Sol Ardente

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Era de tarde, cerca de 13 horas quando aconteceu pela primeira vez, um homem na

África morreu queimado do nada, enquanto estava simplesmente andando pela rua,

e o caso teve que se repetir cerca de 60 vezes para que os cientistas

compreendessem o que estava acontecendo, graças as enormes quantidades de

poluentes no ar, a atmosfera abriu-se, as forças eletromagnéticas que serviam como

escudo agora estavam loucas e quase desfeitas o que abriu passagem para os raios

ultravioletas do sol, como medida de contingência nós não poderiamos sair mais de

casa até segunda ordem, não definiram se confiar na rotação da terra e sair de noite

seria aceitável.

Meu nome é Pamela, tenho 17 anos e vivo com os meus pais em Salvador, na Bahia,

antes de tudo isso acontecer eu amava sair, não aguento ficar muito tempo no mesmo

espaço que o meu pai, antes por causa de suas piadas horríveis e velhas, hoje por

sua irritação constante, ele e minha mãe não paravam de brigar, talvez já fosse assim

antes e eu não ficava em casa tempo o suficiente pra perceber, não, eu li que o

número de divórcios aumentou desde que isso tudo começou.

Não podemos sair de casa então drones levam condimentos para as casas, novos

lotes de comida, água, e tudo mais, chegavam de semana em semana; meu pai

também se irritava facilmente comigo, as vezes me dava medo dele, quando podemos

sair para refrescar a cabeça as nossas casas são mais confortáveis e menos

problemáticas, será que a loucura vive no lar dos seres humanos?

Eu estava em meu quarto fazendo uma atividade de matemática do último ano

escolar, eu deveria fazer a variância e o desvio padrão de certas massas de dados,

sempre fui magra, cabelos escuros e ondulados, bochechas rosadas em uma pele

meio clara, os únicos com quem eu realmente falava eram os meus amigos da escola,

que se tornaram amigos virtuais depois que tudo aconteceu.

- FILHA O ALMOÇO ESTÁ PRONTO!

Desci da cama e calcei meus chinelos, sai do meu quarto fechando a porta atrás de

mim, caminhei pelo corredor até chegar na cozinha aonde meu pai já estava, minha

mãe chegou depois de mim com a comida pronta, ela apoiou os pratos sobre a mesa,

um sobre cada parte pertencente à onde estávamos sentados.

-VAI FICAR AI EM PÉ? SENTE-SE!

Minha mãe tinha o péssimo hábito de falar alto e isso até mesmo quando estávamos

perto. Sentei-me logo após ela.

A mesa tinha cerca de 1 Metro e 40 de altura o que distanciava bem cada um, mas

não distanciou o suficiente pra que meu pai não conseguisse acertar o prato em minha

mãe.

-VOCÊ ESQUECEU COMO SE COZINHA NESSA PORRA?

Minha mãe pareceu confusa no chão com o prato quebrado e muitos cacos de vidro

ao lado, me levantei e corri até ela para ajudá-la.

-PELO VISTO VOU DORMIR COM FOME HOJE!

Meu pai estava muito alterado, nunca tinha visto ele agredir a minha mãe, e ele

gritava a todo momento com alguém. Ajudei a minha mãe a se levantar, nesse meio

tempo papai ou Júlio, como eu o chamava pelas costas (primeiro nome), ficou a nos

observar em pé próximo a mesa, após a minha mãe ter se levantado, Júlio deu as

costas para se retirar.

Mamãe correu em sua direção e acertou o pescoço de Júlio com um dos cacos de

vidro do prato quebrado, eu não havia percebido que ela estava com aquilo até aquele

momento, meu pai não gritou e nem reagiu, o que significa que no primeiro golpe

talvez já tivesse morrido, mas minha mãe continuou, um segundo, um terceiro, um

quarto, até um quinto golpe.

Eu estava horrorizada sem conseguir me mexer em um canto da cozinha, quando

minha mãe finalmente lembrou que eu estava lá, meu pai já estava sem vida no chão.

-Filha você viu o que aconteceu...foi legitima defesa!

Foi a primeira vez que ouvi o tom de voz baixo de Maria Antônia, minha mãe, mas

não era nem um pouco reconfortante, eu estava apavorada.

-O sol... vamos joga-lo lá fora, assim que essa loucura tiver acabado vão achar que

ele morreu queimado, o que me diz? Me ajuda filha?

Mesmo tendo acabado de matar o meu pai na minha frente... ainda era minha mãe,

peguei o corpo de meu pai pela cabeça enquanto minha mãe levantava as suas

pernas, levamos ele até a porta, ao abrir usamos o corpo do papai como escudo para

não nos queimarmos, após jogar o corpo pra fora fechamos rapidamente a porta.

Passei o resto do dia no quarto, não falei com ninguém, nem mesmo ouvi se minha

mãe chamou para jantar, peguei no sono meia noite, e depois de uma longa noite de

pesadelos com a morte do meu pai, acordei as 6, levantei-me esperando que tudo

tivesse sido um pesadelo.

Deu 12 horas e ninguém acordou, fiquei preocupada, no fundo sabia que a morte do

meu pai realmente ocorrerá, mas cadê a minha mãe? Fui até seu quarto, não achei,

procurei por toda a casa e não encontrei, um pensamento sombrio me tomou, eu não

estava mais raciocinando e então abri a porta.

E lá estavam dois cadáveres atrás da minha porta, uma queimadura em meu braço

me acordou de meu trauma e fechei a porta rapidamente, porém sabia o que iria

acontecer, aquela queimadura de raio ultravioleta era o bastante para câncer de pele,

de um dia para o outro a minha vida estava arruinada, eu estava certa, a loucura vive

no habitat humano, e essa loucura tomou a minha mãe, e eu a sentia chegando para

mim... eu estava só, e o único barulho que ouvia era de minha amiga Jéssica no

celular perguntando por que eu não respondia desde ontem, peguei o celular e digitei.

*mensagem

Eu: amiga quando será o próximo role?

Jessica: ficou louca? E esse problema com o sol aí?

Eu: saímos de noite haha!

Jessica: ...

A loucura é como o Alzheimer, você perde a noção do que é perigoso, do que é

importante, e só foca em mínimos detalhes... sai pela porta da frente.

Contos EstranhosGeschichten, die süchtig machen. Entdecke jetzt