O Segredo da Floresta

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​A floresta nos limites da cidade sempre carregou um ar de mistério, mas para Milena, de 11 anos, era apenas o cenário perfeito para brincar. Naquela tarde, ela, o Gustavo e a Mónica decidiram jogar às escondidas.
​— Um... dois... três... — Milena apoiava o rosto contra o tronco de uma árvore velha, de olhos fechados.
​De repente, um estalar de ramos secos ecoou nas suas costas. Ela abriu os olhos rapidamente e olhou de relance. Uma silhueta escura pareceu passar entre os arbustos. Deve ser só um gato de rua, pensou, tentando acalmar o coração sobressaltado. Voltou a fechar os olhos para terminar a contagem, mas antes que pudesse pronunciar o número seguinte, o mundo desapareceu. Uma mão pesada cobriu-lhe a boca, e o sussurro de uma voz rouca avisou-a para não gritar.
​O silêncio que se seguiu na floresta foi sufocante.
​Afastados dali, Gustavo e Mónica começavam a ficar impacientes. O tempo passava e a amiga não aparecia para os procurar.
— Já chega, vou ver o que aconteceu com a Milena — disse Gustavo, limpando a terra das calças.
— Cuidado, Gustavo! — alertou Mónica, olhando em volta com um pressentimento ruim. — Já está a ficar escuro e este lugar é perigoso.
​Gustavo caminhou até ao ponto de partida da brincadeira. Milena não estava lá. Em vez disso, caído perto da entrada da floresta, estava um dos sapatos dela. Ele apanhou-o, sentindo um arrepio na espinha, e correu de volta para a amiga.
​— Meu Deus, Gustavo... onde encontraste isso?! — exclamou Mónica, com os olhos arregalados ao ver o sapato na mão dele.
— Perto da portaria da floresta. Ela sumiu, Mónica.
​Em pânico, as duas crianças correram até à casa de Milena. Ao ouvir o relato dos amigos, o mundo da mãe de Milena desabou. A polícia foi chamada, buscas foram feitas, mas a floresta parecia ter engolido a menina.

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