com certeza... não, eles nem devem saber o que é feira de mes - responde em um tom mais sério.- Invejo eles.
Me despeso de Tales e vou em direção a cozinha.
- lave esses pratos, arrume os utensílios e depois lave o chão, tente não deixar resquicio como da última vez..entendeu? - exaspera como um ditador.
- Sim, chefe, dessa vez..não vou errar- respondo entre dentes. - Sobre..o meu pagamento...- tento arranjar forças para terminar a frase que mais parece um texto.- ainda não fui paga este mes...- suspiro em alivio por conseguir dizer tudo.
- Pagamento? - diz enquanto se aproxima devagar- Nem terminou suas tarefas e quer saber de pagamento?..Além de errar sempre que possivel como uma idiota, quebrar louças finas e derramar bebidas que comprariam sua vida, voce ousa me cobrar?- sua voz sai como um trovão em meio a uma brutal tempestade. Enquanto dá volta ao meu redor.Tão aterrorizante
- Não posso trabalhar somente por alegria..senhor, a lesgilação proibe o acumulo de funçoes por funcionários e nesse caso, não sou funcionaria,trabalho por pagamento ao fim do dia, deve ter 20 dias que não recebo nada. Cobrar por utensilios quebrados, quando a causa foi clientes não é justo. - exclamo em meio ao caos que se formou na porta da cozinha.
-Viu, eu disse que ela não ia durar mais de 6 meses com o chefe - sussurravam os subchefes.- de hoje ela não passa.
- O QUE ESTÁ DIZENDO SUA VAGABUNDA?- grita a todo pulmoes - Não é justo?..saia da minha frente sua viralata.. antes que eu te de o que merece- segura meu braço com brutalidade enquanto os outros funcionários mantem-se estáticos em suas posiçoes.
- Se não tirar suas mãos nojentas de mim.. eu vou arrancar-las.- ameaço enquanto o encaro ferozmente. - Vira-latas mordem senhor - rio com desprezo.
- Sua..- levanta a mão bruscamente em direção a mim. - Senhor, os clientes estão ouvindo tudo lá de fora.- intervém um dos garçons. E assim,ele me solta como em um passe de mágica - SUA PUTA DESGRAÇADA...*&%$#- sai da cozinha amaldiçoando meus antepassados. ¨
CLIENTES. Essa palavra é um comando valioso contra esse maldito.
- Voce esta bem?..quer que te leve pra casa?
- Welter, obrigada,por me ajudar com o..diabo, eu estou bem... vcs ainda tem muito trabalho, posso ir sozinha,ainda é cedo - tento dar um sorriso para o convencer.
- Então me manda mensagem quando chegar em casa, ok?
Apenas assinto com a cabeça. Welter gosta da minha irmã, mas ela ama o namorado.
Indo em direção ao ponto de onibus.
- CLaro, foi uma ótima ideia contrariar o seu empregador.. parabéns, Lina- debocho enquanto olho meu reflexo na vitrine. - Oh, obrigada, eu podia ter quebrado algum prato na cabeça dele tambem? - pergunto ao reflexo.
-Meu Deus.. a coitada tão nova! - sussurra um pequeno grupo de senhoras transeuntes- ela não parece estar bem, está até falando sozinha, deve ser grave o caso não é? ah, que pena - enquanto apontam em minha direção.
-O QUE ESTÃO OLHANDO?-exclamo em indignação - VOCES CONSEGUEM ME VER? PODEM ME AJUDAR? SENHORAS...SENHORAS...NÃO CORRAM, ME AJUDEEEEM AAAAA ME AJUDEEEM- rio descontroladamente até perder o folego. - tadinhas hahaha ai ai - suspiro.
Sentada no ponto de onibus. Haviam 8 pessoas esperando, algumas em pé,outras sentadas.
Será que essas pessoas estão tendo um dia como o meu?.. ou pior... ou melhor... ou monotono..ou m..- sou interrompida por um estrondo seguido de muita sujeira e fedor. - O QUE FOI ISSO?- pergunto assustada.
- Um carro passou e jogou lixo na gente. - responde um senhor baixo e esguio, enquanto, se limpa dos residuos. - ricos idiotas ainda vão pagar...- pragueja.
- Podemos chamar a policia e depois processar, eles não estão acima da lei - exclamo em meio aos risos e deboches.
- Sabe que eles não vão pagar, porque não são somente ricos tambem são influentes, gente desse tipo... jamais saberá o peso da justiça.- adverte uma das poucas pessoas que não foi atingida pela mistura de lixo organico com restos de papéis e...não consegui identificar o resto.
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Decodificando o amor
RomanceLina,é uma órfã que junto com sua irmã, vive em um dilema entre ajudar nas despesas e terminar sua graduação em T.I. Esforçada, gentil e justa, Lina faz de tudo para ajudar no sustento da casa. Gregor é um herdeiro, mimado, autoritário e cruel, tido...
